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ir, fazer acontecer, filosofar, sonhar, amar, amarfanhar, imaginar, criar, dançar, aprender e escrever - não necessariamente por esta ordem


02
Fev18

sou formadora há alguns anos - ainda sou do tempo do cap e dos cursos financiados, para formação pedagógica de formadores. sou mesmo antiga, hein?

 

do banco para o banco de desempregados

 

durante 10 anos fiz de conta que era bancária até que os astros se alinharam e eu consegui sair da instituição onde fiz sempre o meu melhor e não era feliz. só gostava mesmo (e muito!) de algumas pessoas. fiz bons amigos e aprendi muito. o atendimento ao público foi uma experiência muito rica que, ainda hoje, me ajuda no trabalho de gestão de redes e gestão de comunidades. 

saí do banco sem ter um emprego ou um trabalho em vista. estive desempregada, fiz parte dessas estatísticas. visitava a junta de freguesia, de quinze em quinze dias, como se fosse uma criminosa com termo de identidade e residência. tive como propostas para a formação profissional cursos na área de estética (cabeleireiro) e nos mármores. os cursos de línguas eram demasiado básicos para o meu nível de conhecimentos. paguei formação do meu bolso para poder justificar que era uma desempregada activa e interessada em mudar.

 

de uma estatística para a outra

alguns meses depois surgiu a oportunidade de colaborar com uma agência de comunicação. não havia interesse em contratar-me. o que se pretendia era uma colaboração por projecto. podia durar dois meses, três ou apenas um. fruto dos contactos que fui fazendo e do longo networking desenvolvido numa rede social de seu nome twitter, comecei a ter propostas para trabalhos pontuais: social media management, community management, copywriting. e, ainda, formação na área da filosofia para crianças. perante estas oportunidades a minha escolha passou por visitar as finanças e abrir actividade. foi assim que passei das estatísticas do desemprego para a dos recibos verdes - ou trabalhadores independentes. 

 

a partir daí a minha vida mudou: pagamentos de IVA e segurança social. tudo "por minha conta", trabalhadora independente e assim. contratei um contabilista para me ajudar a perceber coisas e para me enviar os e-mails com as informações importantes. assumi os trabalhos que me foram propostos e que, passado uns meses, terminaram. havia que encontrar outros trabalhos - e essa pesquisa passou a consumir muito do meu tempo.

Screenshot 2018-02-02 14.50.47.png

 

como é que se encontra trabalho?

esta é uma pergunta recorrente. quando dou formação e digo que sou freelancer é comum ouvir esta pergunta, do lado de lá. são pessoas que querem mudar de vida e por isso consideram os recibos verdes como fonte de rendimento. 

é cansativo: enviei muitos cvs que ficaram perdidos numa caixa de correio. comecei a ter feedback quando comecei a definir um tom nas minhas apresentações / cartas de motivação. o humor, os trocadilhos com as palavras, o outro lado da joana que não tem nada a ver com social media. a joana que também faz outras coisas. hey, a joana que, mesmo não preenchendo todos os vossos requisitos, é filósofa. e ter um filósofo a fazer isto ou aquilo só pode ser fantástico. respondi a muitos anúncios dizendo: "não preencho todos os pontos do perfil que procuram. ainda assim, é aqui e ali que posso ser uma mais valia."

 

Screenshot 2018-02-02 14.50.11.png

 

enquanto trabalhava no banco, fiz muita formação, participei em eventos e conferências, o que me permitiu conhecer pessoas e alargar a rede de contactos. iniciei o meu projecto de filosofia para crianças e criatividade e foram muitas as vezes em que tirei férias no banco para ir trabalhar neste projecto. fui semeando, sem saber quando iria sair do banco, mas com a certeza de que isso aconteceria. o meu outro blog foi fundamental para divulgar o trabalho na área da filosofia para crianças e, assim, conseguir concretizar convites para fazer oficinas com as crianças e também dar formação a professores, educadores e agentes educativos. 

quando era bancária e saía do balcão onde trabalhava, no final do dia, dizia aos meus colegas da altura: vou-me embora, pois a minha vida não é isto. algures em 2013 disse isso pela última vez. 

 

é fácil ser freelancer?

não. trabalha-se mais do que por conta de outrém, pois tudo depende de nós: temos que contactar clientes, manter relações de confiança, trabalhar, cumprir prazos, gerir a vida pessoal, ter uma agenda bem definida, combater a procrastinação e tomar decisões como coworking ou home office? 

às vezes trabalho ao domingo. e aos sábados. e dou formação em regime pós-laboral. e estou a estudar, num mestrado. tenho família, amigos e namorado. gosto de ir ao teatro e ao cinema. concertos? também. 

ainda assim, posso ir com o cão ao veterinário durante a manhã. posso tirar uma tarde e ir aos ctt, ao shopping, ao hipermercado, ao contabilista. a gestão do horário está por minha conta. 

há ainda o outro lado, de cobrador de fraque, que é necessário assumir. nem sempre se respeita o trabalho do freelancer e é necessário insistir para que nos paguem. é que a segurança social e o iva não perdoam. felizmente tenho tido bons clientes, que são parceiros, e que são cumpridores na hora de fazer a transferência bancária. 

 

Screenshot 2018-02-02 14.52.25.png

 

no que respeita à gestão daquilo que recebemos, não podemos esquecer que o IVA pertence ao estado e que mensalmente há a segurança social para pagar. por muito que custe retirar os 23% do recibo e ver outros 25% a serem retidos, é desta forma que temos que pensar nos nossos rendimentos.

há meses em que parece que trabalhamos só para pagar as despesas, outros corrrem melhor. organizem-se e não gastem o dinheiro do IVA: pensem sempre que não é vosso.

 

balançar para cá, balançar para lá

até agora o balanço é positivo. sobrevivi, não é verdade? se tentei trabalhar com agências? sim, tentei. e vou continuar a tentar apesar de saber que sou muito nova para ser sénior e muito velha para ser júnior. sei também que tenho um perfil atípico no que ao marketing digital / social media diz respeito. disseram-me uma vez que "sou difícil de enquadrar". 

a verdade é que sobrevivi. sobrevivo. com os recibos da cor da esperança, com o IVA, com a segurança social e as despesas normais da vida. e não troco esta vida pela vida do banco. mesmo com a angústia de não saber se amanhã vou ter trabalho, se o cliente vai desistir do projecto. mesmo com meses em que dou mais formação e as contas equilibram os meses em que não dou formação. mesmo com uma gestão apertada do orçamento (nem sempre é possível gastar dinheiro em cultura ou em extras). mesmo sem saber muito bem o  que vou estar a fazer para o ano ou daqui a dois anos. eu desenrasco-me. não tenho medo de trabalhar. foi por isso que abandonei um emprego estável, com ordenado certo, seguro de saúde e um horário porreiro. é que eu não tenho medo de trabalhar. 

DJXZ-EiXkAA56P5.jpg 

 

falta-me a estabilidade que permite dar outros passos, aqueles que as pessoas da minha idade dão: comprar casa, casar e ter filhos. só que eu não sou as pessoas da minha idade: comprei, há uns anos, um carro a pronto. não quero comprar casa. casar não é uma prioridade e ter filhos também não. portanto, a estabilidade que me falta não é idêntica à das outras pessoas da minha idade. é por isso que não posso aconselhar alguém a embarcar nesta aventura de ser freelancer, pois há demasiadas coisas em jogo e nada como medir bem os prós e os contras. 

é preciso ter um perfil de persistência e de optimismo para conseguir lidar com este estilo de vida. há que saber vender o nosso trabalho, trabalhar a marca pessoal e, muito-muito-importante, estabelecer boas relações com os clientes e os parceiros. evitar caminhos fáceis que vão de encontro a estratégias de médio prazo e só resolvem no imediato.

às vezes temos que dizer que não a um trabalho, pois não temos perfil para ele ou até conhecemos alguém que sabe fazer aquilo melhor do que nós. temos que estabelecer limites com os clientes. erramos muito até encontrar o modelo de proposta mais acertado. tentamos, tentamos. fazemos acontecer. 

 

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22 comentários

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De Regina Afonso a 05.02.2018 às 11:23

Olá Joana. Gostei imenso de ler a sua publicação. queria apenas dar-lhe os parabéns por pensar fora da caixa. Também eu, há alguns anos, deixei para trás os meus 15 anos de bancária para conseguir "voar" por outros céus :) Desejo-lhe muitas felicidades nas suas escolhas. Eu, ao fim de alguns anos a experimentar várias hipóteses, encontrei uma actividade que me faz sentir totalmente realizada e me dá a também a base para poder desenvolver projectos mais filosóficos :) Sim, porque a Filisofia, normalmente, não dá dinheiro, mas sim uma grande satisfação pessoal. Vou procurar continuar a lê-la e gostei imenso de a "conhecer" :) Um abraço.
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De Joana Rita a 05.02.2018 às 11:28

olá, Regina!
obrigada por deixar um comentário.
perguntam-me, muitas vezes, como é ser freelancer e se eu aconselho a fazerem essa mudança. por norma, respondo com o lado menos sexy da decisão: dá muito trabalho arranjar trabalho, há muitas horas de frustração e algumas noites de insónia para saber se os projectos avançam ou não. e depois há também férias que deixam de acontecer, por não ser possível recusar trabalho.
e quando há responsabilidades financeiras "pesadas", a decisão tem que ser muito ponderada.
não me arrependo. há dias muito bons e dias de muito cansaço.
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De Ana Ferreira a 05.02.2018 às 12:58

Parabéns Joana! Conseguiste aquilo que eu aos 50 anos já não tenho coragem para fazer - largar a função pública, onde morro todos os dias um pouco, e abrir o meu próprio negócio.
As responsabilidades financeiras vão aumentando, 2 filhos ainda não orientados na vida, e tudo vai correndo e se esfumando...
Talvez na próxima reencarnação!
Tudo de bom
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De Joana Rita a 05.02.2018 às 13:04

há circunstâncias que nos limitam, outras que nos empurram a mudar.
cada caso é um caso.
por isso não posso aconselhar ninguém a tornar-se freelancer. há muitos aspectos a ter em conta e nem tudo é "sexy", fácil, rápido e maravilhoso.
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De amoraconversa a 05.02.2018 às 13:59

Obrigada pela partilha Joana!
Nem imaginas o que eu hoje precisava de a ler!!!
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De Joana Rita a 05.02.2018 às 14:17

yeah! GO!
tudo de bom!
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De Paula a 05.02.2018 às 14:09

Cheguei ao blog no scroll do sapo, adorei o tom, o humor, a forma tão criativa de resposta a projetos/candidaturas...mt bom, um prazer ler, Joana. Virei espreitar! 😊
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De Joana Rita a 05.02.2018 às 14:17

olá, Paula!
obrigada pela visita. espero que voltes mais vezes!
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De Maribel Maia a 05.02.2018 às 16:49

Excelente exemplo de empreendedorismo!
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De Rita a 05.02.2018 às 18:10

Que coincidência, esta tarde li uma entrevista sobre o tema - partilho-o pq acho que irá gostar também: https://sofiamacedo.com/blog/nomadismo-digital-portugal/

e agora o seu artigo!
Serão sinais! Muito sucesso!
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De Joana Rita a 05.02.2018 às 18:18

obrigada, Rita.
vou ler!
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De gatodeloiça a 05.02.2018 às 21:15

Parabéns! Não é fácil nos dias que correm montar negócio por conta própria, é sempre um risco.
E no teu caso talvez tenha sido mais difícil pois tiveste que tirar formações para depois também dares, ou seja especializares-te em algo para encontrares mercado e construíres, um negócio teu.
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De Joana Rita a 05.02.2018 às 21:24

obrigada!
já desenvolvia algum trabalho em social media, de forma "empírica" e para gerir o meu projecto de filosofia.
depois, fui colaborando com alguns sites e revistas online, criando e escrevendo conteúdos - isto tudo enquanto fazia de conta que era bancária.
foram sementes que deram frutos.
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De Jules a 05.02.2018 às 22:51

OHMEUDEUS (sim, isto tem de ser tudo em maiúsculas e tudo junto para descrever o que senti).
Nunca duvidei da pertinência dos posts destacados pelo Sapo, mas surpreendem-me sempre quando menos espero. Eu achava que tinha ideias engraçadas, mas a Joana dá-me mil a zero.
Vou começar a estagiar amanhã numa agência de comunicação, estou completamente aterrorizada, mas ler este post ajudou-me a aligeirar a coisa.

Obrigada!
Vou seguir.

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De Joana Rita a 05.02.2018 às 23:05

hey! all the best! GO, GO, GO!
e depois conta como correu o 1º dia, pode ser?
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De Jules a 01.03.2018 às 15:22

Olá Joana,
Lembra-se de mim?
Numa escavação no LinkedIn, descobri a coisa mais engraçada do mundo: a minha supervisora de estágio tem uma referência sua no perfil. O mundo é tão pequeno.
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De Joana Rita a 01.03.2018 às 15:39

o mundo é uma ervilha!
como correu o 1º dia?
e quem é a supervisora de estágio?
> info@joanarita.eu se quiseres falar "in private".

beijinho
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De Anónimo a 05.02.2018 às 23:56

Bastante inspirador!
Deve ser excelente não ter propriamente uma rotina

Boa semana! :D
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De Joana Rita a 08.02.2018 às 14:20

não ter rotina torna-se, em última instância, numa rotina como as outras!
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De Simples Assim a 12.02.2018 às 22:52

Olá Joana,
Primeiro que tudo parabéns pela coragem que teve. Sim coragem, porque realmente é preciso coragem para largar aquilo que os outros podem achar de grande sorte e grande emprego para seguir aquilo que queremos mesmo que não nos traga a mesma estabilidade financeira nem mesmo a certeza do amanhã.
Penso nisso tantas e tantas vezes e sinto que algures estes anos deixei passar qualquer coisa. E esse qualquer coisa teve um inicio que já ficou muito lá atrás. Depois veio o casamento, a casa, os filhos....a necessidade de ter algo certo, mesmo que dê cabo de nós, vai crescendo cada vez mais e com ela aquela frustração de não conseguirmos mudar.
Trabalho numa agência imobiliária, como administrativa (coordenadora da agência), e se de inicio achei que tinha encontrado o emprego de sonho, ao fim de seis anos, estou cansada. Cansada de lidar com pessoas que precisam de angariar e de vender para o seu sustento, mas que em equipa cria egoísmo, inveja, mau estar e falta de harmonia. Sinto que não tenho um patrão mas muitos que tentam e por vezes conseguem, abusar do meu trabalho, fazendo com que muitas vezes acabe por fazer o deles e ver o meu a acumular-se. Sinto falta de apoio por parte dos gerentes que também eles acham que eu devo estar em todo o lado e saber tudo.....e não consigo. Venho para casa triste e frustrada, a pensar em algo que eu possa fazer saindo dali, por minha conta, e que não prejudique o orçamento familiar. Mas não está fácil. Dizem-me para olhar para as coisas boas e tentar minimizar as más. Mas nem sempre se consegue. Neste ramo há uma certa ganância por parte das pessoas, que eu até posso compreender mas não aceito....Sinto-me cansada, e com 41 anos um pouco desalentada no ramo profissional. Cada vez me sinto melhor quando estou em casa, e se pudesse fazer algo a partir da mesma acho que não pensaria duas vezes.
Mas por enquanto, lá vou olhando para o melhor que tenho que é uma paisagem deslumbrante em frente ao local de trabalho :)
Espero sinceramente que tenha muito sucesso e que consiga atingir os seus objectivos para que com eles também consiga o seu sucesso pessoal.
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De Joana Rita a 03.04.2018 às 16:13

reparei agora que não agradeci o teu comentário... #shameOnMe!
obrigada pela partilha!
o sucesso faz-se de passos para a frente e outros para trás. há quem lhe chame cha-cha-cha :D
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De Simples Assim a 03.04.2018 às 17:34

😉

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