nasci numa família disfuncional, onde me permitiram ser quem eu sentia e pensava que era.
abracei um curso pouco convencional. filosofia, vejam só.
trabalhei numa área que não era a minha e com a consciência de que não era aquilo que eu queria. a par disso, criei um projecto onde me sentia realizada. tive o apoio do mano, da mamãe Sabel e de alguns amigos. trabalhava muito depois das 16h30 e aos sábados e domingos. tirava férias no banco para poder ir dar formação.
cruzei-me com gente boa, pelo caminho. gente que acreditou no meu trabalho e na minha honestidade. trabalhei muitas horas nas redes sociais para promover o meu trabalho - isso levou-me a Maputo.
quando deixei o banco e fiquei desempregada, dois anos depois do méniere ter entrado na minha vida, sem pedir - arregacei as mangas e encarei o desemprego como a oportunidade para fazer aquilo que quero e gosto. estive desempregada apenas alguns meses e nesse período os meus amigos queixavam-se da minha falta de tempo: formação, bater às portas, fazer pela vida e tantas outras coisas faziam com que trabalhasse muitas horas por dia, a promover o que faço e a tentar criar emprego. lancei-me no social media management de forma séria. consegui um lugar no ensino, para filosofar com a criançada. fui convidada para um tedx e subi ao palco.
consegui.
se olharmos para a remuneração e regalias de ser bancária, esta vidinha de filósofa e consultora em social media não compensa.
se olharmos para a qualidade de vida que tenho hoje, compensa. trabalho muito: às vezes trabalho muito para conseguir que me paguem, outras vezes para arranjar trabalho que me pague as contas no próximo mês.
faço escolhas no meu orçamento e todos os dias revejo a #toDoList.
tenho sorte, sim. mas cheguei aqui, passo a passo, com sorriso nos lábios e umas olheiras que por vezes me chegam aos tornozelos.
é caso para deixar um beijinho bom ao senhor que inventou o corrector de olheiras.
na verdade, estou um bocado assim. ou muito assim. 2013 tem apenas 4 meses de vida e já tanto aconteceu. sim, estou a repetir-me, mas gostava mesmo que tivessem isso em mente, para não serem apanhados desprevenidos, entendem?
acontece tanta coisa como o aparecimento de herpes nas mãos. pois, eu também não sabia que era possível. mas nem sei a 100% se isto é herpes. todavia, decidi lançar o caos lá no trabalho e partilhar com os meus colegas que tinha herpes, nas mãos, sublinhando que era altamente contagioso. sim, adoramos espalhar magia e o pânico. o pânico fica sempre bem.
depois, fui à polícia (não me limitei a fazer check in no foursquare). sim, e o agente que me atendeu era na verdade muito giro. pediu-me o número de telefone e a morada. mas até hoje não me ligou. começo a achar que esses dados eram mesmo essenciais para o registo da ocorrência.
fui ao lançamento de um livro de um amigo e cheguei atrasada. quando estava a entrar na sala, a Júlia Pinheiro passou por mim, olhou e disse: olá boa tarde, como está? e eu pensei que ela me tivesse confundido com um dos gordos que iam ao programa dela, na sic, remember?
assisti a «gates» em que pessoas no topo da hierarquia esbracejavam e lutavam para manter a sua posição. entravam em contradição e pareciam as lagartixas, quando se lhes corta o rabo, sabem? doidas. doidas. um espectáculo lindo de se ver.
quando se trabalha em equipa os sucessos e os erros são assumidos com um «nós», pelo menos perante os outros.
depois, internamente, podemos falar do papel mais ou menos activo de cada um perante o sucesso ou o falhanço. assim se permite que o melhor de cada um transborde para os outros e que o pior de cada um seja minimizado e corrigido.
portanto, quando um elemento da tua equipa prefere denunciar e fazer «queixa» de um dos elementos [ah nós teríamos conseguido se não fosse X]ao invés de assumir a situação [nós ainda não conseguimos, mas é uma questão de dias] então... não existe equipa.