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all about little lady bug

ir, fazer acontecer, filosofar, sonhar, amar, amarfanhar, imaginar, criar, dançar, aprender e escrever - não necessariamente por esta ordem

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ir, fazer acontecer, filosofar, sonhar, amar, amarfanhar, imaginar, criar, dançar, aprender e escrever - não necessariamente por esta ordem

comemorar o dia dos irmãos be like

 

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na terça feira passada assinalou-se o dia dos irmãos. não sei se foi um daqueles decretos da rádio comercial ou se é mesmo uma efeméride a nível nacional / internacional. e eu passei 7h desse dia na companhia do meu irmão. não foi algo planeado, foi até uma surpresa para ambos. não houve refeição partilhada, mas foi bastante emocionante. 

acordei e deparei-me com um enorme mau estar e verifiquei que tinha sangue na urina. liguei para a minha médica a quem descrevi os meus sintomas (as dores são horríveis, pior que isto só dor de dentes ou de ouvidos!). "o mais certo é ser uma infecção urinária, tens que ir ao hospital". e como não me sentia bem para conduzir, o meu irmão foi comigo. 

da entrada à triagem a coisa aconteceu de forma rápida (uma hora talvez). o pior foi a espera pelas análises e pelo exame. saí de lá sem saber bem se me havia de sentar, deitar ou rebolar no chão, mas com medicação milagrosa que em poucas horas me fez sentir bem. foi a minha primeira vez no hospital beatriz ângelo (loures) e só posso salientar a forma como fui atendida pela equipa médica. o carinho e a atenção para com os outros pacientes foi sempre evidente.

e o mano não arredou pé. 

 

há quem combine jantar ou cinema com o irmão; os manos Sousa "combinam" coisas à última da hora. 

verbo conhecer

 

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[do lado de cá]

o que precisamos saber para dizer que sabemos quem (alguém) é? que dados, que informações, que histórias, que datas, que factos, que marcas, que sins, que nãos?

que perguntas podemos fazer? que perguntas devemos fazer? e há perguntas proibidas? 

 

[do lado de lá]

e o que dizer? tudo? umas coisas e outras? nada? ocultamos, e não mentimos. omitimos e não dizemos mentiras. 

respondemos a tudo? fugimos às respostas? adiamos a resposta? 

 

 

 (print screen do priberam)

:: i just kant ::

 

(atentem, vem aí um super cliché)

a vida é feita de decisões difíceis. (viram, viram?)

desde há umas semanas para cá que dormia mal, que não conseguia produzir como devia, que andava agastada. a tese. sim, muitas leituras feitas, sim, muitos rascunhos. mas e a tese? e o prazo a aproximar-se? e os dias sempre curtos para tudo?

a tese.

a decisão.

pensei, pensei. passei horas a tentar dormir, sempre a pensar nisto. 

e decidi assumir que não tenho as condições necessárias para concluir a tese. falta energia, motivação, tempo. falta a estabilidade que a vida de freenlancer não me dá. 

era bom que fosse possível suspender a vida durante um mês para me dedicar 100% a isto. era bom, mas como não vai dar, é melhor reconciliar-me com a realidade.

 

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até já, kant. prometo que não te vou fechar numa gaveta para sempre. voltarei a ti. noutra altura.

a tua,

 

joana rita 

 

"então, tudo bem?"

 

há projectos que nos apaixonam desde o primeiro minuto. quando a ideia surge só pensamos em vê-la crescer, dar os seus primeiros passos. queremos estar lá em todos os minutos. partilhar os bons e maus momentos. dar-lhe a mão. damos tempo, damos dedicação. não há "mas". é só estar lá. a ideia, pah, a ideia é tão boa e capaz de gerar tantas e muitas coisas. envolvemos os outros, aqueles de quem gostamos, nesta ideia. eles colocam as mãos na massa. e é tudo bonito. estamos felizes. estamos lá pelas 'ssoas, não é verdade? e, para o bem e para o mal: as 'ssoas. chega o momento em que essas 'ssoas fazem o que diziam que não iriam fazer. e, depois de sugarem o teu tempo e a tua energia, continuam caminho, sem ti. agora já não fazes falta. "não és a tal". e é assim que aquele projecto (que tanto me apaixonou, que me fez caminhar, que me desafiou, que me fez crescer, que me deu asas) passa da categoria de "namoro intenso" para "se passar por ti na rua, tanto me faz, mas pergunto então tudo bem porque sou uma miúda educada". 

já não sinto nada.

foi bonito, sim. deixou de ser. 

 

 

 

 

the perks of being a freelancer

sou formadora há alguns anos - ainda sou do tempo do cap e dos cursos financiados, para formação pedagógica de formadores. sou mesmo antiga, hein?

 

do banco para o banco de desempregados 

 

durante 10 anos fiz de conta que era bancária até que os astros se alinharam e eu consegui sair da instituição onde fiz sempre o meu melhor e não era feliz. só gostava mesmo (e muito!) de algumas pessoas. fiz bons amigos e aprendi muito. o atendimento ao público foi uma experiência muito rica que, ainda hoje, me ajuda no trabalho de gestão de redes e gestão de comunidades. 

saí do banco sem ter um emprego ou um trabalho em vista. estive desempregada, fiz parte dessas estatísticas. visitava a junta de freguesia, de quinze em quinze dias, como se fosse uma criminosa com termo de identidade e residência. tive como propostas para a formação profissional cursos na área de estética (cabeleireiro) e nos mármores. os cursos de línguas eram demasiado básicos para o meu nível de conhecimentos. paguei formação do meu bolso para poder justificar que era uma desempregada activa e interessada em mudar.

 

de uma estatística para a outra

alguns meses depois surgiu a oportunidade de colaborar com uma agência de comunicação. não havia interesse em contratar-me. o que se pretendia era uma colaboração por projecto. podia durar dois meses, três ou apenas um. fruto dos contactos que fui fazendo e do longo networking desenvolvido numa rede social de seu nome twitter, comecei a ter propostas para trabalhos pontuais: social media management, community management, copywriting. e, ainda, formação na área da filosofia para crianças. perante estas oportunidades a minha escolha passou por visitar as finanças e abrir actividade. foi assim que passei das estatísticas do desemprego para a dos recibos verdes - ou trabalhadores independentes. 

 

a partir daí a minha vida mudou: pagamentos de IVA e segurança social. tudo "por minha conta", trabalhadora independente e assim. contratei um contabilista para me ajudar a perceber coisas e para me enviar os e-mails com as informações importantes. assumi os trabalhos que me foram propostos e que, passado uns meses, terminaram. havia que encontrar outros trabalhos - e essa pesquisa passou a consumir muito do meu tempo.

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como é que se encontra trabalho? 

esta é uma pergunta recorrente. quando dou formação e digo que sou freelancer é comum ouvir esta pergunta, do lado de lá. são pessoas que querem mudar de vida e por isso consideram os recibos verdes como fonte de rendimento. 

é cansativo: enviei muitos cvs que ficaram perdidos numa caixa de correio. comecei a ter feedback quando comecei a definir um tom nas minhas apresentações / cartas de motivação. o humor, os trocadilhos com as palavras, o outro lado da joana que não tem nada a ver com social media. a joana que também faz outras coisas. hey, a joana que, mesmo não preenchendo todos os vossos requisitos, é filósofa. e ter um filósofo a fazer isto ou aquilo só pode ser fantástico. respondi a muitos anúncios dizendo: "não preencho todos os pontos do perfil que procuram. ainda assim, é aqui e ali que posso ser uma mais valia."

 

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enquanto trabalhava no banco, fiz muita formação, participei em eventos e conferências, o que me permitiu conhecer pessoas e alargar a rede de contactos. iniciei o meu projecto de filosofia para crianças e criatividade e foram muitas as vezes em que tirei férias no banco para ir trabalhar neste projecto. fui semeando, sem saber quando iria sair do banco, mas com a certeza de que isso aconteceria. o meu outro blog foi fundamental para divulgar o trabalho na área da filosofia para crianças e, assim, conseguir concretizar convites para fazer oficinas com as crianças e também dar formação a professores, educadores e agentes educativos. 

quando era bancária e saía do balcão onde trabalhava, no final do dia, dizia aos meus colegas da altura: vou-me embora, pois a minha vida não é isto. algures em 2013 disse isso pela última vez. 

 

é fácil ser freelancer? 

não. trabalha-se mais do que por conta de outrém, pois tudo depende de nós: temos que contactar clientes, manter relações de confiança, trabalhar, cumprir prazos, gerir a vida pessoal, ter uma agenda bem definida, combater a procrastinação e tomar decisões como coworking ou home office? 

às vezes trabalho ao domingo. e aos sábados. e dou formação em regime pós-laboral. e estou a estudar, num mestrado. tenho família, amigos e namorado. gosto de ir ao teatro e ao cinema. concertos? também. 

ainda assim, posso ir com o cão ao veterinário durante a manhã. posso tirar uma tarde e ir aos ctt, ao shopping, ao hipermercado, ao contabilista. a gestão do horário está por minha conta. 

há ainda o outro lado, de cobrador de fraque, que é necessário assumir. nem sempre se respeita o trabalho do freelancer e é necessário insistir para que nos paguem. é que a segurança social e o iva não perdoam. felizmente tenho tido bons clientes, que são parceiros, e que são cumpridores na hora de fazer a transferência bancária. 

 

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no que respeita à gestão daquilo que recebemos, não podemos esquecer que o IVA pertence ao estado e que mensalmente há a segurança social para pagar. por muito que custe retirar os 23% do recibo e ver outros 25% a serem retidos, é desta forma que temos que pensar nos nossos rendimentos.

há meses em que parece que trabalhamos só para pagar as despesas, outros corrrem melhor. organizem-se e não gastem o dinheiro do IVA: pensem sempre que não é vosso.

 

balançar para cá, balançar para lá

até agora o balanço é positivo. sobrevivi, não é verdade? se tentei trabalhar com agências? sim, tentei. e vou continuar a tentar apesar de saber que sou muito nova para ser sénior e muito velha para ser júnior. sei também que tenho um perfil atípico no que ao marketing digital / social media diz respeito. disseram-me uma vez que "sou difícil de enquadrar". 

a verdade é que sobrevivi. sobrevivo. com os recibos da cor da esperança, com o IVA, com a segurança social e as despesas normais da vida. e não troco esta vida pela vida do banco. mesmo com a angústia de não saber se amanhã vou ter trabalho, se o cliente vai desistir do projecto. mesmo com meses em que dou mais formação e as contas equilibram os meses em que não dou formação. mesmo com uma gestão apertada do orçamento (nem sempre é possível gastar dinheiro em cultura ou em extras). mesmo sem saber muito bem o  que vou estar a fazer para o ano ou daqui a dois anos. eu desenrasco-me. não tenho medo de trabalhar. foi por isso que abandonei um emprego estável, com ordenado certo, seguro de saúde e um horário porreiro. é que eu não tenho medo de trabalhar. 

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falta-me a estabilidade que permite dar outros passos, aqueles que as pessoas da minha idade dão: comprar casa, casar e ter filhos. só que eu não sou as pessoas da minha idade: comprei, há uns anos, um carro a pronto. não quero comprar casa. casar não é uma prioridade e ter filhos também não. portanto, a estabilidade que me falta não é idêntica à das outras pessoas da minha idade. é por isso que não posso aconselhar alguém a embarcar nesta aventura de ser freelancer, pois há demasiadas coisas em jogo e nada como medir bem os prós e os contras. 

é preciso ter um perfil de persistência e de optimismo para conseguir lidar com este estilo de vida. há que saber vender o nosso trabalho, trabalhar a marca pessoal e, muito-muito-importante, estabelecer boas relações com os clientes e os parceiros. evitar caminhos fáceis que vão de encontro a estratégias de médio prazo e só resolvem no imediato.

às vezes temos que dizer que não a um trabalho, pois não temos perfil para ele ou até conhecemos alguém que sabe fazer aquilo melhor do que nós. temos que estabelecer limites com os clientes. erramos muito até encontrar o modelo de proposta mais acertado. tentamos, tentamos. fazemos acontecer. 

 

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:: andar de mãos dadas com ::

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estava aqui a ouvir a sónia e a elsa, no podcast, disse ela e a olhar para a vida à minha volta: pilhas de livros e de papéis, uma lista #ToDo recentemente arrumada, uma tese para acabar, prazos para cumprir, o bilhete de comboio para ir até ao norte para namorar. 

sinto-me cansada. a agenda não pára e são muitos os momentos em que as coisas me parecem fugir das mãos. há dias em que sinto falta do emprego "nove às cinco", onde se pode chegar a uma hora e fechar a porta do escritório - ponto. 

há grupos de trabalho no facebook, no slack, no whatsapp, no messenger, no twitter... todos eles a exigir a minha atenção. e não vos falo dos e-mails.

ontem estive no jardim de infância a filosofar com a malta mais nova. e quando dou por mim, tinha a I. agarrada à minha perna, à procura da minha mão. confesso que devo ter perdido ali o fio à meada à conversa (UPS) pois olhei para a I. e perguntei: estás bem? ela disse que não, que estava atenta mas que estava sem vontade de participar.

passei o resto do tempo de mão dada com a I.. registei o momento, nesta fotografia. para me lembrar que é fundamental parar só para perguntar ao outro "como estás?". 

 

 

 

:: when the going gets tough the tough get going ::

para quem acompanha o blog, o meu twitter, instagram ou facebook, é fácil perceber onde passo alguns dos sábados da minha vida: na uppa. 

há já alguns anos que sou voluntária nesta associação. aos sábados rumo até sintra, ali para os lados da terrugem, para estar com alguns cães que ainda não tiveram a felicidade de encontrar uma família. 

vocês já conhecem a mel, o fred, a brave. e certamente se lembram da ginger, da riva e do gabriel. são CÃOpanheiros que marcam a minha relação com a uppa, pela empatia e pelos laços que se vão criando. 

 

o copo meio vazio 

 

os dias de voluntariado não são sempre bonitos: começa logo pelo facto de termos que apanhar muita merda, bem cedo pela manhã. faço parte da equipa de tratadores e essa é uma das tarefas que nos compete, além da lavagem, da medicação e da preparação da comida. depois há os imprevistos normais num albergue com quase 90 cães: uns arrufos entre patudos, uma mangueira que se estraga, uma coleira que se desaperta. há ainda as situações mais difíceis, como termos que nos despedir de um patudo, para sempre. 

 

e depois há outro tipo de imprevistos: já fui mordida, já caí e já fui picada por vespas (ou abelhas, nem sei). nem vou falar das nódoas negras que descubro ao domingo e à segunda. 

 

o copo meio cheio

 

parece muito mau, não é? fazer voluntariado e sujeitar-me a isto tudo? sim. sempre que posso, lá estou. aliás, já é mais um compromisso do que outra coisa. e há uma lista enorme de aspectos positivos que pesam sempre mais do que os negativos. quais? bom, há o exercício físico, de que fala a jonas. há o sorriso da mel quando vê o meu carro a chegar. há a alegria do fred quando vou passar uns minutos à box, para namorar com ele. há ainda o privilégio de ver cães que chegam ao albergue assustados e sem qualquer fé na humanidade, a ganhar confiança, semana após semana. há o espírito de equipa entre os voluntários. há ainda a oportunidade de partilhar uma coisa com o meu irmão, de termos algo que podemos fazer juntos. há a amizade que se cria com alguns voluntários. 

isso pesa mais do que as mordidas, as picadas ou as quedas. mesmo que estas ponham em risco a integridade das minhas tatuagens. 

 

se quiserem saber mais sobre o voluntariado na #uppa_animais informem-se através do e-mail uppa.voluntariado@gmail.com 

 

 

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