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all about little lady bug

ir, fazer acontecer, filosofar, sonhar, amar, amarfanhar, imaginar, criar, dançar, aprender e escrever - não necessariamente por esta ordem

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ir, fazer acontecer, filosofar, sonhar, amar, amarfanhar, imaginar, criar, dançar, aprender e escrever - não necessariamente por esta ordem

#obrincodobaptista

e outras jogadas táctico-linguísticas à volta da filosofia e do futebol

brinco_filosofico.png

(foto furtada ali do instagram do to.colante)

em 1978, depois de marcar o golo decisivo do derby que opunha o benfica ao sporting, vitor baptista dá-se conta de que tinha perdido o brinco. o jogo parou e todos procuraram o brinco do baptista, adversários inclusivé.

 

em 2019, o tibério, o engrácia e o aires dão voz a um projecto do benfica independente de seu nome "o brinco do baptista". é um podcast que gira em torno do futebol. e que procura ir para lá do futebol, abordando temas tão diversos como a literatura ou o racismo. o episódio #14 deste podcast versa sobre filosofia. 

 

e não só.

falámos de twitter (afinal, foi lá que conheci o projecto), do #twitterchatpt, de verdade, do benfica, da emoção que o futebol movimenta, de livros, de wittgenstein e de filosofia para crianças. 

e saímos dali com o compromisso de criar conteúdos onde a filosofia e o futebol pudessem casar. ou pelo menos namorar.

tenho para mim que os autores deste podcast ainda não perderam a esperança de o encontrar . suspeito que se o encontrarmos, daremos de caras também com o sentido da vida. 

ou então não.

entretanto, sigam #obrincodabaptista nas várias plataformas (spotify, itunes, youtube) e apoiem este projecto, partilhando. 

 

 

 

 

 

"Forrobodó" filosófico ou uma espécie de caos organizado

Não fazem ideia do "forrobodó[filosófico] que se vivia ali na rua de cima. Tales, Anaximandro, Anaxímenes e Empédocles em “discussão” acessa. Não conseguia perceber muito bem o que diziam, mas era evidente todo um aparato à sua volta: o carro com a bagageira aberta, malas no chão, raquetes de praia, bóias cheias (aposto que foi ideia do Anaxímenes, sabemos que ele tem aquela fixação pelo ar, o elemento que tudo invade, infinito e incessante) e toalhas de praia. Quando me aproximei, voavam chinelos. JU-RO.

Traz-me  a bomba, traz-me a bomba, gritava Anaxímenes. Bomba? Mas qual bomba, perguntei eu a Tales, que estava mais distante a assistir a tudo. Joana, não digas a ninguém, mas o Anaxímenes sofre de asma. Irónico, não é? Ele que sempre defendeu que o ar era o princípio do qual provêm todas as coisas. Foi um duro golpe para ele, como deves imaginar, respondeu Tales, com a calma que lhe é tão característica.

Fiquei estupefacta. Anaximandro abria a mochila, à procura da bomba, e atirava tudo cá para fora. Imaginem um mágico a sacar mil e um objectos de dentro de uma cartola – era mais ou menos este o cenário; e os objectos eram (basicamente) roupa interior. Vim a descobrir que Anaxímenes usava boxers com bonecos. Dispensável, este tipo de informação. Mas adiante.

Afinal o que é que se passa, Tales?, perguntei.

Nada de especial. Estamos só a tentar organizar as malas para a viagem de férias, contou Tales. Mas até está a correr bem, tendo em conta o caos organizado ao qual tens o privilégio de assistir, Joana.

Caos organizado – eis uma expressão curiosa, vinda da boca de Tales, o homem que ficou conhecido aqui na aldeia por passear a olhar para o céu, observando os astros e tropeçar nos passeios, cair a torto e a direito. Platão até escreveu num dos seus livos que “Tales, ansioso por conhecer as coisas do céu, não se dava conta do que estava atrás dele e mesmo a seus pés.”

E onde vão ser as férias?, perguntei eu a Tales. Vai ser uma road trip, Joana. Anaxímenes quer apreciar o ar, não interessa onde. Eu contento-me com algumas horas a olhar o céu; o Anaximandro fica satisfeito perto do mar; o Empédocles fica em paz em qualquer sítio onde possa apreciar os quatro elementos. Acho que isto tem tudo para correr muito bem, seja lá onde for, não achas, Joana?

Quem sou eu para discordar de ti, Tales?, respondi.  Boa viagem. Vão dando notícias, sei lá, enviem-me postais.

Ontem fui à caixa do correio e lá estava: uma fotografia, estilo polaroid, dos quatro, numa praia, à noite, com uma fogueira, a contemplar o mar, o céu. Colares de flores ao pescoço e sorriso nos lábios. Joana, estamos a divertir-nos bué – podia ler-se no verso da fotografia.

Bué? Ora essa, ninguém diria.

Já a aldeia, essa, ficou bué calma desde que os quatro filósofos do forrobodó partiram. Espero que regressem em breve, a tranquilidade pode tornar-se entediante. Bué entediante, vá.

 

 

Epicuro: a filosofia é um intervalo entre um molho de nabos e sementes de girassóis

[para ler como se fosse Março. ou Abril]

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Finalmente a Primavera chegou e até nos contemplou com um dia de sol. Ok, um dia e meio, para ser mais precisa. E com os dias mais compridos sabe bem passear no jardim. O meu jardim preferido, aqui na aldeia, é mesmo o jardim de Epicuro que, na verdade, é uma horta. Deve ser por isso que gosto tanto deste jardim: nele posso observar o ciclo da vida e ainda oiço e participo nas conversas entre Epicuro e os seus alunos da escola, conhecidos como os filósofos do jardim.

E é nessa altura que coloco em prática uma espécie de terapia, da qual falava há dias com uma amiga ao telefone. Ela dizia-me: é importante rodeares-te de pessoas boas e positivas, porque hoje em dia é muito fácil deixar-se contagiar pelo negativo e pelo medo. Tens razão, Sofia. Tens toda a razão, respondi-lhe. Por isso, aproveitei o sol para visitar o jardim e para colocar em prática a logoterapia, ou terapia pelo discurso.

Deus não é um papão, nada há a temer, dizia Epicuro, enquanto apanhava folhas de couve que serviriam para a sopa, ao jantar. E também não há nada a temer contra a morte, porque é algo natural, acrescentou.

Epicuro e as suas palavras fazem-me lembrar as abelhas e a forma como encaram a vida: trabalham muito, de forma até bastante rigorosa, mas conseguem extrair o melhor da vida (e o mais doce, o mel). O filósofo de Samos surge num contexto muito difícil, de crise, de instabilidade [tão actual, não acham?]  e tem o desplantede defender o prazer como finalidade da vida. Dirigi-me a ele, contei-lhe da minha conversa com a Sofia. Epicuro, não é nada fácil pensar em prazer numa conjuntura destas. E sabes bem como os profetas do terror andam aí a contagiar tudo e todos, disse-lhe.

Joana, eu não tenho uma visão política do mundo, respondeu Epicuro, com um molho de nabos na mão [deliciosa esta associação entre política e nabos]. O importante é cuidares da cidade interior, da tua alma e procurar ser feliz. Usufrui da vida, daquilo que ela te dá, desta horta e do sol. Não cedas perante desejos vãos [eish, Epicuro, queres com isto dizer que não posso comprar aquela mala tãaaaao gira? Ok, pronto] e procura a justa medida. E pelo caminho, espreita aí no Borda d’Água se já é tempo de plantar os morangueiros.

Peguei no Borda d’Água e confirmei: é tempo de plantar morangueiros, espargos. Na verdade, Epicuro, há muito por onde escolher: abóboras, batatas, beterraba, melancia e tomate. Abril é um excelente mês para estas coisas hortícolas do semear, do plantar, para mais tarde colher. E usufruir, saborear aquilo que a terra nos dá; aproveitar os raios de sol para ganhar cor e energia para o dia a dia. Por falar em cor e energia, reparei que é altura para semear girassóis. Epicuro, descansa, tenho lá em casa muitas sementes. Joana, és uma boa amiga, disse-me o filósofo, venham daí essas sementes!

No final do dia, liguei à Sofia e contei-lhe da minha visita à horta epicurista. Falámos dos filhos, do pó, do monte de roupa para engomar. Falámos das dificuldades do dia a dia e da vontade em que as coisas fossem diferentes. De como queremos ver as pessoas de quem gostamos com um sorriso no rosto. Como sempre, despedi-me com um até já, Sofia.

Tenho aprendido muito com as minhas visitas ao jardim de Epicuro; aprendi, sobretudo, que a amizade nos permite gozar a nossa própria existência. Permite-nos ser felizes.  E sorrir. Obrigada, Epicuro, visitar-te é sempre um prazer!

 

 

leituras de verão

o tópico leituras de verão ou leituras de férias é um clássico do mês de agosto. agosto traz a silly season, traz o bailarico na aldeia, os dias em que a pele fica com sabor a sal * e gin tónico ao final do dia ** 

 

as minhas leituras de verão trouxeram-me o wittgenstein e a vontade enorme de organizar os blogs (este, o outro e o do website). 

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tenho estado a tuítar a minha leitura do livro do witt. podem acompanhar por lá, seguindo esta thread

 

* escrevi só porque fica bonito, não sou fã de praia. 

** se preferirem favaios, moscatel ou outra coisa, também pode ser.

Podíamos filosofar sem festivais de verão? Podíamos, mas não era a mesma coisa.

 

mora_na_filosofia_festival.jpeg

Verão rima com festivais de música: eles andam aí, fim de semana após fim de semana, a invadir o país e a proporcionar emoções (estéticas) aos festivaleiros.  A aldeia Filosofia não fica atrás: sim, também há um festival de verão. Mas um festival com algumas particularidades: apenas uma banda que toca  todo o tipo de músicas, em ode aos filósofos que por cá moram.

 A banda é constituída por Nietzsche, na bateria, Sartre no baixo, Wittgenstein na voz, Peirce no contrabaixo, Montaigne na viola, estando os coros a cargo de Pascal, Espinosa e Montesquieu. Um luxo. Durante dois dias estes filósofos espalham magia no coreto da aldeia. O festival é preparado com muito cuidado de forma a que (quase) todos os habitantes (re)vejam a sua perspectiva filosófica numa das músicas.

Convidei alguns amigos para o festival, que é, acima de tudo, uma oportunidade de convívio. Além disso, no final, Nietzsche destrói sempre a bateria, numa performance altamente zaratustriana e divertida.

É a primeira vez que venho ao  ζωντανός confessou o André. Mas estou muito curioso. A nós juntaram-se a Ana, a Xana, a Lili, o Hugo, a Fátima, a Cláudia, o Carlos Miguel, o Pedro e a Sandra. Ah, e a Madalena, que veio expressamente de Luanda para assistir ao festival. Podia lá eu perder uma oportunidade destas? Só espero que não me calhe na rifa um bailarico qualquer, dizia a Madalena, enquanto trocávamos os passes de dois dias pela pulseira.

Vários foram os êxitos (filosóficos)  que fizeram eco pela aldeia. O utilitarismo, de Stuart Mill com o êxito Use somebody, dos Kings of Leon. A provocação a Santo Agostinho, com uma cover de Putos a roubar maçãs, dos Dead Combo. A referência ao motor imóvel de Aristóteles com Running to stand still, dos U2.

E várias canções de amor: Somebody that I used to know, de Gotye, assumindo a perspectiva de Schopenhauer, o Love me do dos Beatles a fazer lembrar o amor platónico. E tantas foram as questões éticas que nos surgiram com temas como Hedonism, dos Skunk Anansie e o Try walking in my shoes, dos Depeche Mode. Aristipo de Cirene e Epicuro, que estavam a trabalhar no festival, a vender cerveja com um barril às costas, foram encontrados a discutir as questões do prazer em vez de circular entre as pessoas. Parece que para o ano não serão contratados.

A  segunda e última noite terminou com uma fartura na roulote da Santa Teresa d’Àvila, que desta forma tentar angariar fundos para as Carmelitas. E não houve melhor forma de celebrar dois dias de filosofia e música: saboreando uma fartura (mística). Para o ano há mais.  

regresso ao passado

- e às crónicas de uma aldeia que se chama Filosofia

em 2013 colaborei com uma revista online que se chamava Papel.  durou pouco tempo, pois era um daqueles projectos que se fazem "just for fun" e que, sem apoios financeiros ou formas de subsistência, acabam por ter os dias contados. foi o que aconteceu com a Papel.

na altura eu tinha ficado desempregada e estava a atravessar uma fase muita criativa: tinha tempo para ler e para escrever. sim, o desemprego não é uma coisa 100% negativa e é possível aproveitar o tempo e a ausência de compromisso das 9 às 5 e canalizar a energia para projectos que, ainda que não se traduzam em retorno financeiro, acabam por ser uma plataforma de experimentação e de networking.

 

não há rasto da revista Papel, mas há o rasto dos e-mails trocados com a responsável do projecto, a Lucy Pepper. e há rasto dos textos! YEAH. 

 

 

 

vou publicar por aqui essas crónicas. talvez comece já hoje.

e talvez vá ler as crónicas e pensar: "se fosse hoje não escrevia assim". 

viver todos os dias cansa

março, querido março, que dias tão intensos, estes. nem sei por onde começar.

 

 

sim, houve muita filosofia: no jardim de infância, com jovens e também com os mais crescidos. o trabalho com as crianças continua a ser desafiante e provocador de novas abordagens, em termos de metodologia de trabalho.

 

os Cafés Filosóficos em Setúbal estão a respirar bem e juntam-se a nós pessoas com vontade de praticar o "parar para pensar".

 

a #filadafrente chegou a trending topic, no twitter, levando com ele o evento #digitalkspt. o projecto #twitterchatpt continua de vento em popa, com um calendário bem catita nos próximos meses. e com uma equipa 5 estrelas, diga-se de passagem. 

 

marquei presença no #pixelscamp, a convite do Luís e do Amaral - e que dia tão bem passado, quem diria? 

 

a franja voltou a ser roxa, depois daquele desmaio básico para o azul e o verde. 

 

dei formação, esqueci-me da pen no computador da sala de formação e alguém levou a dita cuja. ninguém sabe dela, foi um ar que se lhe deu. dá-se recompensa a quem a devolver. 

 

passou um ano sobre o início da aventura #joanamenoscinco e os resultados continuam a ser positivos. vale a pena deixar o carro longe do metro e fazer 3, 4, 5 ou até 10 km por dia, só a caminhar. a massa muscular surge e a massa gorda diminui. Ta-DA! 

 

entretanto dei início a um projecto que é a minha cara e que se chama as 'ssoas da casa. 

 

e venha abril, com águas mil, pois é março e quando consulto os fogos.pt acho que estamos em pleno verão. 

 

 

 

 

 

 

um daqueles momentos que nos deixa sem palavras

 

fui ao instagram, tal como faço não sei quantas vezes ao dia. tinha dois pedidos de mensagem directa, de contas que não seguia.

e foi isto que li: 

 

 

 

realmente, nunca sabemos ao certo que impacto tem o nosso trabalho com a criançada, de que forma é que marcamos a sua vida.

passaram 3 anos e estas pimpolhas encontraram-me no instagram e fizeram questão de enviar uma mensagem. 

 

(tapei os nomes because privacidade)

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