em 1998, a cadela dos pais de um amigo teve uma ninhada. pouco tempo antes, o meu avô tinha tido um avc, ficando com a fala afectada. como passava muito tempo na horta, sozinho, precisava de uma companhia com quem falar. o Farrusco entrou, assim, na nossa vida.
entretanto, a minha avó faleceu. uns tempos depois, o meu avô adoeceu e o Farrusco veio morar cá para casa. viveu com os cães que fizeram parte da minha durante estes 19 anos. foi sempre muito sociável, com pessoas e cães.
enjoava quando andava de carro. ir ao veterinário era uma tortura. gostava de todos os tipos de fruta. tinha mau hálito. aturou o Friqui Dog e o seu mau feitio. o Félix e a sua energia imparável.
nos últimos meses, o Farrusco deixou de andar, de ver, de ouvir. mas comia bem: às 19h começava a ladrar para jantar. estava consciente, mas muito debilitado. o Félix e o Friqui foram sempre uns amores: aqueciam-no, dormiam com ele. à sua maneira, cuidavam dele.
uma despedida nunca é fácil. e nestes momentos pensamos sempre que ter animais de estimação é doloroso. quando morrem é doloroso. ficam os 19 anos, as boas memórias e algumas fotografias.
um bulldog francês? os cães da moda? ah não, isso não é para mim. são uns mimados de primeira apanha. a minha cena são os rafeiros, os cães a sério. nada de florzinhas de estufa.
(II)
joana engole em seco perante tanta doçura. o olhar. ok, a expressão é sempre a mesma, esteja feliz, triste, a perdir comida ou a destruir um boneco que roubou inadvertidamente do armário. o kioko é uma espécie de stallone em forma de cão: sem expressão facial.
resultado: joana rendeu-se a kioko. vencida por K.O. e por cuteness overload.
(III)
a Martinha é a nossa conselheira oficial para as kiokices. parece que o pequeno veio importado de um país onde há "fábricas" de cães destes. veio com a data de nascimento alterada para poder sair do país mais cedo. os seus donos mudaram de vida e entregaram-no para adopção. neste processo, o kioko não amamentou o suficiente e chegou até nós com um ar "enfezado", com as orelhas murchas e com atraso nos dentes.
impressionante como uma semana após começar com a ração recomendada (e vendida) pela tia Martinha o kioko já parecia outro: ganhou peso, cresceu a olhos vistos.
o melhor de tudo isto é que o kioko se adaptou bem à vida com a gata Loo e às visitas aos amigos félix, friqui e o centenário farrusco. está feito um cão a sério: corre pelo quintal, come das gamelas dos outros, rouba brinquedos e ladra para o friqui, pois este não lhe acha muita graça e mostra-lhe os dentes.