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all about little lady bug

ir, fazer acontecer, filosofar, sonhar, amar, amarfanhar, imaginar, criar, dançar, aprender e escrever - não necessariamente por esta ordem

all about little lady bug

ir, fazer acontecer, filosofar, sonhar, amar, amarfanhar, imaginar, criar, dançar, aprender e escrever - não necessariamente por esta ordem

[sem título]

- desafio de escrita dos pássaros #2.5

- A questão é saber se chegas a ter consciência disso. Ou se achas natural.

- Acho natural o quê? – perguntou ele.

- Pronto. – disse ela – Já percebi que não tens consciência.

- Mas consciência do quê? – insistiu nele.

Ela sacou de um cigarro. Negro, com cheiro a baunilha. Nem se percebia bem que era um cigarro, dada a ausência do cheiro a tabaco.

- Não gosto nada de ter que te explicar isto. És um falso. Apregoas aos sete ventos uma coisa que não és. Ainda não percebi se te queres proteger ou se isso é uma forma de ataque.

Ele olhou-a. Sentia-se transparente.

- E não olhes para mim assim. Nem imaginas como me custa ter-te aqui e dizer-te isto na cara. Custa-me tanto saber que és outro. Nem imaginas como isso me chega a irritar. E afasta-me de ti. Só penso em formas de estar longe de ti. Mil e uma ginásticas.

O cigarro estava a chegar ao fim. Era tarde e a alma – que pesava toneladas - pedia descanso. A dela. Já a dele pairava algures naquele quarto a tentar compreender o sentido daquilo que tinha ouvido.

Era (cada vez mais) tarde. Ela puxou o cobertor e o lençol. Apagou a luz. Ele permaneceu sem resposta, com o olhar fixo na escuridão, que era o reflexo da sua própria falta de luz. No outro dia, pela manhã, ele não estava lá. Um bilhete na mesa de cabeceira a dizer "adeus". Ela respirou fundo: realizou-se o que há muito desejava. 

 

tema do desafio: acordas e tudo o que mais desejavas realizou-se, conta-nos o teu dia

antes de mais nada...

- desafio de escrita dos pássaros #2.3

 

...diz-lhe OLÁ.

seja na carruagem do metro, no café da aldeia, no bar da escola, na sala de espera do consultório.

... diz-lhe OLÁ.

usa o whatsapp, o facebook, o twitter, o instagram. 

...sorri

usa um emoji ou a tua própria cara. mas sorri.

...diz a verdade.

diz-lhe se estás com vergonha, se não sabes onde pôr as mãos, se deves pagar-lhe o café, se já a/o seguiste no caminho para casa, só para ver em que rua morava (hey, não sejas stalker). se fores casado/a, diz-lhe também. só para não haver surpresas mais tarde. 

...diz-lhe o que queres.

mesmo que seja algo que ela/e não quer. assim ficam a saber e podem conversar sobre o que ambos querem e o que ambos não querem.

...diz que sim. e diz que não.

 

lembra-te: tudo começa com um olá. e quando o olá já não tem sentido, dizemos adeus. venham outros olás.

 

 

 

 

 

desafio de escrita d'os pássaros.

tema:   Manual para iniciar relacionamentos 

não gostou do que ouviu

desafio de escrita dos pássaros #2.2

Maria não se sentia bem. era o corpo que lhe dizia que não se sentia bem. não sabia explicar o que sentia: o corpo é, por vezes, poupado em palavras. doía aqui, doía ali. havia um mal estar. tossia. dor? na cabeça. a perna está cansada. dormir? dorme mal. o jantar nem sempre lhe cai bem e já tem dado por si a vomitar.

Maria decidiu ir a um médico, mas não gostou do que ouviu. não ficou assustada com o volume de exames que lhe foi sugerido e com alguns cenários desenhados. não gostou do que ouviu, das palavras que o médico usou. foi muito técnico e parecia estar a falar de uma torradeira em vez da Maria.

Maria foi a outro médico. uma médica, para ser mais exacta. a senhora olhava-a por cima dos óculos e usava palavras muito compridas, incompreensíveis. Maria não gostou do que ouviu, sobretudo por não perceber nada. 

Maria decidiu ir a outro médico. na recepção da clínica pediu para marcar uma consulta com um poeta. a senhora da recepção ficou muito baralhada, pois por norma não pedem médicos com essa especialidade. a senhora da recepção, a Gertrudes, tem por missão não deixar um paciente sem resposta. e procurou um médico poeta. naquele dia não se falava de outra coisa: afinal, haveria médicos poetas? 

Maria recebeu um telefonema da Gertrudes com a indicação do dia e da hora para uma consulta com um médico poeta. Maria foi à consulta. e gostou do que ouviu. Maria está doente e sabe que vai falecer em breve, pois não tem muito tempo de vida. Maria recebeu essa notícia em forma de poema. 

 

 

desafio de escrita d'os pássaros.

tema: é que isso de médicos, nunca fiando

o que queres ser?

desafio de escrita dos pássaros #2.1

quando somos pequenos perguntam-nos tantas vezes: "o que queres ser quando fores grande?". vamos para a escola, seguimos a universidade ou entramos no mercado de trabalho e deixam de fazer essa pergunta. assume-me que aquilo que fazemos, em adultos, é aquilo que queremos ser. e quantas vezes não é? 

seguimos pela vida adulta adentro, por aí fora, a cumprir com as metas disto e daquilo. umas metas são nossas, outras tornam-se nossas por vicissitudes da vida. seguimos caminho. e aquela pergunta desaparece e não volta mais.

envelhecemos. a pele fica enrugada, os joelhos começam a doer, a memória começa a falhar. e aquela pergunta não regressa.

eis que surge uma pergunta aterradora: o que quere ser quando morreres?  

"sei lá eu. acho que com isso da morte a coisa não vai correr bem. morremos e pronto." 

e já pensaste mesmo nisso? pensar no que queremos ser quando morrermos obriga-nos a pensar um bocadinho no que queremos ser enquanto vivemos. e confesso que não sei qual das perguntas me assusta mais. 

 

 

desafio de escrita d'os pássaros.

tema: acho que a coisa não vai correr bem.

 

 

luz e sombra

a alegoria da caverna

um dos textos mais conhecidos da história da Filosofia é a Alegoria da Caverna. trata-se de um texto que faz parte do livro A República, de Platão. neste livro, como em grande parte dos textos redigidos pelo mestre de Aristóteles, a figura central é Sócrates, o filósofo que nada escreveu e que conhecemos pelos diálogos redigidos por Platão. 

neste texto descreve-se a situação dos prisioneiros que se encontram numa caverna e que olham para uma parede onde estão a ser projectadas sombras de uma realidade que não conseguem ver.

 

a alegria da caverna

sim, se passarmos uma vida a olhar para uma parede, sem nunca ver outra coisa, é fácil habituarmo-nos a isso e chamar-lhe realidade. no texto há um prisioneiro que se solta e que faz um caminho no sentido de perceber se há vida para lá das sombras. e há. é uma realidade muito luminosa, de tal forma que os seus olhos demoram tempo a habituar-se. dói olhar para a luz, como sabemos. quando acordamos de manhã e abrimos os olhos, o processo de abrir a janela e deixar a luz entrar faz-se com alguma calma.

a sombra, ainda que seja um sinal meio distorcido, não deixa de ser um sinal de que há luz. "onde há sombra, há luz." - tal como o onde há fumo, há fogo.

 

a verdade da luz, nem sempre alegre 

a sombra dá-nos conforto. a luz obriga-nos a passar por alguns momentos de dor, de desconforto e por isso hesitamos entre aquilo que já nos é familiar e o que ainda não conhecemos. é humano viver situações como esta, em que temos de escolher: bazamos ou ficamos

 

 

 

este foi o último texto da 1ª temporada do desafio dos pássaros. e que bom foi poder participar, pelo desafio em si, de escrita,

e pela comunidade que tive oportunidade de conhecer através d'os Pássaros

ainda não lhe apanhei o jeito, mas estou a esforçar-me

desafio dos pássaros #16

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ah, a vida adulta. a responsabilidade, o trabalho, as contas para pagar, o que se pode ou não fazer, o que se deve ou não fazer. o abandono da infantilidade que em nós habita, o desprezo pelo adolescente que fomos. temos de fazer tudo isto, sem um manual e com diversos guias.

inspiramo-nos nas pessoas que admiramos e desenhamos o cenário "quero ser assim" ou "não quero ser assim". isso obriga-nos a ter várias pessoas como modelos ou exemplos, pois ninguém é perfeito e há isto ou aquilo que não gostamos ou que nada tem a ver connosco. é difícil, não é? tudo depende muito de várias cenas e coisas. fica muito confuso, não fica?

e o tempo vai passando, pois não conseguimos cristalizá-lo enquanto avaliamos tudo e todos à procura da melhor forma de ser adulto.

marcamos pontos por ter um trabalho, mas perdemos por não ser um emprego.

marcamos pontos por sermos simpáticos, mas perdermos pois não temos ainda um namorado ou um marido para apresentar à família.

marcamos pontos por gostarmos de crianças, mas perdemos por ainda não ter uma gerada no nosso ventre.

neste deve e haver dos pontos no progresso da vida adulta, permanecem muitas dúvidas e algumas certezas. mas, hey, o tempo segue e temos de seguir caminho. podemos admitir que estamos todos perdidos, que isso faz parte e que passamos a maior parte do tempo a fazer o melhor que sabemos? 

 

 

desafio desta semana: Sobre a vida adulta: Ainda não entendi o que é para fazer

com um vestido preto, a Carlota Natal não se compromete

desafio dos pássaros #15

Rudolfo é uma rena exigente e que pratica o brio no seu trabalho, do primeiro ao último pormenor. é o coordenador das renas que, ano após ano, se dedicam à tarefa de passear pelo mundo, entregando as prendas e permitindo a crianças e adultos que vivam a magia do Natal. 

perante a reforma do Pai Natal, Rudolfo tomou a iniciativa de colocar um anúncio no jornal e em dois sites de emprego, para conseguir candidatos. os requisitos eram os seguintes:

- ter barba e alguma barriga;

- gostar de se vestir de vermelho;

- ser capaz de dizer HO HO HO várias vezes ao dia;

- saber acenar e dizer adeus às 'ssoas humanas (e às outras também).

Rudolfo recebeu 12 candidaturas e entrevistou apenas uma pessoa. porquê? bom, os outros onze candidatos falharam redondamente na parte do HO HO HO, no momento do contacto telefónico. parece simples, mas Rudolfo tem mesmo um ouvido muito afinado e buscava o HO HO HO perfeito. e nada menos do que isso.

a Carlota, de 44 anos apresentou-se nos escritórios à hora marcada. vestia-se de preto, não aparentava ter barba (terá usado photoshop na fotografia que seguiu em anexo ao CV?), barriga - nem vê-la. Rudolfo olhou desconfiado para Carlota que parecia não corresponder à imagem que Rudolfo tinha criado na sua cabeça ao ouvir o HO HO HO perfeito, ao telefone.  pediu a Carlota que se sentasse, ofereceu-lhe um café. Rudolfo estava incomodado: será que Carlota seria capaz de desempenhar  a tarefa? mas e a barba? e barriga?

- cara Carlota, como sabe, gostei imenso de ouvir o seu HO HO HO. foi dos HO HO HO mais perfeitos que já ouvi. mas sabe...

- sei, Rudolfo. sou mulher, visto-me de preto e barba e barriga não são o meu forte. mas ando há anos a treinar o HO HO HO perfeito pois sempre quis ter este lugar. viajar pelo mundo é um sonho antigo e se for num trenó com renas... uma experiência única - retorquiu Carlota, sem dar muito tempo a Rudolfo para falar. 

- Carlota, sabe que... - disse Rudolfo que foi imediatamente interrompido.

- ...sei, sim. sei que o mundo já precisa de um Pai Natal que seja uma mãe e que abandone a cor herdada daquela marca de refrigerantes cujo nome não podemos pronunciar por não patrocinar este momento. o mundo precisa de uma Mãe Natal que se vista de negro, pois é uma cor que fica bem com tudo e não compromete ninguém. HO HO HO. - disse Carlota, enquanto se dirigia para os mapas de entregas e de pedidos que estavam na parede do escritório.

- quando começo? - perguntou Carlota. 

Rudolfo nem teve tempo de respirar. "já", disse a rena mais famosa do mundo. HO HO HO. 

 

 

 

TEMA: O Pai Natal decidiu reformar-se e as entrevistas começam esta semana. Descreve uma dessas entrevistas na perspectiva do recrutador de recursos humanos: A Rena Rudolfo.

la la land

desafio dos pássaros #13

ao sair do bar, Mia volta atrás. quer olhar Sebastian pela última vez, trocar mais um sorriso. Sebastian devolve-lhe um olhar intenso de quem quer mais. Mia baixa o olhar. Sebastian dá indicação aos músicos para continuarem sem ele. levanta-se, desce do palco e caminha até Mia.

- conseguiste o teu bar, disse Mia.

- e tu és uma actriz bem sucedida. conseguiste, disse Sebastian.

- conseguimos tudo menos "nós".

Mia abraçou Sebastian. as saudades eram imensas. a vida a dois foi intensa demais para que este momento pudesse existir sem um abraço. 

- estás bem?, perguntou Sebastian.

- agora estou, respondeu Mia.

Mia e Sebastian partilharam sonhos que não podiam viver a dois. partilharam uma vida que não podia ser sonhada a dois. e aceitaram essa dor que advém do facto de não ser possível, por vezes, amar uma pessoa e gostar da vida a seu lado.

Mia e Sebastian viveram felizes até morrer, ainda que o seu amor não tenha conhecido fim. 

 

 

 

 

aqueles pássaros não se calam

desafio dos pássaros #12

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ah, a vida no campo.

o silêncio, o ar fresco e puro, o som dos badalos das ovelhas e das cabras que pastam, as cores do céu pela manhã, o riso das crianças que brincam no largo da igreja, 

AQUELES PÁSSAROS QUE NÃO SE CALAM,

precisamente no momento em que quero sentar-me para trabalhar. piu piu para cá, piu piu para lá, uma chilreada de primeira apanha e que desconcentra qualquer um. sossego? não há. tranquilidade? não há. tenho a certeza que a vida rés vés uma rotunda na cidade da Amadora é mais tranquila. irra.

piu piu para aqui.

piu piu para ali.

mas que raio? tanto piu piu para quê? do que falam os pássaros? discutem o trolley problem? procuram o sentido da vida? têm um clube de leitura e discutem os livros? falam do último episódio da novela? juro, não percebo.

piu piu para aqui.

piu piu para ali.

 

[para acompanhar os textos do desafio de escrita > desafio dos pássaros]

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