é o mês do regresso às aulas, do regresso ao trabalho. do recomeço. de voltar a tomar decisões. de virar a tabuleta da loja de FECHADO para ABERTO. não esquecer: desligar o out of office no e-mail.
o meu Setembro traz novos desafios e um greatest achievment. é esperar para ver, pois agora pouco ou nada posso dizer sobre o assunto. também espero que me traga o IRS na conta. e artigos bonitos no blog do website mais catita da internet da vida.
Papillon é uma das promessas da mais recente geração de músicos... urbanos, será que posso chamar assim?
Papillon promete e cumpre: camadas é o seu mais recente som e é uma espécie de gin tónico, fresco, amargo, dançante e que apetece beber (ouvir) de novo.
e adivinhem onde descobri esta pérola? na antena 3, pois claro!
li os artigos da especialidade. a coisa só teria sentido com confiança, datas, momentos bem planeados e que permitissem criar memórias. com muita comunicação, muita partilha: no final do dia eram as palavras ditas e as não ditas que faziam a diferença.
segui as recomendações à risca. partilhei-as, assumi-as. levei isto a sério, com esforço e dedicação. e humor, claro. escrevi tudo. escrevi demais, talvez. um dia deixei de o fazer. consta que nem deu conta.
dei tempo e espaço. a distância não me preocupava, o tempo entre os momentos que podíamos criar para nós - esse sim, era sempre longe demais.
faço um esforço - sim, isto de amar também dá trabalho - para nunca levar as experiências do passado para aquela que vivo no presente. as pessoas não se comparam e, pensando bem, o falhanço das relações anteriores permite a do presente. talvez por isso me magoe tanto ouvir o "eu sempre fui assim" ou "este era o hábito" ou "desde sempre". um compromisso exige que haja adaptação, de ambas as partes. um compromisso exige compromisso. exige dizer e fazer.
os bilhetes foram comprados há muito, muito tempo. nas últimas semanas só ouvia sam smith para que as letras não me falhassem no concerto de ontem, no altice arena. o último concerto da tour e o seu último concerto com 25 anos.
o sorriso de sam é contagiante. na segunda música já pedia ao público que se levantasse. conversou e confessou a sua felicidade por estar em Portugal, pela segunda vez - que é uma primeira, pois a anterior aconteceu num festival. dançou, incentivou à dança. agradeceu pelo sucesso e pela excelente banda que o acompanha.
a sala estava cheia - de pessoas, de emoções, de gritos histéricos, de telemóveis que iluminaram várias músicas.
momentos bonitos? bom, houve muitos. destaco a writings on the wall, like i can, restart, stay with me e pray.
e o que este senhor me faz lembrar o george michael? por falar nisso, só faltou mesmo ESTA.
o título é descaradamente furtado ao grande-e-muy-enorme sérgio godinho. não é uma inspiração, é furto - pois o roubo implica violência.
rumei (rumámos) até à casa (caixa, vá) da música para ouvir o sérgio. não o via ao vivo desde um concerto longíquo, em cem soldos (no festival bons sons). é uma simpatia, de sorriso rasgado e com uns 72 anos que "sim senhor".
a banda que o acompanha é, só, cinco estrelas e meia. adoptava o baterista e o baixista, assim, só naquela.
ouvi canções novas, do álbum nação valente e ainda aqueles êxitos intemporais, que me acompanham há tanto tempo. que fazem parte da minha banda sonora de vida. com um brilhozinho nos olhos ouvi e cantei a letra, de uma ponta à outra. a letra ganhou outro sentido, ganhou outras memórias, outros cheiros, outros olhares.
Com um brilhozinho nos olhos Metemos o carro Muito à frente muito à frente dos bois Ou seja fizemos promessas Trocámos retratos Traçámos projectos a dois Trocámos de roupa trocámos de corpo Trocámos de beijos tão bom é tão bom E com um brilhozinho nos olhos Tocamos guitarra Pelo menos a julgar pelo som
o dia era de chuva e de frio, mas houve ali um momento ou outro de céu azul, só para não desanimar. e ainda deu para tirar uma fotografia ou outra digna de instagram.
"os dias estão bons, há sol, e depois tu chegas e começa a chover".
cidade do porto, duas amigas e vários dedos de conversa. um fino, uma pizza e um café. falar sobre mudança, a atitude positiva de quem não desiste, de quem persiste, de quem insiste - que é possível fazer aquilo que nos faz felizes (mesmo com dias de merda).
andar numa cidade que não é a minha, como se a conhecesse desde sempre. apanhar o comboio e vestir uma rotina que não é minha, como se fosse. chegar a casa (à tua) e sentir que é um bocadinho minha. escolher o vinho para beber e vestir uma roupa sexy só para te agradar (entenda-se, um pijama de algodão, com unicórnios).
frango de churrasco, batatas fritas e uma gaveta no frigorífico cheia de super bock: o que é que uma miúda pode pedir mais, no dia de são valentim?
nem um postal com corações, nem um ramo de flores, nem nada digno do instagram. [that's how i like it ]
alinhavar ideias à volta das relações públicas. preparar formação. ler. fazer chá. ver a chuva lá fora a cair. e a vontade de voltar a casa.
home is where wifi is - e isso, definitivamente, não acontece nos comboios da cp.
e eis que chega o fim-de-semana, em casa, na aldeia. com um tacho de ervilhas patrocinado pela mãe Sabel, com um félix aos saltos, um friqui anti-social e um kioko cheio de sono. sair para trabalhar um bocadinho, de manhã e fazer planos com a mai'nova.
um dia, a vida chegou e virou-a do avesso. sem saber apontar o quando, o como ou o porquê, ela viu-se a atender uma chamada do futuro. dizia ele, o futuro, que ela seria "feliz e essas merdas". ela deixou-se estar, à espera, sem efectivamente esperar nada. a espuma dos dias é demasiado intensa para sentar e esperar, tal como se faz no aeroporto. ali, à porta das chegadas, sabem? o futuro chegou [na verdade o futuro não existe, é agora e pronto] e trouxe-lhe as tais merdas que a fazem feliz. trouxe-lhe a distância de quem se quer perto, a contagem dos dias até à próxima vez, a naturalidade de ser e de estar com alguém que era um estranho. trouxe-lhe o dizer sim ou dizer não, ou até o não sei, sem pensar demais. trouxe-lhe o medo de falhar, mas não de avançar. um dia, a vida chegou e virou-a do avesso.