Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

all about little lady bug

ir, fazer acontecer, filosofar, sonhar, amar, amarfanhar, imaginar, criar, dançar, aprender e escrever - não necessariamente por esta ordem

all about little lady bug

ir, fazer acontecer, filosofar, sonhar, amar, amarfanhar, imaginar, criar, dançar, aprender e escrever - não necessariamente por esta ordem

um dia

«O meu futuro namorado ouve as músicas que lhe envio, gosta de Fernando Pessoa, não se importa de conduzir o meu carro violeta, usa um Mac, leva-me ao cinema e ao teatro, lê-me crónicas do Lobo Antunes, conhece todos os recantos da minha alma, faz-me perguntas pertinentes, deixa-me a pensar, deixa-me escolher a música para acompanhar o jantar, cozinha para mim, sai comigo para dançar, planeia viagens surpresa, sabe que não gosto que me mexam no cabelo, acredita em unicórnios, mira-me enquanto durmo, detesta as manhãs, respeita o meu mau humor matinal, escreve maravilhosamente, usa barba, sabe dar palmadas, beija divinamente, adora as minhas curvas, admira-me com orgulho e deixa-se admirar por mim, não é o tal e nem eu sou a tal para ele, adapta-se a mim e eu e a ele, sabe pôr-me no meu lugar, tem sentido de humor e não é perfeito. É isso.» 

 

a partir DAQUI

 

 

 

 

 

 

i'll be dancing on my own

 

li os artigos da especialidade. a coisa só teria sentido com confiança, datas, momentos bem planeados e que permitissem criar memórias. com muita comunicação, muita partilha: no final do dia eram as palavras ditas e as não ditas que faziam a diferença.

segui as recomendações à risca. partilhei-as, assumi-as. levei isto a sério, com esforço e dedicação. e humor, claro. escrevi tudo. escrevi demais, talvez. um dia deixei de o fazer. consta que nem deu conta.

dei tempo e espaço. a distância não me preocupava, o tempo entre os momentos que podíamos criar para nós - esse sim, era sempre longe demais. 

faço um esforço - sim, isto de amar também dá trabalho - para nunca levar as experiências do passado para aquela que vivo no presente. as pessoas não se comparam e, pensando bem, o falhanço das relações anteriores permite a do presente. talvez por isso me magoe tanto ouvir o "eu sempre fui assim" ou "este era o hábito" ou "desde sempre". um compromisso exige que haja adaptação, de ambas as partes. um compromisso exige compromisso. exige dizer e fazer. 

 

it takes two to tango. i guess i'll be dancing on my own.

 

agora é cicatrizar. escrever ajuda (-me).

 

tumblr_p931luiIsE1qhzqx6o1_500.jpg

 

 

 

Diógenes, anda cá que eu não te aleijo

11059449_10205505213202020_8508558857873556789_n.j

 

«Diógenes de Sínope (...) diz-se que teria vivido num grande barril, no lugar de uma casa, e perambulava pelas ruas carregando uma lamparina, durante o dia, alegando estar procurando por um homem honesto.»

perante este candeeiro aceso, em pleno dia, pergunto-me se em sintra também andarão em busca de homens honestos. 

quanto a mim, basta um que seja giro e me faça rir. não peço mais.

vamos lá falar do elefante cor de rosa, sim?

elefante rosa.jpg

a educação não é um mundo cor de rosa: tal como a vida, é composto de todas as cores. 

para mim, a educação e a saúde são bases fundamentais para o desenvolvimento das pessoas humanas. neste sentido, considero muito grave que se passeiem elefantes cor de rosa nestas áreas - e que estes sejam ignorados por quem de direito.

desde 2008 que estou ligada ao mundo da educação, pelo facto de estar a trabalhar na área da filosofia para crianças. apenas no presente ano lectivo consegui uma experiência que há muito desejava: filosofia em escolas públicas. já tinha tido experiências num colégio privado - sempre a convite da educadora e sem que o colégio pagasse um tusto pelas minhas oficinas - e tenho andado pelo país a filosofar com a criançada. estive, até, em maputo (e o tanto e muito que gostaria de lá voltar). faltava-me esta experiência regular, diária, com as crianças, para poder observar e sentir uma série de coisas relacionada com a prática.

e para poder sentir, também, o que os outros profissionais da educação e os pais pensam sobre a filosofia no 1º ciclo.

a meio do 2º período apetece-me fazer um balanço desta actividade. e quero falar do elefante cor de rosa que está no meio de nós e do qual ninguém fala. 

 

confesso que achei estranho o facto de ninguém estranhar "isso" dos meninos terem filosofia a partir do 1º ano. muitos sorrisos, "ah e tal acho que isto faz muita falta", ou "eu até faço muito disso nas minhas aulas" e um "o meu filho já faz muitas perguntas em casa". e eu em modo smile and wave, a construir planificações e critérios de avaliação. à espera, ansiosamente, pelo momento em que tudo iria ser questionado - hey, eu sou de filosofia e prezo muito estes momentos. e, como seria de esperar, o momento aconteceu - ta na na na na - no final do 1º período, com as avaliações das aec (actividades de enriquecimento curricular). 

pois. é que houve meninos que costumam ter boas notas nas disciplinas curriculares e que em filosofia não são assim tão brilhantes. houve meninos que não brilham nas aulas curriculares e que têm participações e atitudes muito correctas (e brilhantes) em filosofia. pois é. já viram bem?

caiu o carmo e a trindade. 

pais assustados: "a senhora diz que o meu filho não tem sentido crítico" - alto e pára o baile. digo que o menino não revela pensamento crítico nas minhas aulas - até o pode fazer noutro lado. não sei. só tenho 1h por semana para avaliar isso. 

"a minha filha tem um problema, sabe, não gosta de filosofia" - compreendo. e compreendo que ela não tem que gostar, só tem que colaborar com as regras da comunidade de investigação e revelar algum empenho. eu às vezes também não gosto muito da filosofia, sabe? há dias assim. 

 

"o meu filho teve só um satisfaz, acha que ele tem algum problema?" - não, não acho que haja qualquer problema. temos todo um ano lectivo para trabalhar competências, não concorda?

 

o drama, o horror, a tragédia. 

 

algumas considerações sobre o papel de professor nas aec's. perdão, técnico. para todos os efeitos somos técnicos e não professores. faz sentido: para a entrevista de recrutamento só me pediram o certificado da licenciatura na área - filosofia - e não tive que entregar qualquer comprovativo de trabalho pedagógico, de formação na área da filosofia para crianças, por exemplo. no terreno, essas competências pedagógicas são-nos exigidas - faz sentido. vamos trabalhar com crianças dos 5 aos 10 anos. 

a realidade é a seguinte: é possível haver quem esteja no terreno 

1) sem qualquer experiência prévia com crianças;

2) sem qualquer formação na área da filosofia para crianças;

3) sem licenciatura na área de trabalho (neste caso, a filosofia).

 

é por este motivo que somos técnicos - e não professores (será?). mas depois, na prática, temos que agir como professores: temos que avaliar os meninos, preencher folhas de excel com os critérios e correr, um a um, os cerca de 120 meninos das 6 turmas que estão a nosso cargo (e aqui menciono números meus).

chegam a pedir-nos "planos de recuperação" porque os meninos tiveram "notas baixas" - e aí perdemos (investimos?) meia dúzia de horas  que não chegam a ser pagas. e aqui exigem-nos o papel de professor.

depois voltamos a ser técnicos, quando olhamos para o recibo de ordenado e vemos o valor total deste part time: são cerca de 7 eur e picos à hora.

vamos fazer contas?

- faço 40km por dia, de segunda a sexta, para dar 1h de filosofia. num desses dias, tenho 2h.

- o trajecto demora-me 1h (ida e volta).

 - tenho um plafond de 400 cópias por ano para gerir, numa das escolas, onde tenho 4 turmas com uma média de 23 alunos em sala.

 

feitas as contas: acho que o ordenado não paga efectivamente as horas de trabalho e o material investido - já para não falar da gasolina. 

 

como professora que sou, tenho que planear as aulas, uma a uma. e acreditem: são todas diferentes. tenho que pensar nos materiais para ter em sala e tratar das cópias por minha conta. comprei um apagador, para evitar limpar um dos quadros com um pano nojento, amarelo, que me deixa o quadro ensopado. fiz uma "vaquinha filosófica" e comprei livros para servir de manual da aula e até cadernos que se transformaram em diários da filosofia. 

 

quando falto - e até justifico a falta e aviso atempadamente - descontam-me o valor pelas horas em que estive ausente. 

pedem-nos que não faltem - mais pelo facto de depois isso provocar constrangimentos "quem fica com a turma naquele tempo?" - do que propriamente pelo cumprimento da "minha" planificação ou dos objectivos que tracei para cada turma. 

 

temos 1h para gerir em sala, mas temos que ir buscar os meninos em fila e no final entregá-los, em fila e garantir que levam a sua mochila, têm os casacos vestidos e não se esquecem das lancheiras. óbvio que não temos 1h útil de trabalho, pois querem os meninos prontos para os pais às 17h30m - logo, temos que terminar pelas 17h25. se termino antes e deixo os meninos irem para o recreio ou fazer fila, as assistentes operacionais - que não estão preparadas para olhar por eles uns minutos antes do devido - mandam os meninos de volta para a sala. 

 

sou técnica, mas às vezes sou professora. e vice versa. é uma vida bipolar, esta. trifásica, pois para os meninos sou apenas joana. 

 

o balanço é negativo - financeiramente falando. 

o balanço é SUPER POSITIVO - quando falo do relacionamento que tenho com as crianças, dos trabalhos que temos vindo a fazer e da forma como evoluí em termos de facilitadora (é assim que se chama à pessoa que conduz as oficinas de filosofia - para crianças). tenho experimentado exercícios e vivido momentos privilegiados com os meus alunos. os abraços são uma parte integrante deste processo.

 

 

voltava a assinar contrato? sim, sem dúvida. sempre disponível para aquilo que posso dar e receber do meu trabalho com a criançada; completamente indisponível para "aturar"os adultos chatos e inflexíveis à minha volta. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

tau! na testa!

não procures ler nas entrelinhas, se for importante, não é subentendido mas sim dito explicitamente. não procures ler uma declaração de amor numa receita de bacalhau que ele acabou de meter no fb nem achar que a música que ele está a meter no instagram é para ti. por vezes, e por mais cliché que seja, as coisas são como são.

não percas tempo com quem não tens afinidade mas nao sejas mal educada. não se gostar gratuitamente de alguém não significa que nao mereçam o teu respeito.

 

foge de quem complica as coisas, de quem nao é especifico e anda a roda a massacrar a cabeça com merdinhas e não se chega à frente. foge de pessoas amargas, cronicamente angustiadas. um veterinário ensinou-me que, numa ninhada temos sempre tendencia em escolher o mais frágil e indefeso quando deveríamos procurar o mais afável e extrovertido. parece egoismo mas, com o tempo vais perceber a diferença entre egoismo e querer o melhor para ti.

 

não aceites que te culpem. nunca. só os cobardes apontam o dedo. pode até ter sido tu a causadora de algo mas culpabilizar alguém só demonstra fraqueza de espirito.

 

Aceita o afastamento com naturalidade, entende que pessoas passam, chegam e vão se embora. nem sempre ficam. nao há razão para tal. aconteceu.

 

aprende (e isso é muito importante) a maior das regras; não vás a todas as batalhas, não rosnes para tudo o que passa, não atires para tudo o que voa nem empurres tudo o que se mete à tua frente. escolhe as tuas guerras, escolhe bem quais queres mesmo travar e concentra-te só nelas. o resto? declina educadamente e com um sorriso. nao vale a pena.

 

nao te preocupes com coisas que nao podes mudar. escolhe o que deva ser do teu interesse mas, por favor, nao te feches na tua ostra e nao te afogues só numa causa. aprende um pouco de tudo.

 

sê o teu próprio psicologo. tem consciência de quando ficas obstinada ou descompensada e luta contra isso tendo consciência de que - claro - vai passar.

eu tenho uma teoria

 

que é: "a partir do momento em que eu entro na vida das pessoas, a sua vida melhora"

 

ultimamente tenho verificado isso, com várias pessoas com quem me tenho cruzado. eu sei, parece uma cena tipo alexandra solnado e pensamento positivo. eh pah, mas é verdade

 

só não acontece com quem não quer mudar - e melhorar. com quem tem medo de mudar, de arriscar, de pensar em XXL. nunca fui miúda para vestir tamanhos XS e S - deve ser por isso que me custa pensar e sonhar em pequeno. 

 

Mais sobre mim

foto do autor

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2014
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2013
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2012
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2011
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2010
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2009
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2008
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D