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all about little lady bug

ir, fazer acontecer, filosofar, sonhar, amar, amarfanhar, imaginar, criar, dançar, aprender e escrever - não necessariamente por esta ordem

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ir, fazer acontecer, filosofar, sonhar, amar, amarfanhar, imaginar, criar, dançar, aprender e escrever - não necessariamente por esta ordem

mulheres e homens capazes de uma boa conversa

nasceu há pouco tempo um projecto, uma plataforma de seu nome maria capaz. as águas do feminismo foram, assim, agitadas por um grupo de mulheres, muitas delas conhecidas do grande público - outras nem por isso.

não sei ainda até onde irá esta plataforma, o que conseguirá atingir; mas ninguém lhe tira o mérito de colocar o feminismo na ordem do dia, em muitos dos posts que se liam nas redes sociais. 

há dias, num café, a conversa com a minha amiga E recaiu sobre o feminismo, vaginas e partos. às páginas tantas apareceu o A, o J, o outro A, a J e a C. juntamo-nos todos à esquina para tocar a concertina e afins. 

acho que nunca tinha visto maior tiro nos pés em termos de luta pela igualdade das mulheres

e depois de ler mais coisas vou passar a chamar isto de maria incapaz, não percebo o propósito da coisa, parecem coisas recicladas da marie claire mas mal escritas na primeira pessoa e com uns "foder" pelo meio. e metade das coisas fogem ao objectivo definido. não vejo como é que pegar em maus conteúdos e colá-los à plataforma pode ajudar as mulheres a serem iguais - coisa que me chateia porque a desigualdade existe em tantos níveis que nem percebo como é possível isso acontecer ainda - e acho que estão a confundir por vezes diferença com desigualdade, mas isso é outra conversa.

o motivo para nunca ter abraçado o feminismo relaciona-se com o facto de considerar que as mulheres são diferentes dos homens – e de me regozijar com essa diferença. diferença que deve ser, a meu ver, preservada pela eternidade fora. vive-se uma espécie de ditadura da igualdade perante a qual dizer: “desculpe, mas eu acho que somos mesmo todos diferentes” é sinónimo de dizer “eu sou a favor da desigualdade”. e não é. defender a diferença é fundamental para mantermos a riqueza daquilo que nos torna seres humanos, cada um de nós único e irrepetível.

a igualdade dos direitos civis morre no parir dos filhos. que é uma cena de mulheres e sempre será.

quanto a mim, passava já esse "direito" de parir para um homem que o quisesse apanhar!

as mulheres não recebem ordenados iguais porque são as que sofrem a sério de tpm, são as que têm filhos, são as que ficam em casa quando os filhos adoecem, são as que ficam com os filhos quando se divorciam, são as que por estas e outras (cuidar de familiares, etc) têm empregos que não são a tempo inteiro. Estas cenas ramificam depois para tudo o resto: os horários de abertura dos infantários, a subida de carreira, etc... mas tudo isto são medidas sociais masculinas. são os homens que determinam a carreira como uma coisa excelente e de grande valor. são os homens que dizem que o trabalho que não é doméstico é uma cena muita fixe. são os homens que (e estamos sempre a falar em sentido geral, ok?) afinal nestes séculos europeus, conseguiram ficar confinados a uma vida absurda e estúpida, onde trabalham imenso para manter famílias e/ou mandam trabalhar e têm uma vida cheia de amigas e viagens.

agora pergunto: quero eu ter os mesmos direitos sociais destes gajos? não quero. a vida para mim não é trabalho. nem carros, nem barcos, nem amantes. quero eu matar-me a ter carreira para sustentar uma família? não quero... e perguntam-se muitas: quero eu ter filhos para serem os escravos do futuro que contribuem para a manutenção desta sociedade? não. e temos razão. é por isso que a diferença está no parir e não nos direitos sociais. e está em nós, cultura ocidental (e noutras piores, onde a mulher não vale uma vaca). contudo, não é a igualdade de direitos sociais que colmata a diferença que temos e teremos sempre. e por isso essa igualdade nunca será satisfatória, porque se baseia numa compreensão masculina da sociedade.

a catarina furtado na entrevista "eu amo as mulheres". olha, eu também . o que é que ela é a mais do que eu ? mais amiguinha ? com um padrão moral mais elevado ?

olhem, vocês são umas mulheres a sério, eu adoro vocês.e estou mais fofo hoje porque a ressaca deixa-me muito sensível.

 

dias depois desta conversa dou por mim integrada num grupo de discussão que serve de base de recolha de ideias e de conteúdos para a maria capaz. agradeci o convite e confessei que não sabia se era tão capaz quanto elas. e eles: neste grupo também moram homens, que discutem de forma activa o que por lá se coloca na ordem do dia.

irei continuar por lá, pois considero que a luta pelos direitos humanos é fundamental - e disso eu serei capaz, sim senhora. e sim senhor! 

 

 

dias cheios, a abarrotar. de cores. e sabores,

UAU! encontrei robots no jardim!
(saudades das minhas bata da escola. gostava tanto, costuradas pela mamãe Sabel!)
I'm not gay, but I love the rainbow!
e as fardas? apreciamos bastante. vá senhores, estou à espera, levem-me lá para a esquadra!
recomenda-se, após uma marcha de orgulho lgbt, a «ingestão» de cultura em forma de coisas de homem. apreciámos bastante a peça. densa, dura, mas tão cheia de verdade. a vida nem sempre é cor de rosa.
«tirando isso, está tudo bem!»
[pelo meio, visitamos o teatro rápido - ADORO! - jantámos no Nood e caminhámos por Lisboa.
família é isto: ter uma mãe que me acompanha nestas lócuras e partilha momentos com os meus (nossos) amigos.]

dos livros difíceis de encontrar | n' @afundasao




- Sim?
Atendi o telefone. Mais uma vez, enganava-me a mim própria. Pensei que fosses ligar por causa daquele assunto pendente. Tinha ficado de te procurar um livro. Certo? Ou melhor, arranjámos uma qualquer desculpa para nos falarmos. Um livro servia. E até dava um certo ar intelectual à coisa. A esta «coisa» que nos une. E que não pode, nem podia existir. Mas existe.
- Quero ver-te. Saber de ti. Saborear-te.
Engoli em seco. Fingi que não tinha percebido. Ruído na linha.
- Não tenho o que precisas.
Estava a falar do livro. Não o tinha encontrado. Acho que escolheste um daqueles títulos impossíveis de se encontrar. Assim, dilatávamos no tempo esta desculpa para nos encontrarmos. Ou, pelo menos, para falarmos.
- Tens – disseste – tens tudo aquilo de que preciso. Não sabes é como, nem quanto. Mas tens.
- Posso continuar a procurar.
E pronto. Lá o disse de novo. Assumi ali que não tenho qualquer hipótese, mas que quero continuar. Persistir «nisto».
A verdade é algo que dói. E é quase sempre seguida do silêncio ensurdecedor. Ele também sabia que era verdade. Que não havia hipóteses. Nem daquelas a que se chamam nulas. Mas ele preferia agir como se nada fosse.
Que assim seja. Eu até gosto de visitar livrarias. Mesmo que saiba que o livro é impossível. De encontrar.
- Tenho saudades tuas. – disse, desligando o telefone de seguida.
Eu também.


texto de Joana Sousa
desenho de Gonçalo Martins | Book of Erotica
para acompanhar com um Jeff Buckley


post publicado no blog da Sãozita mai'linda!

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