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all about little lady bug

ir, fazer acontecer, filosofar, sonhar, amar, amarfanhar, imaginar, criar, dançar, aprender e escrever - não necessariamente por esta ordem

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ponto de situação

é verdade. ainda não fui ao #websummit. por isso ainda não tenho nada para dizer sobre o assunto. tenho acompanhado os tweets e eis o que me ficou na memória: muita gente, muita coisa a acontecer, os transportes à pinha e uma noite lisboeta bem animada.

 

amanhã vou aproveitar o dia todo por lá e espero ver duas ou três conferências (ou talks, sei lá) e encontrar alguns amigos. 

 

entretanto, algures nos EUA, houve pessoas que tomaram uma decisão. o mundo acordou em pânico - como se fosse uma total surpresa. hello. havia dois candidatos. a Hillary, ainda que tenha seios e vagina, não valia por si. o Trump apareceu como figura genuína. sabemos com o que podemos contar. não é bonito, não. espero que o Zizek tenha alguma razão e aconteça, de facto, alguma coisa depois disto

 

faço minhas as palavras do Francisco da Silva:

 

A política é uma ciência. A comunicação também. 

Sempre que via um debate do Trump com a Hillary afirmava que ele estava a conseguir chegar aos eleitores e que por isso estava a vencê-los a todos. 
No dia seguinte via os especialistas dizerem em uníssono que a Hillary tinha ganho. Tinha classe, educação, vestidos bonitos...

Perguntava aos apoiantes da Hillary uma ideia, uma proposta que ela tivesse apresentado. A resposta era sempre a mesma: "não é o Trump". Essa que foi a linha condutora da estratégia de campanha da candidata e contribuiu decisivamente para o resultado. Essa foi a única mensagem que a Hillary passou nos debates. Nem em política externa foi capaz de brilhar, e se todos esperávamos que fosse dar show, porque disso ela percebe mais que muitos presidentes juntos. 

Cheguei a ouvir vindo de pessoas que se dizem de Esquerda o argumento "porque é mulher!". Porque não então apoiarem a Sarah Palin?

Ao mesmo tempo todo o mundo intelectual se revoltou contra o burro, o alarve, o indigno, o boçal sem sequer perder 5 minutos a tentar compreender o fenómeno. Olharam sobranceiramente para os Americanos e chamaram-lhes de alarves, indignos, boçais... Não perceberam que estavam só a dar mais força a Trump. E ele dizia: "vejam, o Mundo inteiro diz que vocês são como eu". Há melhor endorsement que esse? 

Zizek compreendeu bem a questão, aliás, já no seu livro "First as tragedy, then as farce" explica o fenómeno Berslusconi e alerta para a possibilidade de isso um dia vir a acontecer nos USA. No entanto era acusado de estar a apoiar Trump só para ser irreverente. Trump estava a tornar-se no working class hero que John Lennon cantou. Representava o Americano desprezado pelas elites políticas que o casal Clinton representa, o Americano acossado e desempregado. 

Hillary era a elite de New York, os tais que destruíram as pensões, expulsaram as pessoas de casa, faliram bancos e negócios. Os coveiros do American Dream. 
New York não representa os USA. Tal como a City não representa o UK. Percebemos isso com o Brexit. Ou devíamos ter percebido. 
Hillary definitivamente deverá tê-lo percebido.

Quando Trump diz num debate que fugiu aos impostos porque Bill Clinton criou leis para ele e outros fugirem, e que não ia pagar impostos para pagar as despesas de políticos incompetentes como ela e o marido, 99% dos Americanos que pagam impostos sobre o seu trabalho concordam. Foi a partir deste momento que criei uma profunda conivcção do que seria o resultado final: porque esta não era uma campanha ao acaso. Pelo contrário, ia tornar-se um caso de estudo.

É preciso perceber as pessoas se queremos ganhar uma eleição. O wishful thinking e o achar que estamos do lado certo da história nunca ganharam eleições. Ainda há bem pouco tempo tivemos um exemplo disso no Brasil com a derrota do Freixo: tinha todos os intelectuais, artistas e pensadores do seu lado. Só faltou ter votos...

Há oito anos dizia que Obama não tinha ganho uma eleição. Tinha ganho o America Got Talent. A política americana, muito por culpa dos media, tornou-se um concurso de popularidade. Foram 8 anos em que Obama deu um show de politainment (politics+entertainment). E o Mundo aplaudiu. Inclusive deram-lhe o Nobel da Paz. 

Alertei para o perigo de um populista qualquer poder vencer este modelo baseado em imagem e não em ideias. Em piadas e não em política. 

Não estou nem feliz nem triste com a vitória do Trump. Como comecei por dizer, tanto a política como a comunicação são ciências. E na ciência temos de deixar as nossas paixões de lado e lidar com a realidade. 

No entanto também não alinho na histeria geral. Lembro-me que o Mundo sobreviveu a um Reagan e a dois Bush.

Mais uma vez se expõem ao ridículo os comentadores de sempre, os especialistas portugueses em política, eleições e campanhas. Os tudólogos que dia após dia nos nossos media a debitar teoria diziam que Hillary ganhava com cada debate, cada comício, cada sondagem. Se os virem por aí digam-lhes que a realidade ligou.

 

e faço minhas as palavras de deus, também: 

 

Screenshot 2016-11-09 14.10.43.png

 

para ajudar no "deal with it", eis uma sugestão:

 

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