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all about little lady bug

ir, fazer acontecer, filosofar, sonhar, amar, amarfanhar, imaginar, criar, dançar, aprender e escrever - não necessariamente por esta ordem

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ir, fazer acontecer, filosofar, sonhar, amar, amarfanhar, imaginar, criar, dançar, aprender e escrever - não necessariamente por esta ordem

O girassol, a vontade e a representação. E o boicote do caracol. Humpf!

Conhecem aquelas pessoas que agem como se o mundo inteiro estivesse organizado contra elas? O Arthur pode, facilmente, ser integrado num desses grupos. Mas se o conhecermos melhor, mudamos de opinião.  Bastou uma tarde de sol e uma conversa na horta para (também) eu mudar de ideias sobre o Arthur. Sim, confesso que a vizinhança não viu com bons olhos a chegada do autor de O Mundo como Vontade e Representação à aldeia. Sim, isto de morar numa aldeia também tem aspectos menos positivos: todo um diz-que-disse. E eu fui apanhada por esses comentários, algures entre uma ida ao pão e uma caminhada com o meu cão.

Assim que se mudou para cá, Arthur rapidamente adoptou o hábito de me acompanhar na horta. Ele gostava de apreciar o crescimento das sementes. Muitas vezes ficamos em silêncio, outras vezes, o Arthur não se cala. E é muito bom ouvi-lo falar.

Arthur, há mais coisas no céu e na terra do que tédio e frustração, dizia-lhe eu. Repara só nestes girassóis a crescer, não é maravilhoso?

É, Joana, sem dúvida, mas já viste que o seu crescimento está a ser boicotado por um qualquer animal? Um caracol, aposto. As folhas todas roídas..., disse-me com um sorriso malandro. Franzi-lhe o sobrolho e disse: pois, acho que tenho que instalar uma câmara de vigilância para averiguar responsabilidades. Mas não desvies a conversa.

A vontade, Joana, a vontade. Se nesses girassóis que vemos a nascer a vontade se encontra nas suas manifestações instintivas, em nós, humanos, a vontade atinge o grau máximo. Nós somos a afirmação do ser, somos a vontade. Temos possibilidades éticas, estéticas e místicas para desvelar a aparência, a ilusão das representações.

Sim, Arthur, compreendo. E depois? Se aprisionarmos a vontade dentro de nós, não vamos deixar de viver rodeados de ilusões. Se a vontade nos dominar, transforma-se em sofrimento, dor. E o tédio. Arthur, o tédio faz-me muito mal à pele, já te disse!, respondi e recebi de volta uma sonora gargalhada. Sim, Schopenhauer é capaz de rir.

Sabes que mais? Gostava era que a vontade do caracol não colidisse com a vontade do girassol em nascer, e com a minha vontade em vê-lo florir e dar sementes para o meu hamster, o Jet Lee, satisfazer a sua (infinita) vontade em se alimentar. Isso é que era ouro sobre azul, Arthur.

De novo, recebi como resposta uma gargalhada. Sim, Schopenhuaer é capaz de rir e de forma muito ruidosa. Toda a aldeia se apercebe disso, aposto.

Continuámos o trabalho na horta. Quando o sol se pôs, arrumámos o material e despedimo-nos. Disse um até amanhã, Arthur, mas não recebi de volta um até amanhã; fui brindada com as seguintes palavras:

Antes de procurar a iluminação, as montanhas eram montanhas e os rios eram rios. Enquanto procurava a iluminação, as montanhas não eram montanhas e os rios não eram rios. Depois de alcançar o satori, as montanhas eram montanhas e os rios eram rios.

 

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