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all about little lady bug

ir, fazer acontecer, filosofar, sonhar, amar, amarfanhar, imaginar, criar, dançar, aprender e escrever - não necessariamente por esta ordem

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do medo

mel-uppa-animais

para quem me acompanha aqui neste cantinho ou noutros, a minha paixão pela Mel já vos é familiar. a Mel tem um passado difícil e perdeu a fé na humanidade. não foi fácil recuperá-la e num dado momento da sua e da minha vida, acabámos por nos cruzar. 

quando comecei a ir à uppa - união para a protecção dos animais era daquelas voluntárias que nem sequer entrava numa box para tirar os cães para o passeio. tinha pouca confiança e preferia ver como é que os outros faziam para ir aprendendo. sempre tive muito respeito pela Mel; sabia que ela não estava sequer para adopção e que o seu ladrar desconfiado era sinal de medo. acresce que a Mel é preta, tem 35 kgs, o que faz com que só a sua presença imponha respeito.

confesso, houve uma altura em que tinha medo da Mel. entrava para lhe pôr água ou lavar a box, mas sempre com uma distância, sem grandes conversas ou trocas de olhar. nunca deixei as tarefas por fazer, pois sentia que tinha que tratar a Mel como qualquer outro cão.

um dia foi-me colocado o desafio de começar a passear a Mel. tirá-la da box e levá-la à rua, para o passeio. aqui não podia haver medo: era eu e ela. era necessário aprender a confiar uma na noutra. a parte "fácil" era que a Mel não procurava interacção no passeio: era pôr a trela, levar e trazer. isso foi dando espaço para nos conhecermos. semanalmente lá íamos as duas passear, sem grandes conversas.

até que um dia, estava eu sentada à beira do rio, enquanto ela se refrescava quando a vi caminhar até mim. sentou-se a dois palmos de distância. ficámos ali um bocadinho, no silêncio. e foi no silêncio que o medo deu lugar à confiança.

e à brincadeira: a Mel gosta de brincar. percebi isso com as bolas de ténis e alguns bonecos que ela acaba por estragar, é certo. a Mel gosta de brincar comigo. e fica mesmo feliz quando me vê.

a nossa relação já teve altos e baixos. um dia, a Mel mordeu-me. não foi nada de grave. saí da box para limpar a ferida, restabeleci-me e voltei a entrar lá dentro, só para estarmos as duas em silêncio.

não sei o que aconteceu, talvez demasiado stress no ambiente envolvente a tivesse feito reagir assim. repito: não foi nada de grave. doeu-me um bocadinho pensar que ela tinha perdido a confiança em mim, em nós - doeu mais do que a mordida em si (já fui mordida por outros cães e sei perfeitamente que é um risco que se corre no voluntariado que pratico). 

não deixei de passear a Mel, de estar com ela, de brincar com ela. não podia deixar que o medo se instalasse. afinal, a Mel é um cão como os outros e tem de ser tratada assim. 

adoro a Mel e tenho noção que ela me ensinou muito. a escutar o silêncio, a ganhar confiança, a lidar com retrocessos, a encontrar outras formas de comunicar. julgo que, na verdade, bem lá no fundo, o medo está sempre presente. só para me manter vigilante e alerta - mas nunca para me fazer parar ou desistir. 

 

 

*

 

a Carolina lançou este desafio à comunidade que a segue; cheguei à Carolina através da Rita da Nova e aqui estou eu, a responder ao desafio!

Acredito que, cada vez mais, precisamos de olhar para o nosso umbigo de uma forma mais crítica, de refletir sobre o que fazemos de bom e de errado, de nos conhecermos um bocadinho melhor e de termos objetivos concretos a curto prazo. Conhecermos os nossos defeitos e as nossas qualidades, percebermos quem realmente faz a diferença na nossa vida e quais os espaços onde nos sentimos mais sossegados é essencial para trabalharmos a nossa tranquilidade e a nossa paz interior.

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