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diz a M. para a M: senta-te aqui no chão e ajuda-me a decifrar as tatuagens da Joana ![]()
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diz a M. para a M: senta-te aqui no chão e ajuda-me a decifrar as tatuagens da Joana ![]()
depois do dia 12 de junho, sem estes abraços e "anda cá, quero um beijinho".
ou um "cheiras tão bem, professora"
"joana, posso levar o livro para ler em casa?"
"joana, adoro os teus ténis!"
e hoje o D. (um menino difícil, que às vezes me boicota a aula) disse quando subíamos as escadas "joana, hove vou portar-me bem".
e cumpriu. e eu no final chamei-o. ele pensou que eu ia ralhar com ele (às vezes acontece, eles nem ouvem o que temos para dizer) e disse "Nãaaao". Não?, perguntei. quero um abraço sff. e amarfanhei-o muito. e fiz-lhe cócegas. e roubei-lhe um mega sorriso.
a sério. e depois do dia 12 de junho? como vai ser?
na escola, entre príncipes e princesas de 8 e 9 anos:
- joana, já fizeste a tua prenda para o dia do pai?, perguntou uma das princesas.
respondi que não.
- e não vais fazer?
- não, meu amor, não vou, respondi.
- porquê? não tens pai? ele morreu?
- tenho sim. não morreu. só que...
o A. interrrompeu-me:
- já sei, ele não morreu só que tu não tens ligação com ele, não é? essas coisas às vezes acontecem.
exacto. essas vezes às coisas acontecem.
e como o universo te sabe compensar, a Rosário, a Catarina e a Ana prepararam-me uma prenda especial do dia do pai. a professora de filosofia merece, ora ora!
a M. apareceu-me a chorar. sim, apareceu-me a chorar: uma sala de aula é, tantas e muitas vezes, um espaço muito enorme onde não controlamos tudo o que lá se passa.
o que se passa?
foi o meu primo. foi-se embora para a austrália.
e chorava. até soluçava. alguma coisa a fez lembrar disto.
M. eu e a I. vamos ajudar, pode ser? vamos dar-te um mega abraço em 3, 2, 1!
ajudámos?
e o sorriso voltou. limpei-lhe as lágrimas e pedi que escolhesse um lugar para se sentar.
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e fui. a princesa Sofia recebeu-me no seu quarto como se eu fosse da casa. brincámos, vimos televisão e ainda jogámos com as minhas cartas da filosofia. partilhámos o wc juntas, momento de intimidade durante o qual a Sofia me mostrou um jogo que tem "um unicórnio com arco íris que sai do rabo".
crepes com nutella, idas à rua com o Sky, lambrusco... tempo houve, ainda, para inventar uma língua nova. e para beber chá na caneca favorita do pai.
é bom estar entre 'ssoas humanas.
diálogo entre dois alunos do 1º ano que me observavam a escrever no quadro branco:
- ai a joana escreve muito rápido
- é normal, ela é adulta"
(pensei em parar a aula para dizer aos alunos que não aceito ofensas deste tipo! ide chamar adulta a outra! ai ai ai!)
a A. de 6 anos pediu-me para ir à casa de banho. deixei ir. regressou e veio ter comigo, com um ar feliz.
- professora, professora. fiz diarreia.
- ah sim? e estás bem disposta?
- estou. olha era assim (exemplifica o tamanho com as mãos). não queres ir ver?
a custo, disse-lhe que não. e dei-lhe uns dodots, pedi-lhe que voltasse à casa de banho para se certificar que o processo de limpeza tinha sido devidamente executado. e ela foi, super feliz.
desconhecia a peppa - só conhecia aquela da mala - e acho que é um boneco com uma forma algo duvidosa, pronto. mas se a peppa te faz feliz, bárbara, nós ficamos felizes com isso.
e ficamos ainda mais felizes por te ver crescer, à velocidade da luz.
vai ser sempre rápido demais, bem sei. como todas as coisas boas que enchem a alma e o coração. ![]()
B: Joana, pintaste os lábios?
eu: sim, gostas?
B. sim, mas não condiz com a tua roupa!
M: ó B, não vês que a professora Joana é gótica?!
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