combino cinema com C. - que vim a descobrir conhece S., N e M., meus amigos de longa data (e mais uma mão cheia de gente). saímos do cinema, vamos beber um café. encontro, do nada, a M. e o I., amigos da vida kizombeira.
exhibit 3
formação. colega do lado conhece-me do evento X - confesso que reconheci a cara mas não me lembrava de onde. outra colega conhece a C., com quem fez formação no princípio do ano.
o mundo é mesmo muito pequeno. e gosto de pensar que neste meu pequeno mundo tenho a companhia de 'ssoas muito enormes. isso é fixe, sim.
o filme de christopher nolan, com mcConaughey, hathaway e damon (entre outros).
foi grande o "buzz" à volta do filme - e tive mesmo que ir ver, para poder perceber do que falavam. saí da sala sem palavras, a digerir e a pensar sobre aquilo que tinha visto.
com alguma distância, posso dizer que - apesar de acusarem o filme de "dar a papinha feita" ao espectador" - a mais valia do filme é levantar questões. éticas, metafísicas.
que futuro? que passado? que presente? e o que é que faz de nós seres humanos, pessoas humanas inteiras e conscientes?
e "essa coisa" chamada amor - que poderes, que barreiras, que limites?
com estas perguntas todas vou construir um castelo, tal como o poeta fazia com as pedras.
ah. e depois o filme é também uma boa peça de cinema, que vale a pena ser visto no grande écran.
não sei se consigo falar muito sobre este filme. fui vê-lo depois de muito ler e ouvir falar sobre ele. fiz poucas perguntas e fui investigar.
saí da sala sem grandes palavras. muita informação para processar. muitos dados. o tempo, a gravidade, a relatividade, o espaço. a mentira em nome de uma verdade (maior?). o amor. o amor. f-se, o amor.
vale muito a pena ir ver o filme, sim.
e o matthew mcconaughey é muito enorme, sim.
(eu avisei que não ia conseguir dizer muitas coisas sobre o filme)
tive a oportunidade de frequentar uma oficina de escrita criativa, com uma escritora do momento. confesso que não fazia ideia quem seria a senhora, nunca tinha ouvido falar dela: pelo menos, não tinha fixado o seu nome. fiquei impressionada com a quantidade de livros que já escreveu: é bom saber que numa sociedade de informação acelerada ainda há muita coisa que me escapa: ou seja, há muito por descobrir.
às páginas tantas falava-se de cultura, do acesso a esta para o cidadão comum. criticamos o português que consome tudo o que é museu no estrangeiro, mas que nunca entrou num Museu Nacional de Arte Antiga, por exemplo. e de facto, nós desprezamos um bocadinho o que é nosso. talvez por acharmos que aqui está tudo sempre à mão, vamos adiando as visitas e acabamos por conhecer mais quando vamos visitar Barcelona ou Londres, do que propriamente em Lisboa ou no Porto.
a conversa continuou. a dada altura, veio a questão do futebol e dos festivais de música: os estádios estão sempre cheios e os festivais esgotam. verdade, mas isso não é - também - cultura? tive que intervir. e dizer que não concordo com essa postura de que a cultura tem que ser uma coisa intelectualóide por si. o futebol também é cultura, a música também. e disse ainda «eu faço um esforço para ir a um festival de música, no verão, porque para mim isso também é cultura. e adoro assistir a jogos de futebol no estádio, e vou ao teatro»
atrás de mim estava sentado um actor conhecido - mas confesso que também não sei o seu nome. ele tocou-me no ombro e disse: então e diga lá qual foi a última peça de teatro que viu?
eu virei-me para trás e disse: só nos últimos 15 dias? vi o Coriolano no TNDM II e as 4 peças em cena neste mês no Teatro Rápido.
e o senhor disse: «ah muito bem».
exacto. muito bem. felizmente ainda consigo ter acesso à cultura, nas suas mais diversas manifestações: começo a fazer um mealheiro ALIVE em Julho, para o no seguinte poder estar presente no festival. quando tenho o dinheiro para o bilhete, começo a fazer o mealheiro do pocket money para gastar no festival. sempre que um amigo falha a presença no estádio da Luz, eu aproveito o red pass dele para aplaudir os pukaninos. aproveito os dias do espectador para ir ao teatro por metade do preço; no Teatro Rápido tenho acesso PRESS (porque em troca escrevo artigos para a Rua de Baixo que não são remunerados - sim, é voluntariado!). tenho um cartão de cinema que acumula pontos e me permite ir ao cinema por 5€. desta forma, procuro que a cultura não me falte "à mesa". toda a espécie de cultura. a de massas e a outra.
além disto, apesar de ter uma licenciatura, duas pós graduações, um mestrado e artigos publicados em revistas e livros (na área da Filosofia, ainda por cima!) estou a aprender a dançar kizomba e gosto de sair à noite para dançar.
se calhar não devia, né? sendo eu (supostamente) uma intelectualóide...
e já agora, das últimas vezes que fui ao TNDMII as sessões estavam esgotadas - afinal, isso não acontece só nos festivais ou nos concertos.
cruel e deprimente, com muito prozac e platão às pazadas. para quem não acredita em finais felizes, é bom que se deixe aqui o alerta. Blue Jasmine mostra-nos uma mulher capaz de abandonar tudo por amor, capaz de cegar por amor, capaz de acompanhar o homem da sua vida por amor, capaz de o denunciar por amor, capaz de se destruir por desamor, (in)capaz de começar de novo por amor. uma mulher que mente, que sente a verdade e a pinta de outra cor, que é encontrada a falar sozinha. por amor. cruel e deprimente - já vos tinha dito? tão próximo da vida, por vezes.
e Steve, foi isto que conseguiste: três amigas, sentadas à volta da mesa, de volta dos iKoisos para registar o momento para a posteridade. não sei se era isto que te motivava... bom, o filme revelou-me um Steve Jobs que conseguia ver muito mais além que os seus pares, que enganou os amigos para conseguir ficar com mais dinheiro, que só comia fruta, que negou a sua filha, profundamente criativo, profundamente exigente com os outros... eu até o percebo, quando imagino uma coisa só páro quando ela acontece.
Jobs era do verbo ir, do verbo fazer-acontecer. sacrificou a sua vida pessoal por causa disso? sim, se calhar durante uns tempos, mas teve o seu despertar quando foi «convidado» a afastar-se da sua própria empresa.
ninguém é profeta em casa própria e as grandes mentes são grandes por algum motivo: às vezes têm coisas que não se percebem como o facto de não gostar de usar sapatos (Steve, eu compreendo... a cena de não tomar banhinho é que não!!)
Here's to the crazy ones - Jobs era um deles. tinha visão, tinha saber. tinha uma forma de andar um tanto ou quanto estranha. criou um império, estava sempre dois passos (ou três) mais à frente. a dada altura, no filme, ele reclama com um dos sócios ou administradores (?) sobre o preço do produto para o consumidor. sim, a Apple revolucionou o mundo e tudo o mais, criou aparelhos que se tornaram na extensão das pessoas, mas durante muito tempo era um produto só para quem tinha muito dinheiro e era sinal de um certo estatuto e life style. hoje em dia, com tantas campanhas e produtos novos, despacham-se produtos «antigos» ao peço da uva mijona ou ao abrigo de campanhas muito «em conta».
«Also I like Steve, his marketing how he can convince people to buy something for double the price of what its worth is amazing!» - este foi um dos comentários que encontrei a um dos vídeos sobre a apresentação do iPhone.