"então, joana, tudo bem?" - perguntou o vizinho quando me viu chegar.
pensei em responder: nem por isso. tenho a tiróide lenta, bateram-me no carro e o félix teve que ir fazer uma visita inesperada ao veterinário. já paguei a segurança social do mês passado, mas ainda estou à espera de um pagamento de um RV de dezembro de 2015.
pensei. mas disse só: tudo bem, obrigada! está frio, hein? até amanhã!
é a maior mentira do mundo. quem pergunta não quer realmente saber e quem responde raramente diz a verdade.
e a (minha) verdade é que isto de sobreviver é mesmo assim: uns dias bons, outros menos bons. faço o melhor que posso - até porque não consigo fazer melhor. humana, demasiado humana.
'ssoas lindas que têm animais de estimação - nomeadamente cães - e que gostam de os passear: este post foi pensado para vocês.
eu sei que os vossos cães são lindas e "portam-se muito bem". são dóceis e afáveis e adoram brincar livremente. sei, pois cá em casa também há cães que se portam bem e adoram correr livremente.
a questão é que há uma dose de imprevisibilidade no comportamento animal, com a qual temos que contar. sim, os nossos cães são lindos e portam-se bem - repito, nós sabemos disso. mas ainda assim eles não conhecem todos os cães ou estímulos do mundo - e podem ter uma reacção inesperada. e depois é desagradável para todos os envolvidos, acreditem. pode haver uma mordidela, um ataque, uma atitude menos positiva. e não há necessidade de passarmos por isso.
e quem não cumpre poderá ser punido. é, e isto vale para todos: para a senhora dona Hermenegilda que tem três cães e que os deixa à solta na praceta. "eles não fazem mal", diz. a mesma senhora que chama à atenção o Vasco, que passeia o casal de pittbulls na mesma praceta, em segurança, pela trela. "deviam estar açaimados, diz ela".
assim de repente, parece-me que há mais perigo em ter cães à solta, sem trela, sejam de que raça forem e notem que os mais pequenos são por vezes os mais reactivos com os outros cães - do que dois pittbull pela trela. estes possivelmente estão treinados pelo dono e sabem comportar-se com trela.
ainda há dias passeava a Mel, uma das UPPAlianas, pela zona de mato que há perto do albergue. é raro encontrar por lá pessoas - ovelhas, vacas e cavalos, sim. mas encontrei um senhor com dois cães. senti logo que vinha lá gente, pois a Mel começou a dar sinal (é uma rapariga muito protectora!). e pedi ao senhor para prender os cães : "ah mas eu nem trouxe trela! eles portam-se bem!"
encolhi os ombros. o senhor acabou por seguir outro caminho e nós passámos tranquilamente.
e já agora, lembrem-se também das regras de segurança para o transporte de cães nos carros. há uma espécie de cinto próprio para o efeito e convém colocar o peitoral para estarmos todos mais seguros e descansados.
trelas, senhoras e senhores, trelas. há para todos os gostos e tamanhos. aproveitem para conhecer o trabalho da TAIL WAG, que tem sempre trelas e coleiras giras, mas giras!
a bulldog rescue portugal tem feito um trabalho gigante na recuperação de frenchies que são abandonados ou vítimas de maus tratos
sim, também acontece aos "cães de marca" - muitas vezes, por estarem "na moda", são comprados e quando os problemas de saúde acontecem há quem opte pelo abandono - em vez de pedir ajuda
para além do preço que custam, os frenchies têm algumas características da raça que inspiram cuidados: sistema respiratório e pele
o Sparta, na foto, teve a sorte de, no meio do abandono, encontrar quem foi capaz de recuperar a sua pele - e a fé na humanidade
uma pequena nota: o bulldog francês cá de casa foi adoptado, depois de ter sido comprado e expedido da eslovénia para cá, cedo demais - acabou por não usufruir da amamentação como devia e consta que a data de nascimento no passaporte foi alterada só para permitir que viajasse. chegou-nos após uma passagem por um casal que até queria muito ficar com ele, mas cujo condomínio não permitia. veio de longe - e hoje faz-nos muito felizes!