Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

all about little lady bug

ir, fazer acontecer, filosofar, sonhar, amar, amarfanhar, imaginar, criar, dançar, aprender e escrever - não necessariamente por esta ordem

all about little lady bug

ir, fazer acontecer, filosofar, sonhar, amar, amarfanhar, imaginar, criar, dançar, aprender e escrever - não necessariamente por esta ordem

diário | #covid19pt

viver num estado permanente de alerta

passam X dias desde que decidi ficar em casa e Y dias desde que o estado decretou o estado de alerta e outros tantos sobre o estado de emergência.

todo este contexto fez com que a palavra quarentena fosse usada para descrever esta obrigação de ficar em casa, a trabalhar, a estudar; com os espaços comerciais ou de convívio fechados, com restrições de movimentação em momentos específicos.

estamos em quarentena. bom, estamos e não estamos. na verdade, não sabemos se transportamos o vírus e estamos assintomáticos. não sabemos se estamos em contacto com alguém que transporta o vírus, nas compras, por exemplo, naquela vez em que saímos para comprar o pão e o básico para a semana.

levantado o estado de emergência, acontece o estado de calamidade pública. o nome é mais forte, mas as restrições são mais leves. vamos conjugar um verbo novo: desconfinar. vamos confiar nos outros para que procedam em conformidade e respeitem as regras que podem ser alteradas ou revistas.

disponibilidade 

neste período de quarentena, ao qual prefiro chamar de distanciamento físico ou isolamento, por ser mais fiel ao que vivi, venderam-nos a narrativa de que estamos em casa, disponíveis e com tempo.

em casa, sim. disponíveis, nem tanto. seja por ter filhos para dar apoio, por ter uma casa para gerir, por ter trabalho para adaptar, por ter perdido trabalho e ter de procurar oportunidades - e, sobretudo, por estarmos a lidar com um horizonte de permanente incerteza... não, não estamos assim tão disponíveis, nem tão focados. nem especialmente produtivos.

haverá exemplos de quem conseguiu dar impulso a projectos parados, de quem conseguiu perder peso e começar a fazer exercício, de quem começou a pintar. haverá de tudo. somos todos diferentes, transportamos contextos diferentes.

mais do que nunca é necessário algum tacto quando se lida com o outro. 

os outros 

o primeiro outro, agora, tem de ser pessoal, para que possamos manter o discernimento para continuar a cuidar da comunidade em cada gesto, em cada tomada de decisão de ir ou não ir à rua.

é um equilíbrio: manter-nos focados e conseguir lidar com a necessidade de atenção dos outros, com o cuidado que os outros exigem. é difícil. não se consegue sempre e temos de ser pacientes connosco e com os outros.  

a incerteza 

"depois disto passar", "quando isto acabar", "depois desta situação" - não consigo localizar quando é que esse depois vai acontecer, na minha vida; independentemente do nome que se dê ao estado das coisas.

o estado a que chegámos é este: incerteza. não há uma receita para lidar com ele. haverá várias e talvez todos os dias tenha de inventar uma.