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all about little lady bug

ir, fazer acontecer, filosofar, sonhar, amar, amarfanhar, imaginar, criar, dançar, aprender e escrever - não necessariamente por esta ordem

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ir, fazer acontecer, filosofar, sonhar, amar, amarfanhar, imaginar, criar, dançar, aprender e escrever - não necessariamente por esta ordem

o amor, uma cabana, um frigorífico

desafio dos pássaros #6

esta semana o desafio dos pássaros pede-me uma história romântica. ora, isso do romantismo é coisa que não me assiste.

pronto, confesso. gosto de ver nos filmes. por exemplo? a dupla romântica do matrix, o neo e a trinity.

pois, não é bem disto que estão à espera quando se fala em "história romântica". vou tentar mais uma vez. na alice in wonderland não há dupla romântica, pois não? 

humm.

já sei. na série La Casa de Papel há muitas duplas românticas. vejamos: o Professor e a senhora polícia que depois passa a chamar-se Lisboa. e ele até se envolve a sério com ela. há o Denver e a rapariga que depois passa a chamar-se Estocolmo. sim, o síndrome de Estocolmo. eles envolvem-se à séria e assumem o filho juntos e tudo. uma confusão, pois o filho é do Arturito. depois há a Tóquio e o Rio e - aí sim - acontece o "o amor e uma cabana". os pequenos decidem ir viver numa ilha, literalmente numa cabana. o amor e uma cabana. TAU.

MAS - e nestas coisas do amor há sempre um MAS - a Tóquio cansa-se da cabana. não lhe chega o amor e a cabana. faz-lhe falta a luz da cidade, a música aos altos berros, o alcóol, os amigos. o amor e uma cabana não chegam? parece que não. há uma calma após a tempestade com a qual é difícil de lidar. falta o sal, o sol, o açúcar, o tinto e tudo aquilo que faz mal e faz bem, ao mesmo tempo, que provoca diabetes e avc e tudo aquilo a que um coração farto tem direito. 

o amor, a cabana e o tédio. em vez do frigorífico. é que este já anuncia o esfriar da relação. 'ssoas que se tornam em pedras de gelo, uma para com a outra. o frigorífico também serve para guardar o corpo do amado - desculpem, o dexter desceu sobre mim. 

o amor, a cabana e o amor. assim é que é. que nunca nos falte, mesmo que um dia acordes e notes que tens o frigorífico vazio de emoções. vale a pena (atentem ao momento romântico) tudo o que acontece até esse momento. 

 

la-casa-de-papel-3-toquio-rio-0419-1400x800.jpg

imagem retirada daqui

 

 

 

já está

mestre_uac.jpg

já está - é o que o senhor grita no estádio da luz quando a equipa do benfica marca golos. e foi o que pensei quando cheguei à sala onde iam acontecer as provas públicas do meu mestrado. "já está". 

também ficava bem um "we made, we here". we - pois este trabalho foi partilhado com uma orientadora e uma co-orientadora. foi um trabalho partilhado, sim, que envolveu muitos momentos em companhia do computador e dos ficheiros word que gritavam por palavras. adiei o momento da entrega e falhei os objectivos iniciais: a vida meteu-se pelo meio e acreditem que isto de trabalhar, como freelancer, e estudar para escrever uma dissertação não é nada fácil. exige muita disciplina e a noção de que o tempo escorre pelas mãos, qual areia fina da praia. 

já sou mestre, em gestão de recursos humanos. portanto, posso dizer que já conhecia o processo. mas o meu contexto era diferente e nem por isso fui mais rápida na escrita. neste segundo mestrado, em filosofia para crianças, junto da única universidade portuguesa que tem este curso no seu currículo (a universidade dos açores), o tema é-me muito querido e familiar. trabalho nesta área há 10 anos. faltava, por isso, dar o pulo da prática para a teoria, de uma forma académica e reconhecida pelos pares. e lá pulei eu, até Ponta Delgada para poder dizer "já está".

e agora? agora é seguir caminho. há uma revisão para fazer, no texto, com base no que ouvi das arguentes. haverá sempre algo a melhorar, a mudar, a corrigir, a acrescentar ou a retirar, mas tenho de fechar o capítulo e seguir em frente. 

não, não estou a falar de doutoramento. é mesmo seguir com a minha vida, com aquilo que suspendi por causa do mestrado (sim, escolhas e consequências) e saborear o facto de ter chegado ao fim, com distinção. 

 

 

 

 

#cenasfixespara

VER

 

- once upon a time... in hollywood

tarantino.png

 

já li um pouco de tudo sobre o filme: desde críticas extremamente positivas a críticas de quem ficou com um sabor amargo na boca depois de ver o filme.

first things first: é um Tarantino. e isso por si traz um selo de qualidade ou a garantia de que será uma peça única. se é o melhor dos Tarantinos? não é, do meu ponto de vista. e reparem que o meu critério é apenas isto: os diálogos. há outros Tarantinos que me conquistaram pelos diálogos, pelo seu conteúdo, pela forma como surgem na história.

este não é um filme com esse tipo de diálogos, com um ou outro momento de excepção. mas há a Brandy, há um DiCaprio e um Pit que têm um papel que "sim, senhor". há a banda sonora e os planos, as sequências muito tarantinas. 

é uma cena fixe para ver. se vão gostar ou não da mesma forma como gostaram dos outros Tarantinos, meus amores, não posso garantir. 

e já que aqui estão, leiam o que Slade tem a dizer sobre o filme

 

 

 

 

«Thomas Kuhn à caixa central, por favor!»

Sempre achei que o Karl Popper e o Thomas Kuhn eram uma espécie de siameses separados à nascença. Quando estudei filosofia no secundário, estes autores apareciam-me sempre em dupla, qual Lennon & McCartney ou Simon & Garfunkel. Talvez eu precise de mudar de paradigma. Por incrível que pareça, Kuhn e Popper só se conheceram há coisa de dois anos, num baile aqui da aldeia.  Nos santos populares, lembro-me bem. Aliás tenho dificuldade em esquecer a imagem do Kuhn e do Popper a beber sangria, a comer sardinha assada no pão e a falar de cisnes negros e revoluções científicas. Adiante.

Fui ao teatro com um amigo, o André, e encontrámos o Kuhn. Kuhn’catano, já não vamos ter descanso. Vem aí o homem das revoluções científicas, disse o André, ao avistar o Thomas. Kuhn tem todo o «ar de cientista», se m permitem dizê-lo. Testa ampla, óculos, sorriso e olhar inquiridor. E adora conversar. Ultimamente não tem tido descanso e ele explicou-nos o motivo.

Joana, têm sido tempos loucos. Com a crise instalada, toda a gente está constantemente a apelar à mudança de paradigma. E lá vou eu, qual patinadora do hipermercado, à corrida para aqui e para ali para fazer a minha consultoria... digamos, er..., paradigmática!

Consultoria paradigmática?, questionei. Joana, sabes que eu pratico o que defendo: tenho que me adaptar aos tempos que correm. Toda a gente fala de necessidade de mudança de paradigma, mas nem sequer sabem identificar qual é o paradigma vigente. É aí que eu entro.

E entras de patins, pela casa das pessoas adentro?, perguntou o André.

A gargalhada foi geral. A imagem do Kuhn a entrar pelas casas das pessoas, sempre que elas proferissem a palavra paradigma... «foi você que pediu um consultor paradigmático?» - DELICIOSO!

Deixámos os paradigmas de lado. Conversámos sobre a peça que tínhamos ido ver, sobre o que tínhamos jantado, sobre tudo menos ciência. Até que o telemóvel do Kuhn tocou.

Tenho que ir, Joana e André, tenho um cliente a precisar de esclarecimentos paradigmáticos! Falamos depois!, disse Kuhn.

Kuhn é um homem da ciência; diriam os estudiosos que está perfeitamente imbuído do contexto histórico-sociológico em que se insere. Além disso, é muito prático; é daqueles que chega à farmácia e pede um ben-u-ron e não perde tempo a dizer: é uma embalagem de para-acetil-aminofenol, se faz favor.

Já viste, André? O Kuhn, cheio de energia,  a reinventar-se a si mesmo; até criou uma forma de consultoria adaptada aos dias de hoje. Quando pensavam que ele estava em fim de carreira, eis que surge a consultoria paradigmática. Quem diria?

O André, também ele um homem das ciências, respondeu-me, Joana, o Kuhn só leva a sério aquilo que defende: não há um fim para a ciência, há, sim, aproximações à verdade das coisas. E isso exige abandonar coisas velhas e adoptar coisas novas. Ainda vamos ver o Kuhn a entrar de patins pela nossa casa adentro. Escreve o que te digo, ele é homem para isso, se perceber que ir de carro não resulta ou não é suficientemente rápido!

Provando a minha teoria de que Kuhn e Popper são siameses, eu e o André terminámos a noite a falar de cisnes negros e de estatística. Quem me manda a mim ter por companhia homens da ciência?

Kenzo, para adopção na #uppa_animais

 

Kenzo.png

hoje é terça e por isso é dia de #terceiraoportunidade. de há uns meses para cá tenho aproveitado este cantinho para divulgar os animais que conheço na #uppa_animais e que já merecem uma oportunidade para conhecer a sua família. a verdade é que todos merecem. num mundo ideal não haveria albergues como o da UPPA, mas como não estamos no mundo ideal, há que fazer esforços para encontrar um lar para cães como o Kenzo. 

o Kenzo é irmão da Noa, do Paco e do Tommy, de quem já vos falei aqui. é outro dos doces amigos que tenho na UPPA e cuja confiança e amizade fui conquistando, passo a passo.

 

Kenzo régua.png

adoptar um cão é uma decisão que deverá ser consciente. não há pressas em decidir. se aconteceu o "CLICK" com este charmoso Kenzo, agende uma visita ao albergue da #uppa_animais. sem pressa e sem pressão. aproveite para respirar o ar do campo e para dar uns passeios. quem sabe o "CLICK" não leva à adopção? 

 

as fotografias que ilustram o artigo têm origem no arquivo da UPPA - União Para a Protecção dos Animais. para saber mais sobre os animais disponíves para adopção ou apadrinhamento, podem pesquisar no twitter / instagram por #uppa_animais. também há página no facebook. 

Wittgenstein e os jogos de linguagem. Ah, e as palavras que nos deixam felizes. Pronto, é este o título.

Quando temos um filho é normal aguardarmos com ansiedade os momentos «primeiro»: o primeiro sorriso, o primeiro dente, o primeiro passo  e a primeira palavra. Será mamã? Será papá? Ou, simplesmente, «cocó»? O certo é que aquela palavra e o som da mesma vai ecoar nos nossos ouvidos de pais babados para todo o sempre.

 A primeira palavra. Depois disso, não descansamos até que lhe consigamos «arrancar» todas as palavras que existem do mundo. Inscrevemos a criança no inglês para que saiba as mesmas palavras noutra língua. Palavras, palavras, palavras. Porque queremos ter sempre algo a dizer, sobre tudo. Ou quase tudo.

 Há dias encontrei o Wittgenstein, no jardim da aldeia. Ele costuma juntar-se com uns amigos, para jogar às cartas. Mais tarde vim a perceber a importância do jogo para ele, quando estabeleceu uma analogia entre a linguagem e o jogo. Mas nesse dia em que o encontrei, Wittgenstein estava com um problema: tinha sido convidado para fazer um programa de rádio e não sabia se deveria aceitar. Era um trabalho a recibos verdes e não garantia muita estabilidade. E depois havia aquela história de ter que dizer coisas sobre coisa. O Ludwig estava mesmo preocupado.

Não te preocupes, disse-lhe, se houver alguma coisa sobre a qual não possas falar, remete-te ao silêncio. Este é uma coisa tão bonita e acho que até fica bem em rádio. Obriga-nos a parar para pensar, não achas? – Wittgenstein olhou para mim e agradeceu. Não lhe pus a vista em cima durante semanas. Ouvi-o um dia na rádio, numa espécie de performance silenciosa quando foi questionado sobre a polémica da carne de cavalo. «Acerca daquilo que não se pode falar, tem que se ficar em silêncio».

 A lição de Wittgenstein é simples, mas difícil de colocar em prática nos dias de hoje, quando, a toda a hora, somos convocados para dar opiniões sobre isto e aquilo. Era melhor e menos ruidoso se, de vez em quando, nos remetessemos ao silêncio. Este é altamente ignorado pela maior parte de nós e pode ser uma resposta tão cheia de conteúdo como qualquer outra, mesmo aquela em que usamos muitas e variadas palavras.

 Sei que o Wittgenstein manteve o programa na rádio durante algum tempo. Depois disso, voltou a escrever e tornou-se num homem novo. Chamam-lhe o Segundo Wittgenstein. Publicou um livro, Investigações Filosóficas. O lançamento foi ali mesmo, no jardim, no meio de um jogo de cartas, com os vizinhos. Há melhor forma de ilustrar que  a linguagem é um jogo?  E que o significado da palavra é estabelecido pelo uso que se lhe dá, num dado jogo de linguagem? É por isso que cá em casa batemos palmas à Bárbara que, com um ano,  diz, com todas as letras e de forma perfeita, a palavra cocó. É caso para dizer que, na nossa família,  o cocó deixa-nos felizes.

 

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