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all about little lady bug

ir, fazer acontecer, filosofar, sonhar, amar, amarfanhar, imaginar, criar, dançar, aprender e escrever - não necessariamente por esta ordem

all about little lady bug

ir, fazer acontecer, filosofar, sonhar, amar, amarfanhar, imaginar, criar, dançar, aprender e escrever - não necessariamente por esta ordem

sobre a terceira oportunidade

durante alguns meses houve #terceiraoportunidade aqui no blog. esta primeira temporada (chamemos-lhe assim) foi inteiramente dedicada aos cães da #uppa_animais. para conhecerem os amigos do Fred (e o Fred, que está aqui na fotografia comigo e que ainda se encontra para adopção no albergue), podem clicar aqui e deliciar-se com a doçura e a ternura destes animais. 

 

fred_uppa_animais

 

esta rubrica entra agora em modo PAUSE (but don't stop), pois estou a preparar uma segunda temporada, sim, com animais de outra instituição. 

 

S T AY  T U N E D.

comunidade é a palavra do ano *

* talvez não seja. talvez, tal como diz Rui Zink, seja fascista.

para mim, é comunidade. pelo #twitterchatpt, pelo que leio noutros twitter chats, pelo que oiço na foot locker do ubbo onde me dizem "temos de olhar pela comunidade, queremos que as pessoas visitam a nossa loja, mas sobretudo o centro comercial", bem como pela comunidade que o desafio dos pássaros movimentou

comunidade.

tenho de escrever sobre isto com mais calma.

 

a partner in crime

«O meu futuro namorado ouve as músicas que lhe envio, gosta de Nietzsche, não se importa de conduzir o meu carro violeta, usa um Mac, leva-me ao cinema e ao teatro, entende quando quero ir a concertos sozinha, lê-me crónicas do Lobo Antunes, conhece todos os recantos da minha alma, faz-me perguntas pertinentes, deixa-me a pensar, pede-me para abrir o tinto que vai acompanhar o jantar, cozinha para mim, sai comigo para me ver dançar, planeia viagens surpresa, sabe que não gosto que me mexam no cabelo, acredita em unicórnios, mira-me enquanto durmo, detesta as manhãs, respeita o meu mau humor matinal, escreve maravilhosamente, usa barba, sabe dar palmadas, beija divinamente, adora as minhas curvas, admira-me com orgulho e deixa-se admirar por mim, adapta-se a mim e eu e a ele, sabe pôr-me no meu lugar, tem sentido de humor e não é perfeito. É isso.» 

 

DAQUI.

 

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compota, Constança. compota.

desafio dos pássaros #7

a Constança tem 30 anos e é cliente assídua da loja do Sr. Alfredo, uma antiga drogaria que fica algures em Campo de Ourique. fica perto da sua casa e, tal como é típico das drogarias, vende um pouco de tudo: desde parafusos, a enlatados, passando por cremes e alimentos para animais. a Constança gosta de comprar novidades, ainda que a loja do Sr. Alfredo seja uma das mais antigas daquela rua. 

a Miriam trabalha para o Sr. Alfredo há dois meses. é uma jovem insegura de 20 e poucos anos que precisa garantir uma fonte de subsistência para poder suportar a casa na periferia de Lisboa. o Sr. Alfredo, do alto dos seus quase 60 anos, consegue aterrorizá-la com os seus objectivos de vendas semanais. todas as semanas a Miriam vê-se obrigada a vender um determinado produto cujo stock necessita ser escoado. esta semana é preciso "despachar" a compota de abóbora com amêndoa: o prazo termina dentro de um mês e é necessário encomendar novos sabores. "faz o que entenderes, mas tens de ter esta prateleira vazia até sexta", disse-lhe o Sr. Alfredo enquanto apontava para o armário onde estavam as compotas.

naquele dia, a Constança passou pela drogaria para comprar meia dúzia de coisas para a casa: o óleo para passar nos móveis, comida para o canário e fósforos. 

- é tudo, Constança? - perguntou a Miriam.

- é. ó Miriam, conte lá qual é o segredo para a pele do seu rosto, está sempre tão brilhante e vivaça - perguntou a Constança.

fez-se luz na cabeça de Miriam, que não usava qualquer produto específico para a pele. o gel de duche era de marca branca e do que gostava mesmo era de sabão azul e branco. mas fez-se luz. a compota. em vez do tokalon, em vez do benamor: a compota. será que pega? 

- Constança, se lhe contar não acredita.

- acredito, pois, Miriam. vai dizer-me que usa aquele lista longa e cara que a Cristina Ferreira partilhou no instagram? como é que consegue comprar aquilo tudo? - Constança arrependeu-se da pergunta no segundo seguinte: afinal, não tinha nada a ver com o dinheiro que a Miriam gastava na sua pele. 

- não é preciso gastar muito dinheiro. o meu segredo é muito acessível e vende-se aqui na loja. descobri por acaso, num dia de neura em que só me apetecia comer torradas com compota - respondeu a Miriam. 

a história era credível: um dia de tpm, vontade de comer doces e de chorar sem razão aparente. qualquer mulher sabe que isso resulta num ou noutro disparate, como encher a cara de compota de abóbora com amêndoa, fazendo de conta que era uma máscara facial daquelas muito caras. riram muito, a Miriam e a Constança. riram tanto que a Constança saiu da loja com os 12 frascos que habitavam na prateleira pois a 3,50 eur cada um não iria desperdiçar a oportunidade de ter uma pele radiante - e não estamos a falar só do rosto. sim, a Constança pretendia barrar-se de compota da cabeça aos pés. Miriam aprovou a ideia e até pediu que tirasse fotografias à pele, para fazer o antes e depois. 

o segredo da pele radiante foi assim revelado a Constança, que ainda hoje, um ano depois, continua a praticar o ritual ao sábado de manhã: compota all over her body enquanto lê a revista Cristina ou o último romance de António Lobo Antunes.

já Miriam, essa, continua a inventar histórias para despachar os stocks de produtos do Sr. Alfredo que até lhe aumentou o ordenado ao ver os objectivos a serem cumpridos, semana após semana. 

 

Screenshot 2019-10-24 15.09.57.png

fotografia: Olia Gozha / Unsplash

(nota: o desafio implicava vender a compota como produto capilar, mas ao olhar para a embalagem de benamor, ali na mesinha, não resisti a fazer batota)

 

 

 

#cenasfixespara

VER, PENSAR, CHORAR, RIR

joker-steps.jpeg

quando fui ver o Joker já muito se tinha escrito sobre o filme. elogios, muitos. comentários menos elogiosos, outro tanto.

tenho um encanto pelo actor joaquin phoenix e confesso que tinha expectativas altas com a sua performance. conheço pouco da história da BD e do Joker em si - só mesmo de filmes como o Batman ou a Suicide Squad. por isso, não estava preocupada com os pormenores da história ser ou não ser fiel à BD. a intenção era ver um filme e pronto. 

saí da sala sem saber o que pensar ou o que dizer sobre o filme. há ali muita coisa que vai além do Joker. há um Arthur Fleck que vive num mundo onde não há lugar para os loucos, pois há uma maioria de "não loucos" (será?) que determinam o que é e o que não é normal.

há uma história que alguém me contou ou que li, não sei precisar, sobre a loucura e que diz muito sobre o Fleck.

um homem passeava nos jardins de um manicómio e aproximou-se das grades. do outro lado, passava uma pessoa. o homem interpelou essa pessoa e perguntou: "desculpe incomodar, mas como é que vocês vivem aí dentro?" 

 

 

 

 

A minha vida é um intervalo entre o ser e o nada: inclui golfinhos ao pôr do sol

Viviam-se dias tristes na aldeia. A Sra. Joaquina, a dona do café central, tinha perdido o sorriso e a vontade de conversar. A minha Susana está muito doente, contou-nos. Eu e o Sartre não sabíamos o que dizer. Temia-se o pior. E era impossível ficar indiferente  ao olhar triste da Sra. Joaquina, ela que tinha sempre um sorriso aberto e meia dúzia de palavras no bolso da bata para trocar com quem por lá aparecesse. Aqui na aldeia, ir ao café significa muito mais do que simplesmente repôr os níveis de cafeína; significa um momento de encontro e de diálogo, com os outros vizinhos e sobretudo com a Sra. Joaquina.

Ai menina ando aqui de coração muito apertado, tão aflita, acrescentou. Eu olho ali para o livro do Sr. João Paulo [é assim que a Joaquina trata o Jean Paul Sartre] e só vejo o nada. O ser deixou de fazer sentido para mim.

Peguei no telefone e disse, Joaquina, vou pedir-lhe uma oportunidade para lhe restaurarmos a fé no ser, ok? Ela ficou muito espantada a olhar para mim. Deixe-me só fazer uma chamada.

Desliguei e disse-lhe, amanhã às 15h venho buscá-la, com a minha amiga Sophia. Não se preocupe com o café, o Sartre e a Simone dão um olho nisto, certo? Sartre respondeu com um Oui assertivo e imediato.

Quando alguém está a sofrer desta forma, na primeira pessoa ou por alguém que lhe é próximo, as palavras são poucas, curtas e ocas. É difícil dizer algo que consiga pôr de pé um corpo caído por não poder aliviar a dor do outro. Ou a nossa. A Sophia tinha-me ligado há uns dias para partilhar algo que classificou de único e maravilhoso. Joana, nem imaginas, estávamos a passear de barco, ao pôr do sol e os malandros apareceram aos pares. Nem sei quantos eram. A desafiar-nos para brincar. Uma maravilha. Golfinhos, Sophia? Sim, Joana, foi um daqueles momentos que apetece guardar para recuperar nos dias menos bons, sabes?

Sei, Sophia, e é por isso que decidi levar lá a Joaquina.

À hora marcada lá fomos nós, até ao porto. Nunca andei de barco, menina, disse-me a Joaquina, meio assustada.  Vai ser o seu baptismo de mar alto, já viu, respondi.

Fruto de uma qualquer conjugação cósmica, ao pôr do sol a história repetiu-se: os golfinhos apareceram mesmo. Dois, quatro, seis. Seriam dez? Doze? Não sei. Mas foi maravilhoso. Ficámos as três a olhar para eles, estendemos a mão para lhes tocar. E a Joaquina sorriu de novo. Afundámos o nada que lhe tinha invadido o espírito, por momentos. Também por momentos tudo voltou a fazer sentido. Tocámos a paz de espírito, pelo menos, estendemos a mão na sua direcção.

Voltámos para a aldeia em silêncio. De alma lavada. Encontrámos o café num brinco: o Sartre e a Simone deram conta do recado como ninguém.

Todos temos  de poder escolher a vida em todas as circunstâncias. A Sra Joaquina também, não se esqueça disso, disse-lhe Sartre, ao despedir-se.

Aqueles golfinhos não sabem, mas naquele dia tiveram o poder de nos fazer escolher a vida, mesmo quando esta não nos sorri. 

Entre o ser e o nada, escolho a imagem dos golfinhos, no mar, ao pôr do sol.

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