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all about little lady bug

ir, fazer acontecer, filosofar, sonhar, amar, amarfanhar, imaginar, criar, dançar, aprender e escrever - não necessariamente por esta ordem

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ir, fazer acontecer, filosofar, sonhar, amar, amarfanhar, imaginar, criar, dançar, aprender e escrever - não necessariamente por esta ordem

aventura

desafio de escrita dos pássaros #3

aventura
 
substantivo feminino

1. Feito extraordinário.

2. Caso inesperado que sobrevém e que merece ser relatado.

3. Acaso.


"aventura", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, https://dicionario.priberam.org/aventura [consultado em 24-09-2019].
 
 
 
*
 

- A questão é saber se chegas a ter consciência disso. Ou se achas natural.

- Acho natural o quê? – perguntou ele.

- Pronto. – disse ela – Já percebi que não tens consciência.

- Mas consciência do quê? – insistiu nele.

Ela sacou de um cigarro. Negro, com cheiro a baunilha. Nem se percebia bem que era um cigarro, dada a ausência do cheiro a tabaco.

- Não gosto nada de ter que te explicar isto. És um falso. Apregoas aos sete ventos uma coisa que não és. Ainda não percebi se te queres proteger ou se isso é uma forma de ataque.

Ele olhou-a. Sentia-se transparente.

- E não olhes para mim assim. Nem imaginas como me custa ter-te aqui e dizer-te isto na cara. Custa-me tanto saber que és outro. Nem imaginas como isso me chega a irritar. E afasta-me de ti. Só penso em formas de estar longe de ti. Mil e uma ginásticas.

O cigarro estava a chegar ao fim. Era tarde e a alma – que pesava toneladas - pedia descanso. A dela. Já a dele pairava algures naquele quarto a tentar compreender o sentido daquilo que tinha ouvido.

Era (cada vez mais) tarde. Ela puxou o cobertor e o lençol. Apagou a luz. Ele permaneceu sem resposta, com o olhar fixo na escuridão, que era o reflexo da sua própria falta de luz.

 

marcoapires.jpg

(fotografia de Marco A. Pires) 

 

#cenasfixespara

AJUDAR A MUDAR O MUNDO

 

conhecem a animais de rua? pois bem, é uma associação que abraçou a causa animal e que todos os dias tenta mudar o mundo à sua volta:

A Associação Animais de Rua ajuda muitos milhares de animais nas ruas, esterilizando-os para que não se reproduzam, tratando-os quando estão doentes e alimentando-os. Promovemos o convívio pacífico entre os animais e as pessoas, em respeito pelo bem-estar animal e a saúde pública.

a animais de rua já tem à venda a sua agenda e calendário 2020: ao encomendar agora, recebemos a agenda e/ou o calendário a partir do dia 10 de outubro,

eis a informação disponível no website:

 

A Agenda 2020 é uma homenagem aos 17 municípios e freguesias com os quais a Animais de Rua colabora nas políticas públicas de bem-estar animal, com a participação de 17 personalidades públicas portuguesas que fotografaram com animais que, pela sua condição física, não são selecionados para adoção, acabando muitas vezes as suas vidas nos canis municipais. 

Ilustração - Kruella D'Enfer
Design Gráfico - Joana Marques da Cruz
Fotografia - Menina e Moça

No Calendário 2020 figuram animais acolhidos no santuário da Associação Quinta das Águias, com pequenas histórias sobre cada um.
Fotografia - Manuel Malva
Ilustração - Catarina Lopes
Design Gráfico - Ana Cristina Silva 

 

Se tiverem um acidente de automóvel não liguem para o Santo Agostinho

19097145_rpB1o.jpeg

 

O acidente é uma coisa que, por definição, acontece de forma imprevisível. É uma «casualidade não essencial». Um «sucesso imprevisto». Há dias, a caminho da aldeia, tive um acidente de viação. Sem dúvida que este acontecimento constituía algo que para mim era «não essencial». Quando dei por mim tinha a traseira do carro em muito mau estado e uma dor na cervical. Nestas alturas é esperado que telefonemos para a polícia (sim, e o número?), que se trate de papéis do seguro com a descrição pormenorizada do acidente (hora, velocidade, isto, aquilo). Pedem-nos um esforço de memória que, perante o cenário de «casualidade não essencial», se afigura como difícil.

Já em casa, recebi a visita do Santo Agostinho. Sabem como é, nas aldeias as notícias correm depressa, sobretudo as más. Encontrou-me de volta dos papéis do seguro. Trazia um saco de pêras, bem verdes (como eu gosto). Agostinho de Hipona, fizeste uma visita ao quintal alheio?,  perguntei-lhe, com um largo sorriso.

Joana, não brinques comigo, respondeu-me, sabes bem que os meus tempos de chinchada(*) já acabaram há muito. Além disso, tratei de plantar várias árvores de fruto, para não cair em tentação. Amén, respondi-lhe.

Contei-lhe da experiência do acidente e da necessidade de ter que prestar declarações sobre aquele: Agostinho, perguntam-me a que horas, a que velocidade ia, isto e aquilo. E o que me está mais fresco na memória é o caminho para o hospital e a estadia na sala de trauma e na sala de observação. E tudo me pareceu uma eternidade. Acho que o acidente foram segundos, mas até regressar a casa demorei dia, ainda que tenham passado apenas três horas.

O tempo, dizia ele, o tempo. O tempo não existe per se, Joana, disse-me, pensativo. Eu sei, Agostinho, mas não posso propriamente responder isso perante a companhia de seguros, respondi.

Se não tiver que explicar o que é o tempo, sei o que é. Se me perguntas o que é, não sei dizer, disse-me Agostinho. E eu olhava para ele e para o documento do seguro. Agostinho, não estás a ajudar. E desabafei: é tão difícil descrever o momento do acidente, parece que não houve nada antes, apenas o embate, parece que foi a partir daí que tudo começou, sabes?

Agostinho sorriu e disse, isso faz-me lembrar aquela pergunta que tantas vezes me fazem «o que fazia deus antes de criar o mundo?». A verdade é que não há tempo sem mundo e sem mundo não há mudança e sem mudança não há tempo. Assim, o tempo e o mundo só podem ter surgido ao mesmo tempo. Assim aconteceu com o teu acidente, ele só surgiu com o embate, pelo que antes disso ele não existia.

Agostinho, continuas a não ajudar. O que me dizes a um chá?,  perguntei enquanto me dirigia à cozinha.

Passámos o resto da tarde a beber chá e a conversar. Agostinho é um homem trabalhador e muito dedicado. Tem um apurado sentido de humor e é sempre um prazer tê-lo cá por casa. Mas não quando tenho que preencher participações de seguro. 

 

 

(*) chinchada é um termo que designa o acto de apanhar fruta das árvores alheias, para comer. Na minha aldeia, diz-se que a fruta acabada de colher é a mais saborosa.

das palavras

[do blog olhar a palavra]

Ele sempre teve uma má relação com as palavras. Por um lado, faz delas o seu
trabalho, o seu modo de vida. Por outro lado, sente-se aprisionado pelos
conceitos. Chamemos-lhe uma típica relação de amor ódio. A relação onde os
opostos são vividos com a mesma intensidade e o mesmo querer.
Diz-se por aí que os opostos se atraem.
Diz-se, também, que no limite os opostos são um e o mesmo.
Diz-se – com palavras! «Sempre as palavras», pensa ele. «Porque não posso
dizer com o olhar, com o tocar, com o cheirar...? Porque não tomar a
ambiguidade do silêncio como forma privilegiada de comunicar?»
«Precisamente porque é ambíguo», digo-lhe. «Como é que tens a certeza que a
pessoa te vai compreender? Já com as palavras é o que é… múltiplos sentidos,
múltiplas formas de se dizer o mesmo…»
Procurou o tabaco nos bolsos; qual metafísico que se preze, os cigarros são
uma das suas companhias preferidas. Acendeu o cigarro. Focou a sua atenção
na parede da esplanada.
«Estão em todo o lado», disse.
«O quê?», perguntei enquanto me virava para trás. «Ah, as palavras.»
A parede tinha uma série de pratos expostos, com palavras inscritas. Parecia
não haver ordem na escolha. Não faziam sentido.
«Parece que vais ter que te reconciliar com as palavras. Mais tarde, ou mais
cedo.»
«Que seja mais tarde, então.», respondeu-me.
Pedi mais um café. A conversa ia ser longa. E silenciosa.

 

 

Paco: para adopção na #uppa_animais

Paco1.jpg

o Paco chegou à #uppa_animais na companhia dos seus três irmãos: a Noa, o Tommy e o Kenzo. são os manos Perfume, ainda que não sejam patrocinados pelas marcas. 

a sua integração no albergue exigiu muita paciência e dedicação por parte dos voluntários: os manos não sabiam andar à trela e eram muito medrosos. os passeios eram difíceis, mas com persistência e respeitando o seu ritmo conseguimos ver grandes diferenças. quatro anos depois podemos dizer que estamos orgulhosos da evolução do Paco e dos seus manos.

adoptar o Paco implicará respeitar a sua forma tímida de estar e dar-lhe tempo para que se habitue à família que o pretende adoptar. o olhar do Paco é, como se vê nas fotografias, intenso e meigo. é um fofo, acreditem. e merece MUITO uma #terceiraoportunidade, uma família com quem possa viver feliz. se for dentro de um pneu, tanto melhor. 

Paco2.jpg

 

com tempo e com paciência tenho a certeza que a família que escolher o Paco poderá desfrutar de um CÃOpanheiro dócil e que ainda nos vai surpreender muito!

 

as fotografias que ilustram o artigo têm origem no arquivo da UPPA - União Para a Protecção dos Animais. para saber mais sobre os animais disponíves para adopção ou apadrinhamento, podem pesquisar no twitter / instagram por #uppa_animais. também há página no facebook. 

 

L Á G R I M A S

Tirava-te a dor e ficava eu com ela
Eu dava-te a flor e ficava com o espinho
Apertava e com o sangue eu pintava uma tela
Tirava-te a dor e ficava eu com ela
Eu dava-te a flor e ficava com o espinho
Apertava e com o sangue eu pintava uma história
Toda sem dor
Não há história sem dissabor
Só há história se eu quiser

 

 

 

you are forgiven, SLOW J. o (meu) álbum do ano. 

 

o amor e um estalo

desafio de escrita dos pássaros #2

Captura de ecrã 2019-09-16, às 18.48.19.png

o amor e um estalo? de certeza que é este o título? não falta ali um acento?

o amor É um estalo.

naaaa, deve ser mesmo "e um estalo".

como se o amor não fosse uma estalada nas fuças, por si. 

 

pasteladas 

gostamos de pintar o amor de cor de rosa e de outros tons pastel. no amor há cores que ficam bem com os tons das borboletas (que se sentem na barriga) e com as toalhas do piquenique romântica que ela te propõe. há cores que ficam bem com a primeira vez em que os dedos se entrelaçam. há cores que ficam bem com o tom ternurento com que se diz "bom dia" depois de uma noite de partilha dos corpos. há cores que ficam bem com o primeiro jantar a dois.

 

estaladas 

no amor também há estalos. o estalo da realidade, que nem sempre torna o amor possível. é o indivíduo que mora longe demais, é a mulher dele que não sai do retrato, é a filha irritante que não vai à bola contigo. é a incompreensão perante a falta de ternura pela manhã. é a vontade de não dizer sequer bom dia, por não sabermos o que de bom nos vai trazer o dia. 

 

camadas

o amor não é uma coisa ou a outra. é um conjunto de camadas, de cores, de estalos, de risos, de trincas, de suores, de choro, de partilhas, de momentos a sós. e "não há nada mais sexy que dizer a verdade". às vezes, dizemos a verdade à estalada. 

 

 

fotografia Josh Felise / Unsplash

#cenasfixespara

OUVIR, PENSAR, APRENDER, DESCONSTRUIR

conheci o Isaac através do programa Só Que Não, da RTP. aquele programa dos amarelos, onde também participei, recordam-se? a verdade é que ainda não estivemos juntos, mas seguimo-nos no twitter e no instagram e vamos acompanhando a vida um do outro. temos algumas coisas em comum: os cães e as tatuagens. 

somos muito diferentes. o Isaac é uma 'ssoa trans. bom, antes de tudo é uma 'ssoa humana e é uma 'ssoa trans. isso define-o, faz parte da sua identidade. é uma 'ssoa trans com coragem e à vontade suficiente para falar da sua experiência de vida, para esclarecer outras 'ssoas que estejam a passar por algo semelhante. nem todos têm de o fazer, mas é de valorizar quem o faz. 

 

T Guys Cuddle Too é um projecto que

"pretende ser um espaço de informação, debate e partilha de temas pertinentes para a comunidade LGBTI com maior incidência em assuntos relativos à comunidade Trans."

 

podem subscrever o canal por aqui e ir acompanhando o Isaac no Twitter ou no Instagram bem como o Ary, a 'ssoa que o acompanha neste canal.

 

Captura de ecrã 2019-09-17, às 20.36.50.png

já agora, aqui fica uma lista de livros (em inglês) que podem ajudar a abordar o tema junto de crianças e jovens: 

5 Children’s Books with a Transgender Theme

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