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all about little lady bug

ir, fazer acontecer, filosofar, sonhar, amar, amarfanhar, imaginar, criar, dançar, aprender e escrever - não necessariamente por esta ordem

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ir, fazer acontecer, filosofar, sonhar, amar, amarfanhar, imaginar, criar, dançar, aprender e escrever - não necessariamente por esta ordem

lady Bug na sala de trauma

e PUMBA! bateram-me no carro, no meu ornatos violeta mai lindo. PUMBA, mesmo, que o pukanino vai precisar de todo um rabolift ao nível do pára choques e da bagageira. PUMBA, como é que é possível numa subida o moço atirar-se assim para dentro da minha bagageira, quando eu ia praticamente parada num fila enorme de trânsito? pois. pumba.
acabei por ter que ir ao hospital, pois tinha a cervical a ficar dormente (sim, o PUMBA foi um grande impacto). lá vieram os bombeiros que, simpaticamente, me imobilizaram e me transportaram para São José. e aos 33 anos, pela primeira vez, entrei numa ambulância.
a sensação de estar imobilizada é horrível, diga-se de passagem. um grande desconforto. entrei no hospital e só via o tecto e as luzes, mesmo cena de filme, conseguem imaginar? entrei para a sala de emergência/trauma (via os letreiros lá em cima da porta) e as enfermeiras e auxiliares, simpaticamente, falaram comigo, como é que se chama, o que aconteceu, vamos ter que fazer exames. falei também com um médico (percebi que era ortopedista), muito bem humorado e cujo turno terminava às 20h. pela pulseira, dei entrada no hospital pelas 18h39m.
ah e tal vamos ter que despir a senhora. e eu, ok. nota: despir uma 'ssoa com o pescoço imobilizado pelo colar cervical é toda uma aventura. não para mim, que fiquei quieta, óbvio. ah e camisola de licra e de gola alta também não facilita o trabalho a ninguém. mas lá se concluiu a missão com sucesso. vou ter que fazer uma maldade com a agulha, disse-me a senhora enfermeira. ao que respondi: a senhora despiu-me, certo? já percebeu que agulha é coisa que não me mete medo.
lá fiquei ligada a uma máquina, com uma bata azul vestida e à espera dos exames. exames feitos, o técnico saiu sem dizer uma palavra. e eu ali, imobilizada, só conseguia ver pelo canto do olho o relógio e pelo canto do outro olho a máquina que tem aqueles tracinhos para cima e para baixo. ali fiquei. percebi, apesar da miopia, que eram 19h45, mais ou menos. e fiquei ali. sozinha, imobilizada e a gelar (nem um cobertor). e os minutos passavam, o coração batia (a máquina fazia assim os tracinhos para cima e para baixo).
passado um bom bocado, alguém abre uma das portas e diz: Joana, já fez os exames? e eu: sim, já há algum tempo. a senhora entrou com o meu irmão para que eu presenciasse a entrega da minha roupa e pertences. e ali fiquei. segundo o meu irmão eram 20h, sensivelmente, e ele já tinha andado à minha procura há uns 20 minutos.
passaram-me para uma cama e (YES) um cobertor para me aquecer o corpo. continuei imobilizada, fui para uma sala de observação, onde estavam três pessoas de idade. e digo-vos: a ternura e atenção dos médicos e enfermeiros para com as pessoas foi nota 20.
e eu ali fiquei. pensei: boa, são 20h e o médico já bazou. isto de apanhar trocas de turnos é lixado. mas não, o senhor doutor apareceu, com um humor cinco estrelas e foi ver os meus exames, fez-me mais umas perguntas e disse-me: anda aí uma amiga sua à sua procura, não viu  ninguém? e eu, não, apenas o meu irmão. bom, está tudo ok, vou dar-lhe alta.são 20h10m e posso dar o turno como terminado. bom fim de semana. e assim foi.
e lá fiquei eu, sem colar e com cobertor, à espera que alguém me trouxesse a roupa para ir embora. comecei a vestir-me perto das 21h, tendo ficado cerca de 45 min a ocupar uma cama em S.O. só porque tinha alta do ortopedista mas não do responsável do serviço. enfim, disse ao enfermeiro Rodrigo que achava um disparate eu, que estava bem, estar ali há tanto tempo a ocupar uma cama. e não me aparecia nenhum familiar para me levar a roupa (e eu sabia que, pelo menos, duas pessoas estavam lá fora).
eram 21h15m e eu «já estava» na recepção a pagar cerca de 26,60 eur de taxas moderadoras. é caso para dizer: batem-me por trás, à bruta, e eu ainda tenho que pagar.
quanto ao carro e ao acidente: está tudo entregue às autoridades e às senhoras seguradeiras. o ornatos ganhou o direito a uns dias numa oficina (com sorte, até o lavam!)
de salientar que os agentes da PSP tinham muito bom ar (e foram impecáveis), os bombeiros de Belas são os maiores, e a equipa das urgências de S. José prima pela ternura com que trata os seus doentes. mesmo que se tenham esquecido de mim na sala dos exames...

wunderbar

ter conhecido o projecto TN 21 e poder assistir à festa da sala 4, durante o mês de Março foi mesmo muito Wunderbar!

aliás, o mês de Março de 2013 foi, para mim, um mês TOP no Teatro Rápido: com peças muito diferentes, propostas que nos faziam rir, dançar, pensar, mergulhar, ter medo... houve de TUDO. houve sobretudo MUITO, mas MUITO talento de uma ponta à outra. e é um privilégio poder assistir a tudo na primeira fila.
parabéns a TODOS os «meus» pukaninos e pukaninas de Março.

um post it

a 5 de Fevereiro de 2013 agendo este post para Abril.
porquê?
porque estou a ponderar algo muito sério e certo na minha vida, que inclui colocar na balança a saúde e o trabalho.
hoje, 5 de Fevereiro, não tenho ainda a decisão tomada.
e em Abril, como estarei? quais as consequências da escolha que vou ainda fazer?

Toda a vida é um sonho.

«Descendo hoje a Rua Nova do Almada, reparei de repente nas costas do homem que a descia adiante de mim. Eram as costas vulgares de um homem qualquer, o casaco de um fato modesto num dorso de transeunte ocasional. Levava uma pasta velha debaixo do braço esquerdo, e punha no chão, no ritmo de andando, um guarda-chuva enrolado, que trazia pela curva na mão direita.

(...)

Ora as costas deste homem dormem. Todo ele, que caminha adiante de mim com passada igual à minha, dorme. Vai inconsciente. Vive inconsciente. Dorme, porque todos dormimos. Toda a vida é um sonho. Ninguém sabe o que faz, ninguém sabe o que quer, ninguém sabe o que sabe. Dormimos a vida, eternas crianças do Destino. Por isso sinto, se penso com esta sensação, uma ternura informe e imensa por toda a humanidade infantil, por toda a vida social dormente, por todos, por tudo.»

 

Bernardo Soares, Livro do Desassossego, ed. de Richard Zenith,

Obras de Fernando Pessoa, Lisboa, Assírio & Alvim, pp. 101-102.

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