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em 1998, a cadela dos pais de um amigo teve uma ninhada. pouco tempo antes, o meu avô tinha tido um avc, ficando com a fala afectada. como passava muito tempo na horta, sozinho, precisava de uma companhia com quem falar. o Farrusco entrou, assim, na nossa vida.
entretanto, a minha avó faleceu. uns tempos depois, o meu avô adoeceu e o Farrusco veio morar cá para casa. viveu com os cães que fizeram parte da minha durante estes 19 anos. foi sempre muito sociável, com pessoas e cães.
enjoava quando andava de carro. ir ao veterinário era uma tortura. gostava de todos os tipos de fruta. tinha mau hálito. aturou o Friqui Dog e o seu mau feitio. o Félix e a sua energia imparável.
nos últimos meses, o Farrusco deixou de andar, de ver, de ouvir. mas comia bem: às 19h começava a ladrar para jantar. estava consciente, mas muito debilitado. o Félix e o Friqui foram sempre uns amores: aqueciam-no, dormiam com ele. à sua maneira, cuidavam dele.
uma despedida nunca é fácil. e nestes momentos pensamos sempre que ter animais de estimação é doloroso. quando morrem é doloroso. ficam os 19 anos, as boas memórias e algumas fotografias.
já tenho saudades.

