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all about little lady bug

[da vida joanina]

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[da vida joanina]

17.05.22

11 anos


joana rita sousa

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há 11 anos acordei com o mundo inteiro a andar à roda e nem tinha bebido nada na noite anterior. seguiram-se semanas de cama até conseguir andar sem me agarrar às paredes, até conseguir ver televisão ou usar o computador sem óculos de sol e alguns anos com crises mensais cujo tratamento era cama, silêncio, escuridão.

mudei de vida e as crises foram controladas. há episódios recorrentes de acufenos (vejam e oiçam aqui como é viver com zumbidos) e em dias de muito zoom a cabeça parece que vai explodir. nem sempre as pessoas compreendem as mudanças de humor ou o cansaço. às vezes explico que é do meniére, outras vezes nem explico.

são 11 anos a viver com um piiiiii imenso no ouvido e sem silêncio. o pior de tudo? adormecer. é que no momento em que está silencioso para os outros, é quando oiço melhor e mais intensamente o meu barulho interior.

 

 

10.05.22

há ir e voltar


joana rita sousa

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Mortágua foi o último sítio que visitei antes da pandemia se instalar em Portugal. aliás, recordo-me bem de estar a almoçar com as pessoas da organização do evento onde participei e de ser anunciado o 1.º caso de covid19 em Portugal.

regressei no passado fim-de-semana para conhecer um pouco melhor a cidade que me fez lembrar muito a minha aldeia, mas com hipermercado e uma bomba de gasolina, uma farmácia e escolas do 2.º e 3.º ciclo. enfim, a tranquilidade de uma aldeia com ares de cidade. 

pareceu-me um traço comum a Tondela e Molelos, onde estive a trabalhar e a desenvolver oficinas de filosofia

a zona envolvente é linda, com serra e ar puro ali mesmo à mão de semear. o facto de ter de conduzir pelo IP3 fora não me deu muita oportunidade para apreciar as vistas, mas sempre que a condução era mais tranquila, abrandava para poder olhar à volta. 

(por mais anos que viva não consigo gostar de conduzir horas a fio. é algo que enfrento com alguma tensão, mas essa tensão não me faz desistir. sempre que posso opto por transportes públicos, mas nem todos os horários e locais de trabalho permitem essa opção.)

 

o bom de viajar é que depois do ir há o voltar: e não há nada como a minha cama e a minha almofada depois de um dia de trabalho e de condução. 

 

 

05.05.22

"já ninguém ouve"


joana rita sousa

"Anos e anos de depressão crónica levaram-me a infindáveis consultórios, a conhecer não sei quantos métodos terapêuticos. O que a maioria faz é compensar a alma por essa gigante lacuna: já ninguém ouve. Ninguém tem tempo. Quando comecei o estágio tínhamos exercícios vários, práticas de foco e de atenção, no Instituto e fora dele. Mesmo na minha vida social, dei-me conta de que passava o tempo da fala do outro à espera da minha vez para falar, a formular o meu argumento, a celebrar-me quando achava que ia dizer uma coisa pertinente. Pouco ou nada ouvia."

 

Joana Bértholo

Ecologia, p. 50