recebi ontem (ou hoje?) o relatório de estatísticas aqui do blog. confesso que nem me lembrava que este blog existia. tendo em conta a minha ausência declarada, irei surpreender-me se alguém estiver aí desse lado do écran, a ler.
e compreendo: eu também desistiria de me visitar. bom, eu até que esqueci que existia, aqui neste canto.
seis meses depois, sinto-me perdida, sem vontade de fazer grande coisa.
gostava muito que este pesadelo acabasse para voltar a pensar nos projectos que adiei ou suspendi ou raio que o parta. sei que não estou sozinha neste desejo.
ainda vai piorar e depois é que melhora, né? eu sei, já repeti isso muitas vezes.
bem sei que tenho de me preocupar com o que está ao meu alcance e somente com isso; mas a preocupação, o stress e a ansiedade começam a dar sinais.
um dia de cada vez.
dá para hibernar num ou noutro e esquecer isto tudo que se passa?
há vários diógenes na história da filosofia. o cínico vivia literalmente como um cão, dentro de um barril, na rua.
consta que um dia foi apanhado na rua, em pleno dia, de lanterna acesa, à procura da humanidade.
nos últimos dias dei por mim em modo diógenes, à procura da humanidade.
perante uma pessoa que pertence a um grupo de risco #covid19pt e por isso propõe que a tarefa X aconteça em teletrabalho, os senhores dizerm que ai não pode ser.
a pandemia vai tornar-nos pessoas melhores só que não.
estou a caminhar na aldeia, perto da estrada principal e sigo para a passadeira para fazer o que a galinha fez (passar para o outro lado).
sou interpelada por um indivíduo que me diz que o portão da quinta dele está aberto. dentro da quinta há dois cães soltos.
levo o félix pela trela. sugiro: "então se calhar é melhor fechar o portão".
ele foi, contrariado. "ah mas estou a dizer-lhe, porque o portão está aberto".
e eu: "então é melhor fechar, eu preciso passar ali".
ele: "mas se eu sair para despejar o lixo não posso deixar o portão aberto?"
"o senhor pode fazer o que quiser. eu vou com o meu cão pela trela, estou protegida."
ele: "ah pois, mas ele não traz a açaime"
eu: "claro que não, não se trata de um PP. basta a trela."
ele: "ah e a senhora também não"
eu: "também não trago açaime?"
ele: "não traz máscara"
eu: "claro que não, estou num espaço aberto."
ele: "mas é obrigatório"
e não, o indivíduo não tinha máscara. e estava na via pública a conversar com outra pessoa também ela sem máscara.
mas eu é que incomodei, pois com o meu passeio e o cão pela trela, sugeri que ele fechasse o portão para que os cães deles não saíssem.
o que poderia acontecer? nada. poderia acontecer todo um nada. mas também poderia acontecer que os cães dele corressem para o meu, que os cães dele fugissem, que alguém mordesse alguém. e depois teríamos que chamar as autoridades, conferir chips, vacinas e por aí fora. ah pois.
em suma: o indivíduo pode exigir um açaime e uma máscara a quem passeia na rua, enquanto se passeia na rua sem máscara e deixa os cães dele de portão aberto.
há muitos cães em canis e em albergues à espera que uma família os possa adoptar. em 2018 estes eram os cães que estavam na #uppa_animais há mais de 3 anos. essa lista é agora diferente: alguns foram adoptados (YEAH), outros já faleceram e a grande maioria ainda está no albergue.