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all about little lady bug

ir, fazer acontecer, filosofar, sonhar, amar, amarfanhar, imaginar, criar, dançar, aprender e escrever - não necessariamente por esta ordem

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ir, fazer acontecer, filosofar, sonhar, amar, amarfanhar, imaginar, criar, dançar, aprender e escrever - não necessariamente por esta ordem

diário | #covid19pt

“Žižek criou uma piada em versão corona, a partir desta história da semente. Ao reparo de um dos seus amigos, que o questionava sobre o uso inútil da máscara (à data, dito como inútil pelas autoridades de saúde, mas, entretanto, mudado o parecer, afinal as máscaras protegem), Slavoj respondeu como o homem-semente: “Sim, eu sei que as máscaras não têm utilidade, mas será que o vírus sabe?”.

 

Cláudia Lucas Chéu 

diário | #covid19pt

viver num estado permanente de alerta

passam X dias desde que decidi ficar em casa e Y dias desde que o estado decretou o estado de alerta e outros tantos sobre o estado de emergência.

todo este contexto fez com que a palavra quarentena fosse usada para descrever esta obrigação de ficar em casa, a trabalhar, a estudar; com os espaços comerciais ou de convívio fechados, com restrições de movimentação em momentos específicos.

estamos em quarentena. bom, estamos e não estamos. na verdade, não sabemos se transportamos o vírus e estamos assintomáticos. não sabemos se estamos em contacto com alguém que transporta o vírus, nas compras, por exemplo, naquela vez em que saímos para comprar o pão e o básico para a semana.

levantado o estado de emergência, acontece o estado de calamidade pública. o nome é mais forte, mas as restrições são mais leves. vamos conjugar um verbo novo: desconfinar. vamos confiar nos outros para que procedam em conformidade e respeitem as regras que podem ser alteradas ou revistas.

disponibilidade 

neste período de quarentena, ao qual prefiro chamar de distanciamento físico ou isolamento, por ser mais fiel ao que vivi, venderam-nos a narrativa de que estamos em casa, disponíveis e com tempo.

em casa, sim. disponíveis, nem tanto. seja por ter filhos para dar apoio, por ter uma casa para gerir, por ter trabalho para adaptar, por ter perdido trabalho e ter de procurar oportunidades - e, sobretudo, por estarmos a lidar com um horizonte de permanente incerteza... não, não estamos assim tão disponíveis, nem tão focados. nem especialmente produtivos.

haverá exemplos de quem conseguiu dar impulso a projectos parados, de quem conseguiu perder peso e começar a fazer exercício, de quem começou a pintar. haverá de tudo. somos todos diferentes, transportamos contextos diferentes.

mais do que nunca é necessário algum tacto quando se lida com o outro. 

os outros 

o primeiro outro, agora, tem de ser pessoal, para que possamos manter o discernimento para continuar a cuidar da comunidade em cada gesto, em cada tomada de decisão de ir ou não ir à rua.

é um equilíbrio: manter-nos focados e conseguir lidar com a necessidade de atenção dos outros, com o cuidado que os outros exigem. é difícil. não se consegue sempre e temos de ser pacientes connosco e com os outros.  

a incerteza 

"depois disto passar", "quando isto acabar", "depois desta situação" - não consigo localizar quando é que esse depois vai acontecer, na minha vida; independentemente do nome que se dê ao estado das coisas.

o estado a que chegámos é este: incerteza. não há uma receita para lidar com ele. haverá várias e talvez todos os dias tenha de inventar uma. 

diário | #covid19pt

estamos todos cansados. uns porque perderam trabalho e têm de estar em casa. outros porque estão a trabalhar a partir de casa. outros ainda têm de gerir a escola a partir de casa. estamos cansados da nossa casa?

nota-se que falham pequenas coisas, lê-se tudo mais à pressa, não há paciência para isto ou para aquilo. inventam-se coisas para lidar com os dias gigantes e todos iguais.

não contem comigo para dizer que vai ficar tudo bem, pois acho mesmo que não vai. e o desafio do des-confinamento vai trazer muito cha-cha-cha: passo em frente, passos atrás.

sejam compreensivos convosco: se não forem tão produtivos hoje, amanhã será um dia melhor. se comerem mais uma fatia de pão do que deveriam, relaxem. estamos a viver uma pandemia, caraças.

não digo que "whatever works" sem qualquer regra ética ou linha orientadora. digo apenas que em tempos como estes temos de abandonar algum rigor e abraçar a incerteza.

diário | #covid19pt

ontem, no twitter, a World Health Organization (WHO) partilhou um conjunto de tweets sobre a questão que já passou pela cabeça de muitos de nós: a pessoa recuperada da #covid19pt fica imune?

quando li os tweets fiquei com a ideia de que essa imunidade não aconteceria ou que haveria evidências no sentido de uma resposta negativa a essa pergunta.

umas horas mais tarde, a mesma entidade apagou os tweets e resolveu esclarecer o conteúdo dos mesmos:

"We expect that most people who are infected with #COVID19 will develop an antibody response that will provide some level of protection.

What we don't yet know is the level of protection or how long it will last. We are working with scientists around the world to better understand the body's response to #COVID19 infection. So far, no studies have answered these important questions."

neste caso, as notícias são boas, pois ainda não há uma resposta definitiva. há, sim, uma comunidade científica empenhada nessa resposta.

 

EWeoMQxXgAA-cfV.jpg

para ler o tweet da WHO, clica AQUI.

 

 

diário | #covid19pt

parece que no dia 2 de maio termina o estado de emergência. não sei se o estado de alerta (que foi prévio ao de emergência, se mantém). 

todavia, no dia 3 de maio não podemos suspender o estado de emergência nas nossas vidas. não podemos começar a sair à rua por tudo e por nada, sem salvaguardar a distância de segurança. 

temos de continuar alertas, pois o vírus continua por aí a circular e não vai perder uma oportunidade para vingar e para acumular vítimas. 

enquanto não houver uma vacina, não podemos baixar a guarda. seremos menos sociais no trato e vai ser difícil resistir ao impulso de voltar "à normalidade".

é melhor esquecer a normalidade de outros tempos e inventar um normal, todos os dias. bem sei que parece que encontrámos uma rotina, no confinamento. já se assume um "novo normal" e a esperança secreta, de todos, é que possamos recuperar o antigo normal.

não vai dar.

as notícias não são animadoras no que concerne à imunidade adquirida por quem já teve a doença.

tenho muitas reservas acerca do comportamento das pessoas neste des-confinamento. e algum receio de que se perca a "estabilidade" conquistada desde meados de março até agora.

 

 

 

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