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all about little lady bug

ir, fazer acontecer, filosofar, sonhar, amar, amarfanhar, imaginar, criar, dançar, aprender e escrever - não necessariamente por esta ordem

all about little lady bug

ir, fazer acontecer, filosofar, sonhar, amar, amarfanhar, imaginar, criar, dançar, aprender e escrever - não necessariamente por esta ordem

coisas que janeiro me ensinou

 

 

- é sempre bom estacionar o carro num "lugar a sério" - às vezes a bateria pifa e assim podes deixá-lo por lá, descansada;

- estamos em 2017 e é necessário ir à segurança social, entenda-se a um serviço de atendimento físico, para mostrar os prints dos e-mails aos quais não te respondem - para depois te dizerem que hão-de responder por e-mail;

- para algumas pessoas, falta de ética é não atender o telefone quando se está a trabalhar;

- ainda há pessoas capazes de cumprir promessas. exemplo: Trump;

- há adultos que são exímios na arte de fazer birra - não é tão divertido lidar com as birras dos crescidos como é com as dos mais pequenos;

- valter hugo mãe está no plano nacional de leitura - e eu que só consegui ler  a sua obra infantil "o paraíso são o outros";

- há dossiers pedagógicos que são só amontoados de folhas;

- as crianças reagem mais rápido a uma ameaça do que a um pedido;

- tenho cada vez mais haters: o que significa que só posso estar a fazer alguma coisa bem;

- já o ryan gosling, esse rapazolas, continua lindo. uh LA LA (land). 

 

 

ryan-gosling-on-the-set-of-la-la-land-01.jpg

 

 

na verdade, o recrutamento é uma espécie de ritual de namoro

vês o anúncio. 

ele parece-te interessante, culto. giro. até tem bom humor.

envias e-mail com o teu melhor cv.

aproximas-te e enrolas os dedos nos cabelos. sorris e mostras que estás disponível. passas por ele e entregas um cartão com o teu número. ele pisca o olho.

 

e depois? 

bom. depois, podem acontecer várias coisas:

 

tens resposta ao e-mail. pedem mais alguns dados, links e/ou cartas de recomendação.

ele convida-te para um café. falam sobre coisas banais, mas não consegues perceber bem se ele também está interessado. não menciona filhos, namorada, família. tudo muito sóbrio. fica num ar um possível convite. 

envias o e-mail com a informação adicional.

na manhã seguinte, envias uma mensagem no whatsapp, a agradecer o café (foi ele que pagou).

és chamada para uma entrevista. 

convida-te para um café e cinema. preparas o teu look mais casual e caprichas no cabelo e no perfume. 

a entrevista corre bem, sentes que há empatia e um certo alinhamento nas perspectivas de trabalho. "até ao final da semana dizemos alguma coisa"

o filme era interessante e ele até comentou como o teu perfume é agradável. "vamos falando, talvez para a semana possamos combinar alguma coisa"

 

e depois?

depois?

bom, é como diz o cantor "depois de ti mais nada". NADA. nem um telefonema, nem um e-mail, nem uma mísera mensagem. NADA. nem um "obrigado, mas o teu perfil não se encaixa". NADA.

 

nos últimos tempos tenho INVESTIDO tempo no envio de cv e também em deslocações para entrevistas. invisto tempo e dinheiro. organizo a vida de freelancer para poder comparecer a tempo e horas. e depois fico à espera de resposta. negativa ou positiva, era TÃO MAS TÃO SIMPÁTICO dizer alguma coisa às pessoas que - repito - investem tempo, dinheiro e organizam a sua vida para estar presente numa ou em várias fases de recrutamento. 

talvez isto seja uma daquelas coisas "normais" dos dias de hoje, às quais nunca me vou habituar. vá.

 

(nem um telefonema. bolas, o meu melhor perfume - dos originais e tudo, não era cá aquelas coisas da equivalenza!) 

 

 

 

 

 

Hein?

image.jpeg

 

há por aí 'ssoas felizes, que dizem que fazem filosofia para crianças, mas não têm noção do que é a parte filosófica da questão. acontece que por muito que eu chame caviar a uma lata de atum, esta não se irá transformar em caviar e será sempre atum. 

posso chamar-lhe caviar, mas ao mostrar a lata a quem sabe distinguir, vai ser fácil ver o que é. 

 

o mesmo acontece com a filosofia para crianças: quem souber um pouco destas lides, saberá distinguir o atum do caviar.

 

campanha contra o abandono


durante o mês de agosto, por favor não abandone o seu freelancer.

tal como em todos os meses do ano, ele tem contas para pagar e uma vida para gerir.



para o freelancer, todo e qualquer RV emitido se traduz em rendimento. mesmo aquele cujo valor líquido não chega sequer para pagar a segurança social. 



o ordenado do freelancer é a soma de todos os RV emitidos, menos os impostos, aquelas coisas que ficam para o estado. 



não abandone o seu freelancer: apesar do país parar em agosto, as transferências bancárias continuam a funcionar. 



 



vá de férias descansado, pague o RV antes.

 

 

 

a maior mentira do mundo: "está tudo bem"

 

 

"então, joana, tudo bem?" - perguntou o vizinho quando me viu chegar.

pensei em responder: nem por isso. tenho a tiróide lenta, bateram-me no carro e o félix teve que ir fazer uma visita inesperada ao veterinário. já paguei a segurança social do mês passado, mas ainda estou à espera de um pagamento de um RV de dezembro de 2015. 

pensei. mas disse só: tudo bem, obrigada! está frio, hein? até amanhã!

 

é a maior mentira do mundo. quem pergunta não quer realmente saber e quem responde raramente diz a verdade.

 

e a (minha) verdade é que isto de sobreviver é mesmo assim: uns dias bons, outros menos bons. faço o melhor que posso - até porque não consigo fazer melhor. humana, demasiado humana. 

coisas que não percebo

 

uma das turmas com a qual estou a trabalha neste ano lectivo é uma turma que não é um grupo. são crianças de 9 anos, muito queridas, mas muito centradas no seu umbigo. fazem queixas uns dos outros, têm o "não fui eu" e "não é justo" debaixo da língua e repetem isso de forma automática.

 

na última aula do segundo período estive trinta minutos à espera que fossem criadas as condições para começar os trabalhos. muito barulho, acusações, distracções e afins. eu sentei-me e esperei. uma das alunas disse: "joana chama a directora. se ela aí vier, nós portamo-nos bem".

porquê?, perguntei eu.

"nós respeitamos a directora", disse ela.

e a mim, não me respeitam?, perguntei.

a pequena ficou sem resposta. no fundo, eles temem a directora e se calhar até me respeitam. o problema é que só estão habituados a que gritem com eles e isto de uma pessoa não gritar, de passar a responsabilidade do que está a acontecer para o grupo - isso simplesmente não funciona. e estamos a falar de crianças que já têm 9 anos - não são nenhuns bebés e já trabalhei com grupos de crianças mais novas com os quais estas regras simplesmentes funcionavam.

a páginas tantas, solicitei uma troca de lugares para acalmar uma situação entre dois alunos. a L. disse lá do fundo: "isso não é justo, eu também quero trocar". e sabem o que aconteceu a seguir?

eu disse:

 

"L., e achas que é justo que eu esteja há 30 minutos à espera do silêncio necessário para começarmos a aula? achas que é justo que eu tenha que gritar para vocês me ouvirem? achas que é justo eu ter preparado um trabalho em casa, para nós fazermos e vocês não estarem disponíveis para trabalhar comigo? achas que isso é justo? deixem lá de pensar nos vossos umbigos e colaborem uns com os outros, colaborem comigo. por que essa estratégia de chamar a directora não dá comigo. e se for para a chamar é para que TODA a turma sofra consequências - não vamos entrar no jogo do não fui eu e ele é que começou ou basta tirar o H. e o R. para que tudo corra bem."

 

não consegui trabalhar com eles - e até enviei um recado na caderneta de um deles, que saiu da sala a chorar. é que já na semana passada tínhamos combinado que o comportamento teria que melhorar MUITO - e só piorou.

 

às vezes sou uma professora à beira de um ataque de nervos. 

como desautorizar um colega perante um grupo de alunos - em 3, 2...

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- mas tu é que hás-de saber melhor, deves ter feito um curso e tudo para nos dares estas aulas.
 
pois. a questão é que eles percebem que talvez eu seja a pessoa indicada para saber o que estou a fazer nas aulas, com eles. mas depois há a figura de autoridade protagonizada pela professora titular, com quem eles estão todos os dias. ficam divididos. não é justo que sejam colocados nesta situação.
 
também não é justo irem para o intervalo sem lanchar. diz um deles que a professora os mandou embora da sala, mesmo sem terem terminado o lanche, pois precisava de se ir embora e fechar a porta à chave. já não é a primeira vez que isto me acontece.
 
por causa desta necessidade de trancar tudo, a caixa dos cadernos da filosofia passou da sala de arrumos para  mesa de apoio (ver foto), na sala de aula. é que a sala de arrumos tem que ficar trancada, de tal forma que há umas semanas nem a senhora auxiliar me dava a chave para eu ter acesso à caixa, onde está o material dos alunos. 
 
talvez se eu tivesse "trancado" os cadernos da filosofia num lugar onde ninguém pudesse aceder, talvez assim esta questão nunca se tivesse colocado. talvez vá adoptar a ideia de levar e trazer os cadernos comigo, todas as semanas - até por que eu levei cadernos para os miúdos: uns comprados por mim, outros pela associação de pais. 
 
a porta da minha sala nunca se tranca durante a aula - só não deixo aberta pois a acústica da escola é para lá de péssima. quem quiser espreitar e ver o que se passa nas aulas de filosofia do 1º ciclo, é só bater à porta e entrar. 
a única regra é participar.