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all about little lady bug

ir, fazer acontecer, filosofar, sonhar, amar, amarfanhar, imaginar, criar, dançar, aprender e escrever - não necessariamente por esta ordem

all about little lady bug

ir, fazer acontecer, filosofar, sonhar, amar, amarfanhar, imaginar, criar, dançar, aprender e escrever - não necessariamente por esta ordem

da série: isto só a mim

no domingo ao final da tarde todos os caminhos vão dar ao b.leza, ali mesmo no cais do sodré.

há workshop de dança (kizomba e semba) e depois há música para dar dois (três, quatro) passinhos de dança.

a partir das 20h, a entrada custa 5 euros e dá direito a um consumo até 2,5euros - o que me parece muito catita. 

 

as 'ssoas que nos recebem no b.leza não são as mais simpáticas ao cimo da terra. é raro o dia em que algum dos empregados sorri para nós. no meu caso, eles não têm alternativa, nem que seja pelo facto de ser a única 'ssoa humana presente com uma franja cor-de-rosa. 

 

no domingo passado lá fomos nós. chegar, escolher um spot, uma mesa para assentar os arraiais - e as malas. e fomos supreendidas com uma regra nova: não podemos ter as malas em cima das mesas. "ah não? então colocamos onde?" a opção é o bengaleiro - e tem um custo associado, julgo que 1euro. 

havia malas no chão, em cima das cadeiras. e um senhor a controlar, a passar de vez em quando, para verificar se havia malas em cima da mesa ou não. 

 

adiante. lá nos fizemos à pista. a fauna e a flora presentes prometiam uma noite bem passada. e assim foi.

desde um rapaz bem intencionado que queria fazer a revisão da matéria dada no workshop comigo (amigo, desculpa, não vim à aula. tens mesmo que me conduzir, tá?), ao amigo que precisava urgentemente de um AXE naquelas axilas e que por isso levou um redondo NÃO, obrigada, ao amigo que perante o meu convite para dançar disse: "eh pah, uma mulher a convidar-me para dançar?" - ao que respondi, se preferires um homem, posso ver o que consigo arranjar. 

 

feitas as contas, o saldo é positivo. o ambiente é boa onda, ainda que com algumas personagens caricatas por lá. e há alegria a dançar. 

 

if i can't dance, it's not my revolution 

 

 

não negue à partida uma Kizomba que não conhece

 

 

em Novembro contactei um meio de comunicação com o qual costumo colaborar (gratuitamente) com o seguinte pedido:
Olá Olá
por acaso não é possível conseguir convites/acreditação para o concerto de Anselmo Ralph, no Campo Pequeno, a 5 de Dezembro?
a resposta foi:
Olá Joana. 
Convites não conseguimos decerto. Conseguiríamos acreditação, mas não é propriamente algo típico de abordar na XyZ...
a minha contra-resposta:
Como é possível a XyZ não se querer associar ao maior evento musical de kizomba?
Este senhor esteve no Sudoeste... RESPECT!
Hoje encontrei a palavra Kizomba na capa da LER. No interior um espantoso texto de Kalaf sobre... sim, isso mesmo, Kizomba.
nota: o meio em causa define-se como uma revista online sobre lifestyle e cultura alternativa.

a cultura. e a culturazinha.

tive a oportunidade de frequentar uma oficina de escrita criativa, com uma escritora do momento. confesso que não fazia ideia quem seria a senhora, nunca tinha ouvido falar dela: pelo menos, não tinha fixado o seu nome. fiquei impressionada com a quantidade de livros que já escreveu: é bom saber que numa sociedade de informação acelerada ainda há muita coisa que me escapa: ou seja, há muito por descobrir.

 

às páginas tantas falava-se de cultura, do acesso a esta para o cidadão comum. criticamos o português que consome tudo o que é museu no estrangeiro, mas que nunca entrou num Museu Nacional de Arte Antiga, por exemplo. e de facto, nós desprezamos um bocadinho o que é nosso. talvez por acharmos que aqui está tudo sempre à mão, vamos adiando as visitas e acabamos por conhecer mais quando vamos visitar Barcelona ou Londres, do que propriamente em Lisboa ou no Porto.

 

a conversa continuou. a dada altura, veio a questão do futebol e dos festivais de música: os estádios estão sempre cheios e os festivais esgotam. verdade, mas isso não é - também - cultura? tive que intervir. e dizer que não concordo com essa postura de que a cultura tem que ser uma coisa intelectualóide por si. o futebol também é cultura, a música também. e disse ainda «eu faço um esforço para ir a um festival de música, no verão, porque para mim isso também é cultura. e adoro assistir a jogos de futebol no estádio, e vou ao teatro»

 

atrás de mim estava sentado um actor conhecido - mas confesso que também não sei o seu nome. ele tocou-me no ombro e disse: então e diga lá qual foi a última peça de teatro que viu?

eu virei-me para trás e disse: só nos últimos 15 dias? vi o Coriolano no TNDM II e as 4 peças em cena neste mês no Teatro Rápido.

 

e o senhor disse: «ah muito bem».

 

exacto. muito bem. felizmente ainda consigo ter acesso à cultura, nas suas mais diversas manifestações: começo a fazer um mealheiro ALIVE em Julho, para o no seguinte poder estar presente no festival. quando tenho o dinheiro para o bilhete, começo a fazer o mealheiro do pocket money para gastar no festival. sempre que um amigo falha a presença no estádio da Luz, eu aproveito o red pass dele para aplaudir os pukaninos. aproveito os dias do espectador para ir ao teatro por metade do preço; no Teatro Rápido tenho acesso PRESS (porque em troca escrevo artigos para a Rua de Baixo que não são remunerados - sim, é voluntariado!). tenho um cartão de cinema que acumula pontos e me permite ir ao cinema por 5€. desta forma, procuro que a cultura não me falte "à mesa". toda a espécie de cultura. a de massas e a outra.

 

além disto, apesar de ter uma licenciatura, duas pós graduações, um mestrado e artigos publicados em revistas e livros (na área da Filosofia, ainda por cima!) estou a aprender a dançar kizomba e gosto de sair à noite para dançar.

 

se calhar não devia, né? sendo eu (supostamente) uma intelectualóide...

 

e já agora, das últimas vezes que fui ao TNDMII as sessões estavam esgotadas - afinal, isso não acontece só nos festivais ou nos concertos.

amor de hoje

 

- o casal janta fora imensas vezes, ao que parece não frequentam o mesmo restaurante;

- ele está aborrecido porque ela janta fora - mas ele também janta fora. ela vai para os copos, ele também. parece que raramente se encontram. se calhar, podiam começar a combinar coisas no mesmo sítio;
- a filha fica em casa, a ver desenhos animados, no sofá - abandono infantil?
- quando jantam em casa, só comem salada - o que pode explicar a necessidade de jantar fora: uma 'ssoa não vive só de saladas!;
- o pequeno quase se suicida, com veneno, numa alusão óbvia a Romeu e Julieta - um clássico, transformado em contemporâneo-de-agora;
- o casal discute no quarto, enquanto o Juvencio canta, anunciando a tragédia eminente.