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all about little lady bug

ir, fazer acontecer, filosofar, sonhar, amar, amarfanhar, imaginar, criar, dançar, aprender e escrever - não necessariamente por esta ordem

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ir, fazer acontecer, filosofar, sonhar, amar, amarfanhar, imaginar, criar, dançar, aprender e escrever - não necessariamente por esta ordem

if

If you don't like something, change it. If you can't change it, change your attitude. Don't complain.

-- Maya Angelou

deve ser a semana do aderente: no sentido em que tudo se me pega

ela diz «Sou totalmente contra a ideia ingénua de defender que o filósofo não deve relacionar-se com dinheiro. Só quem faz da filosofia um hobbie é que pode pensar dessa forma. Eu não tenho nenhum emprego fora da filosofia e por isso, se quero sobreviver nesta sociedade competitiva e em crise, tenho que fazer opções e trabalhar apenas em projetos rentáveis, credíveis e sustentáveis.» e como diria o Leandro Nozes, eu respeito disso. a seguir ela convida-o para percorrer o país para organizar uma cena filosófica, sem receber qualquer dinheiro. ele diz que sim. a seguir ela pergunta: «mas tem noção que iria gastar umas centenas de euros para vir trabalhar gratuitamente...?»

e eu, confesso, fico muito baralhada com isto.

das 'ssoas (en)tornadas

Torna-te? Não: "vem a ser, mesmo que já tenhas nascido há muito tempo, VEM A SER. APRENDE A SER COMO ÉS NO TEU SER, tu que és um Quid e não um como". Se aprenderes a ser como és: vem à existência!

PINDAROS, PÍTICA, II, 70

eu pessoalmente é mais nim

eis que ela diss: "o meu argumento é tão neutro que está a ser alvo de interpretações completamente erróneas". e eu disse: para neutro, o pensamento é longo e tem muitas e muitas linhas. se não fosse neutro, ocuparia quantos volumes? aposto que iria competir com o marcel proust

escolhas e consequências

"O português padrão não tolera que alguém se dê bem na vida. Pior, não aceita que um tipo normal decida ser dono do seu destino e assumir os riscos das decisões que toma"

Nuno Ferreira Andrade, jornalista P3

eu pessoalmente


 

as pessoas humanas são seres curiosos. e diversos. isso é uma grande riqueza. é a maior riqueza.

 

encontrei-a com "aquele sorriso parvo" na cara, a olhar para o telemóvel. o outro telemóvel. ela só tinha um. agora tem um. calculei que tivesse arranjado outro, de outra rede, para falar com ele. tinha a certeza de que haveria um ele e perguntei, então tens namorado, é? "não, é só um amigo..." pois, mas nós não compramos um telemóvel de outra rede só para falar com um amigo. afinal ele chama-se Tó e é uma pessoa maravilhosa. mas é só um amigo, mas pronto, é a melhor pessoa do mundo. os outros quatro que lhe partiram o coração desde janeiro para cá, também eram pessoas maravilhosas - e depois partiram-lhe o coração. ela não pára de olhar para o telefone. "não lhe podes responder logo, digo eu, tens que o fazer esperar um bocadinho" [li isto na Happy deste mês]  "ah mas ele também responde longo" - conclui-se que ele também está desesperado. a minha avó diria que "só se estraga uma casa".

 

ela conseguiu emprego há dois ou três meses, após um ano de desemprego. "agora vou ter outro problema". ah sim? afinal o problema só vai acontecer daqui a dois anos, o possível desemprego, pelo facto da instituição onde trabalha poder vir a perder a jurisdição e apoio de uma dada entidade. "não sofras por antecipação", disse-lhe. tens dois anos de trabalho pela frente aí e podes sempre procurar outras vias. e ela ficou a olhar para mim com aquele ar de "para ti é fácil falar, porque tu desenrascas-te e fazes muita coisa. que inveja".

 

eles eram dois. e agora são só um: dois amigos resolveram apagar o seu perfil pessoal (e individual) no facebook e criar um só: Cris e Jojó. são uma espécie de ser com duas cabeças. lembro-me daquele mito sobre o amor, que li num texto de Platão, que dizia que passamos a vida em busca da outra metade, pelo facto de, em tempos, termos sido um só. acabamos divididos, pela ira dos deuses (acho, não tenho a certeza!). parece que a Cris e o Jojó são duas metades que os deuses dividiram e o facebook uniu. amen.

 

no final de uma oficina de pensamento crítico, ela colocou o dedo no ar e perguntou-me "Joana, que sentido é que faz andar de um lado para o outro, fazer coisas, se isto tudo pode acabar? se o fim é o mesmo para todos?" minha querida, a vida é uma grande filha da meretriz, mas se encontrares algo que te apaixone, vale a pena. pode até ser um Tó ou uma Cris. faz-te à vida e não desistas de ti.

 

ela tinha a minha idade. sempre a conheci com um sorriso GIGANTE na cara. em meses, o filho da puta do cancro destruiu-a. mas ela lutou até ao fim. nunca desistiu. e nós vamos ter sempre saudades suas.

 

ela tem uma editora de livros, aliás, e-books. eu confessei que não sou apreciadora. como moro na Filosofia, ela apontou-me o dedo e disse "ai ai ai Sócrates nunca escreveu uma linha. No tempo dele, Socrates detestava os livros - imagina só! O livro tinha muitas fraquezas: Um livro não era capaz de se ajustar ao que estava a dizer, consoante o publico que o lia; Um livro não consegue ser interactivo, tal como somos quando dialogamos uns com os outros e não se consegue ter uma conversa com um livro" confesso que tenho diálogos longos e demorados com os meus livros, com o seu cheiro, com as marcas que deixo nas páginas. mas enfim, eu falo comigo mesma. I've got issues. a senhora diz que lê muito mais, agora que tem um e-reader. eu disse-lhe que não tenho pretensões de ler muitos livros, apenas os certos. e além disso o facto de Sócrates não gostar disto ou daquilo, não prova nada. o homem gostava de cicuta e eu "é mais gin".

 

ela queria sugestões de prenda, para um aniversário. sugeri um voucher para ir ao teatro: 10 euros e numa 1h15m podemos ver 4 micropeças. "a pessoa em questão não tem tempo, estuda e trabalha". e não consegue tirar 1h15m num dia, de quinta a segunda, para ir ao teatro? pois... eu sei que não, quando estudava e trabalhava [eu já tive uma profissão digna, agora tenho uma profissão indignada] nunca consegui ir ao teatro, ou ao cinema. nem via os meus amigos. acho que "a pessoa em questão" não gosta de teatro, no fundo. e já tem tantas coisas que não deve sequer "precisar" de nada. a não ser de se tornar numa pessoa presente, de tão ausente que é.

 

as pessoas humanas são seres curiosos. e diversos. isso é uma grande riqueza. é a maior riqueza.

 

 

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